Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Brincando dentro da Caixa

Tem gente que pensa fora da caixa. Nós, filhotinho, com igual inteligência às vezes brincamos dentro da caixa.

Bom, passado o momento mini-filosófico, vou falar sobre o assunto sem metáforas. Até porque é literalmente isso mesmo: mostrar você brincando dentro de caixas grandes, que acabam funcionando bem para te escorar e te 'aninhar'.

Faz tempo que eu já poderia ter falado sobre isso aqui. Pois a coisa é antiga e surgiu como uma ideia da sua T.O., a tia Suzane. Sempre ela... Nos contando sobre a experiência dela no início da carreira com crianças e famílias mais humildes, falou que muitas vezes uma simples caixa de papelão resolvia bastante o problema.

Mais detalhadamente, ela usava uma caixa de papelão com tampa, onde fazia um buraco meia-lua para a criança entrar e poder brincar com os bracinhos do lado de fora apoiados na tampa, agora fazendo as vezes de mesinha. Deu a dica de que a caixa em que vinham produtos da Natura para as revendedoras era excelente para isso.

Aí... lá foi sua vovó Tella pró-ativa atrás das moças que ela conhecia que vendiam Natura. Valeu da Luana do salão a Nice, empregada boa praça que sempre nos deu a maior força, principalmente no período de férias das colaboradoras aqui de casa. E foi ela mesma quem conseguiu primeiro.

Com a caixa em mãos, levamos para a tia Suzane cortar e depois a mamãe encapou com um papel de presente bonitinho.

Deu certo? Hum... mais ou menos. Até conseguimos algumas vezes te enfiar ali, mas você, como já disse aqui tantas vezes, não suporta ficar preso e era uma luta te colocar e te manter lá dentro. Mas usamos algumas vezes sim. E pode ser algo que não se ajustou muito a você, mas pode se ajustar a outros amiguinhos. Por isso, a ideia é muito válida. Principalmente pelo pouco investimento! Num universo em que dar um espirro custa os olhos da cara é uma solução animadora...

perdão... é um video antigo e escuro e em que a caixa está sem tampa... mas não achei outras imagens desta caixa...
video

Mas por que estou falando disso hoje? Porque há pouquíssimo tempo, tentando me desfazer de algumas tralhas acumuladas, eu decidi que era hora de dar adeus a tal caixa e levei para a própria tia Suzane passar para alguém. E aí, coincidentemente, no domingo lá na casa da vovó Zita me surge uma caixona amarela, do material de engradados de cerveja, mas bem maior e mais baixa um pouco. Papai falou que era uma caixa antiga, onde vinham embalagens de leite. Bem, olhando pra ela, não sei porque na hora te imaginei ali dentro brincando. Me pareceu que seria mais suportável pela pouca altura lateral e por ser aberta. Bastava alguns enchimentos a sua volta.

Te peguei pelo braço e coloquei lá. Após uns primeiros segundos de resistência ao dobrar as perninhas, consegui cruzá-las e te botar sentado. Catei um monte de almofadas para te escorar dos lados e umas maiores para colocar na frente. Depois, peguei um de seus brinquedos preferidos - qualquer tipo de revista - e botei pra você brincar.

Bingo! Você ficou ali brincando bastante tempo e SOZINHO! Minha felicidade é justamente por isso. É raríssimo você ficar sozinho em qualquer lugar. E eu bem sei como você fica feliz ao se ver nessa situação. Eu e você.


























Bom, a moral da história é que às vezes nós mesmas temos capacidade de achar soluções para nossos filhotes, justamente por conhecê-los tão bem e, sim, por todo o caminho trilhado nessa estrada de tantas sessões de terapias. Acabamos absorvendo conceitos e nos tornando mais criativas a partir dos materiais e equipamentos profissionais, sem dúvida.

Termino dizendo para todas as mães que nunca duvidem desse potencial. Porque eu sei bem como é a angustia de muitas vezes achar que tem razão e duvidar de si mesma por pensar que temos que colocar as ideias ou indicações de especialistas em primeiro lugar. Nem sempre, povo. Eu demorei um pouquinho para ganhar essa auto-confiança. Mas hoje me orgulho dela.

Fui um pouco além aí nesse final, mas sempre acho importante passar esse tipo de mensagem. Adoro, respeito e tenho muito a agradecer a todos que nos acompanham, mas a ligação que existe e que se fortalece a cada dia entre você e eu, Antoninho, é soberana.

Fui, porque tenho muita criança pra cuidar. Beijo, filhote!

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