Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Endereço Alternativo no Facebook

Seguinte pacotinho, que tá um baita pacotão!

o tempo passa, a vida anda - amém! - as coisas mudam, evoluem, enfim... essa lenga lenga aqui é pra tentar justificar ou explicar o meu chá de sumiço. Bom, tivemos mesmo um período difícil entre junho e julho em que você emendou uma virose e 'ite' na outra e nós quase descarregamos as baterias. Você e sua irmã ficavam revezando as chatices virosentas. Mas passou!

Há tempos que estamos bem. Só que eu acabei desacostumando um pouco a escrever e o cansaço vem batendo cada vez mais. Você e suas demandas nunca param de crescer. Sua esperteza é divina e por ela, nós fazemos de tudo. Por isso, crescem tarefas, deveres de casa, coisas a serem confeccionadas, compradas... É uma loucura o mundo de possibilidades alternativas que existe e o quanto "perco" ou ganho tempo olhando, descobrindo, escolhendo coisas.

Graças a sua capacidade também física, nossa rotina ficou ainda mais puxada e, enfim, após um ano da mudança para outro bairro, conseguimos organizar sua vida com escola todos os dias pela manhã e mais duas terapias em média à tarde. Ufa!

Junto com isso, sua irmã está cada vez mais linda, esperta e danada. Ela demanda atenção o tempo todo também. E é uma delícia!

Pra completar, voltei a trabalhar num pique um pouco maior. Ainda fazendo a maior parte das coisas em casa, mas com um volume que me faz usar qualquer tempinho vago pra trabalhar... Mas isso está me fazendo muito bem! Tem sido um período muito rico em que estou me sentindo mãe, mulher e profissional.

Difícil? Cansativo? Quase inacreditável? Sim. Mas dou meu jeito. Só que aí algumas coisas realmente estão meio em stand by como o blog, álbuns de fotos, arrumações da casa e armários... Coisas que também amo fazer, mas que agora estão quietinhas. Abandonadas, não! Quietas.

Adoro escrever sobre você, sobre nós, mas estou curtindo outras coisas também legais agora.

O que posso dizer é que hoje você com quase 4 anos, sua irmã com quase 2 e as coisas calmas em nossas vidas, posso dizer sinceramente que me sinto uma mãe normal, igual, comum. Não encaro suas necessidades mais especiais do que a de uma outra criança que tenha algum problema de comportamento, ou uma alergia alimentar, ou um problema pra dormir... Enfim, não acho que você me dê mais trabalho que a sua irmã, por exemplo. Ela tem as questões dela que me desafiam pra caramba também.

É aí que vejo como foi importante tê-la. Ainda que eu não me achasse uma coitada nata, eu ria pra mim mesma dos outros mortais, como se eles não soubessem o que era cuidar de uma criança especial. Hoje, isso mudou muito. É claro que tenho que tomar muito cuidado com o que falo e como falo, é um assunto delicado. Mas estou tentando passar uma impressão pessoal. Não faço diferença mesmo entre as dificuldades que tenho com o gênio e comportamento da sua irmã com o fato de ter que te ajudar motoramente na maioria das coisas. Pra mim, são as necessidades específicas de cada filho.

Claro que só consigo me sentir assim porque estamos longe dos fantasmas das convulsões e coisas graves que pudessem representar risco de morte ou de sequelas muito ruins.

Mas na atual circunstância, nossa vida tem seguido em frente. Com alegrias, dificuldades, viroses, cansaços, vitórias, aprendizado. Somos uma família feliz. Somos uma família. E isso sim é muito especial.










Quem quiser nos ver mais, enquanto não volto com regularidade aqui, fiz uma página pra você no Facebook. Querido Antonio Pedro. Como é mais rápido e fácil, vivo postando fotos e vídeos. Não tem muita coisa escrita, mas dá pra nos acompanhar.
Amor. 
Te amo. beijo enorme da mamãe.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Zé, o Jacaré

Filhotinho... a coisa aqui não anda muito boa pro nosso lado. Estamos numa maré de viroses, resfriados e "ites" que não é brincadeira não! Faz mais de um mês que estamos 'trabalhando' em esquema de revezamento. Você, eu, seu pai e sua irmã. É um tal de um passa pro outro que não acaba mais. Febres, dores, chatices, irritações... Um monte de coisa junta que nos tirou totalmente da rotina neste mês de junho. Duas semanas sem ir à escola; terapias furadas; e cansaço geral da nação. Lá fora, protestos por todo Brasil.

E aí, em dias de caos, mamãe aqui tem que exercer a criatividade. Pra não deixar a peteca cair. Aliás, essa não é uma opção. Jamais!

Bem, ontem, na saída do banho - que é algo que você gosta, mas que na atual circunstância não tem dado resultado - tive que rebolar pra te fazer parar de chorar e ficar um pouquinho só que fosse sem reclamar... E, assim, nasceu a história do Zé, o Jacaré. Em homenagem à toalha que você estava usando.

muito do injuriado...























                                                            Zé, o Jacaré

Zé, o Jacaré, morava na lagoa com a Moa, a Jacaroa.
Um belo dia, ele resolveu dar um passeio e encontrou com Mano, o Pelicano.

- Bom dia, Zé Jacaré. Vai aonde assim tão animado?
- Bom dia, Mano Pelicano. Vou visitar minha prima Carolina, ali naquela casa da esquina.

- Ela mora numa casa? Uma jacaroa, numa casa?
- Não... Minha prima Carolina é uma menina.

- Quê? Onde já se viu isso?
- Ih... Mano, Pelicano. A história é longa...

- Pode me contar. Prometo ficar de bico fechado!

- Bom, na verdade, meu nome é Andrei, o Rei. E eu comandava todo esse reinado. Até que um dia uma bruxa má jogou um feitiço na minha rainha. E a transformou em... jacaroa.
- Oh! Moa, a Jacaroa!?
- Sim. Ela mesma.

- Mas você não fez nada?"
- Ah fiz... Eu e Moa percorremos todo o reino atrás de uma bruxa boa.

- E aí? Ela não conseguiu desfazer o feitiço?
- Não. Ela disse que não podia desfazer um feitiço que não tinha sido ela quem tinha feito. E quando eu já ia embora cabisbaixo, ela disse: 

- Olha, eu não posso transformar a Moa em rainha de novo. Mas eu posso transformar você num jacaré!

E foi assim que Andrei, o rei, virou Zé, o Jacaré.

Moral da história: quando a gente não consegue fazer as coisas de um jeito, tenta de outro!


melhoras, meu amor. muito ruim te ver dodói...





segunda-feira, 17 de junho de 2013

Meu Polvo Favorito!

Título estranho, fantasia esquisita... mas juro que o post vai ser bem bacana, filhote!













Quero falar de como a vida pode ser mais fácil se em vez da gente se prender no que não é possível, dar asas à imaginação para o possível! Eu fiz isso. E a mãe do Daniel, ainda nosso amigo grandão, também. E considero nós duas muito bem sucedidas.

Bem, a mensagem é geral, mas o tema aqui hoje é: Apresentação na escola.

Quem assistiu a promo do filme "Educar para Incluir", link no post de baixo, viu que logo no comecinho tem o Daniel pequenininho, vestido de minhoca. Grande ideia! Assim, ele pôde efetivamente participar do teatrinho e representar muito bem o seu papel, se arrastando pelo palco. Ponto pra mãe do Daniel! E pra escola dele na época.

O fato é que pouco antes da ideia desse filme acontecer - ou seja, eu ainda não tinha visto nada -, passamos por uma situação parecida.

Seria a sua primeira apresentação na escolinha. Nada muito rebuscado. Apenas uma confraternização pelo término de um projeto sobre água. Você e seus amiguinhos dançariam ao som de uma música em inglês, vestidos de animais do mar.
cenário construído pela turma ao longo do projeto.
Quando recebi o recado na agenda, imediatamente me pus a pensar: que bicho você seria? Era livre. Eu podia escolher qualquer um.

Mas havia algumas limitações. A principal, o andador. Como te fantasiar de algo que não ficasse escondido pelo andador? Foi aí que me veio o pulo do gato! Eu não tinha que pensar na fantasia e, depois, no andador. Eu precisava pensar numa fantasia considerando o andador! Já que ele funciona como uma extensão sua.

E assim nasceu o Antonio Polvo! Tudo muito simples. Pesquisado rapidamente na internet e feito numa toalha velha pela talentosa vovó Zita. Ficou ótimo! Um capuz com olhinhos e os tentáculos caindo em volta do andador. Um sucesso.
minha irmã comparecendo.






















Mas onde eu quero chegar mesmo é na minha, na nossa, maturidade emocional. Fiquei orgulhosa por me tocar depois, no momento em que vi o vídeo do Daniel, que em nenhum instante eu fiquei me lamentando por ter uma tarefa um pouco mais complexa que a das outras mães. Não me deprimi à toa, caindo numa armadilha boba de que meu filho não é como as outras crianças... Como vou fantasiá-lo... Coitadinho... etc etc etc.




Pelo contrário. Curti o exercício da criatividade. Principalmente pelo resultado. Todos gostaram. Todos foram te ver. E posso dizer com propriedade que a sua primeira apresentação foi pra mim exatamente como foi para as outras mães. Estávamos todas felizes, orgulhosas e de máquinas fotográficas ou celulares em punho.

vovó Zita e Tia Cris!
papai presente!

Você não era diferente. A não ser pela fantasia, que arrasou!

video

terça-feira, 11 de junho de 2013

Segunda Etapa na Escola

"- Não consigo entender a resposta dele."
"- Mas como é que você está perguntando?"


Filho, hoje mamãe quer falar sobre como andam as coisas na escola.

Bom, no geral, está tudo indo bem. Mas acho que esse período inicial serviu principalmente para adaptação. Adaptação ao ambiente, às pessoas da escola, à mediadora, aos seus amiguinhos, à rotina, à nossa vida pós-colégio cheia de terapias... Enfim, foi um tempo para inserirmos o colégio em nossas vidas e nós na vida deles.

Feito isso, está na hora de darmos um segundo passo. O que estou querendo dizer? Bom, estou falando que agora que já conhecemos tudo e todos e todo mundo já te acolheu - de uma forma maravilhosa, é importante frisar - é o momento de te apresentarmos mais profundamente. De fazer com que as suas professoras, principalmente, te vejam, te entendem e - TE COMPREENDAM - mais. Porque por mais que a escola seja um ótimo lugar para socialização e estimulação, você também está lá para aprender. Como todos os outros alunos.

Tarefa simples? Não. Pois se para nós, que te conhecemos desde sempre, ainda é complicado achar maneiras e estratégias eficazes de comunicação, imagina pra quem tá chegando agora?!

Mas... temos uma tia Miryam Pelosi em nossas vidas e ela faz toda diferença. Em nossos atendimentos contínuos com certeza, mas ainda mais quando faz interferências pontuais. Semana passada ela foi lá na escola conversar com as suas professoras e foi tudo de bom. Porque ela consegue falar sobre qualquer coisa da forma mais clara e educada possível. Assim, nada fica por dizer e ninguém fica melindrado.

No seu caso, o foco principal foi justamente nessa questão de como saber se você está entendendo o que se passa na sala e se está absorvendo o conteúdo. Elas, compreensivelmente, estavam - estão - com dificuldade para obter respostas suas.

E foi pra isso que a tia Miryam foi lá. Pra tentar falar pra elas como fazemos nos atendimentos e como você tem dado essas respostas. E foi daí que surgiu o diálogo lá de cima. Tia Miryam tentou explicar que pra que você consiga responder é muito importante que quem esteja falando com você saiba perguntar.

Deixa a mamãe explicar: obviamente não adianta perguntar coisas muito complexas ou subjetivas demais para pessoas que não conseguem se comunicar verbalmente. Ou seja, é preciso tornar essa pergunta o mais objetiva possível. E quanto mais transposta para o concreto melhor. O que é transportar para o concreto? É tornar a coisa visual ou tátil, além de falada. Por fim, é preciso trabalhar com escolhas. Sempre. Pergunta da professora: "Ah, então é tudo multipla-escolha?" Sim, é por aí.

Exemplo: Se eu quero saber qual bicho você mais gosta, eu pergunto: Antonio você gosta mais de cachorro ou de gato? E mostro uma figura de cada. Sempre dando opções já inseridas na pergunta. Essas figuras podem estar numa mesa, na minha mão, no seu comunicador, no chão... O importante é que estejam numa posição em que dê para você olhar e eu ver você olhando. Porque você dá as respostas muito rápido e sempre primeiro olhando para elas. De uns tempos pra cá, tem inclusive usado uma estratégia mais consistente que é olhar para a figura escolhida e depois olhar pra quem te perguntou. Como quem diz: é essa aqui, fulano. Num segundo momento, você tenta levar o braço pra pegar a figura escolhida. Mas é importante não perder essa resposta inicial porque se não você fica irritado. O que acontece é que enquanto você tenta levar o braço, já vamos conversando e te dizendo que entendemos o que você respondeu.

Perguntas em que a resposta seja sim ou não também já acontecem. E o que você tem usado para responder é sorriso para sim e beicinho para não. Mas nem sempre funciona. Acho que porque às vezes você não compreende muito bem o que estamos perguntando. Uma coisa que usamos bastante é uma espécie de indicativo. Assim: Antonio, se você quiser ficar mais um pouco no pula-sapinho, dá um sorriso. E funciona! muito bem. Há horas em que você está abrindo o berreiro e quando eu falo isso, você dá lá um sorriso amarelo que seja, para mostrar o que quer.


Ou seja, que você entende coisa pra caramba está mais do que provado. Nossos esforços têm sido mesmo pra te ajudar a demonstrar isso. E o maior desafio é 'ensinar' e provar a terceiros a sua capacidade.

Peguei o pato!
Mas estamos no caminho. Com a tia Miryam na liderança. Confia em mim, filho. Estamos bem. Agora é preciso paciência e torcer para que a boa vontade já demonstrada por todos na escola continue também nessa segunda etapa. E que um esforço verdadeiro para te compreender aconteça. Tudo indica que a coisa vai nessa direção. Tia Aline, tia Lizandra e cia gostam bastante de você e se mostraram bem interessadas em ajudar nesse processo lindo de aprendizagem especial. Acho que ganhamos mais parceiros na nossa luta.

No mais, é a mamãe aqui ficar em cima de todos os envolvidos para que a coisa ande e flua. Esse é meu papel. Cuidar para não deixar essa vontade ir embora. Como eu posso fazer isso? Estando em contato direto sempre, cobrando numa boa as promessas feitas como o adiantamento de atividades semanal para a mediadora, enviando vídeos seus mostrando como nos comunicamos em casa... É isso. Falando, mostrando, criando, intercedendo...

Exemplo filmado abaixo de como a tia Miryam obtem boas respostas suas:

video

Por fim, não poderíamos deixar de colocar aqui o link para o tal projeto muito bacana do nosso amigo Daniel. Um pedacinho já saiu do forno. Tomara que vingue e se transforme num documentário lindo e que ajude a mudar o cenário da educação especial no Brasil.

Com vocês, uma prévia de "Educar para Incluir":
Educar para Incluir

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Encontrando Daniel

Filho, nossos 15 minutos de fama se estenderam pra meia hora. O que a mamãe escreveu aí embaixo virou manchete! no Facebook, mas ainda assim, deu o que falar. Que bom. Quero mais é que falem mesmo. Que falem de mim, que falem de você, que falem de nós! E de carona nessa falação, que venham olhares mais atentos para o bem maior, a causa dos portadores de necessidades especiais.

Dito isso, bora pro meu assunto de hoje que nosso blog aqui, apesar de mais famoso, nunca terá cunho político. Aqui quem fala é o meu coração e o que sai em palavras é estritamente pessoal. Não saberia fazer de outra forma.

E semana passada vivi um dia, vivemos um dia, muito especial e emocionante. Passamos a manhã com o Daniel.

Quem é Daniel? Bem, a história é longa e vou contar do começo.

Você ainda era um bebê quando começamos os atendimentos na tia Suzane, sua fiel T.O. Naquela época, mamãe era ainda... como posso dizer? Crua. Acho que essa é a palavra. Eu ainda era muito crua, muito nova em tudo o que envolvia o abrangente mundo das crianças com necessidades especiais. Acho que eu nem te encarava assim ainda. Não conseguia te relacionar com a minha imagem - totalmente leiga - de um portador de necessidades especiais. Alguém com muitas limitações e aspecto nada bonito.


Você era meu bebê lindo. Que apesar do baita susto no nascimento ainda estava no mundo duvidoso do "em observação". Uma época em que ninguém gosta de falar muito sobre a realidade pra esses novos pais e também de muita ilusão da nossa parte. Por achar que com a gente não vai acontecer o pior. Essas coisas acontecem na televisão, no jornal e a quilômetros luz de distância. "Aqui em casa o máximo que vai acontecer é ele demorar pra falar ou andar um pouquinho mais tarde..." Era nessa linha, inclusive, que falávamos de você pra todos que perguntavam. E as perguntas eram em cascata, acredite. Respondíamos que tinha sido um sufoco, mas que agora tudo estava mais calmo. Você estava ótimo. Mamando! E estava - ah lá - em observação só pra ver se tudo ia caminhar tranquilamente. E, filho, mamãe e papai falavam isso na melhor das intenções. Mergulhados sinceramente num mar de ignorância e esperança.

Então, me acompanha, imagina a mamãe ainda com essa visão, ouvindo a tia Suzane falar do Daniel. Um paciente dela, já grande, que teve a mesma coisa que você ao nascer e hoje falava, andava, morava sozinho e trabalhava! E que você lembrava muito o Daniel na inteligência, na determinação, no desistir jamais! Bom, eu idolatrava as conquistas do Daniel e já tinha feito toda uma imagem cor de rosa dele e da vida que levava. Uma vida com o adjetivo mais almejado do mundo: normal.

E aí... chegou o dia em que conheci Daniel. Não foi nada programado. Nada pensado. Sem nenhuma espécie de preparação. Simplesmente, um belo dia estávamos na sala da tia Suzane quando o Daniel entrou. Ele era o próximo paciente e a tia Suzane, feliz com a coincidência por uma troca de horários, o mandou entrar! pra conhecer você.

Fiquei primeiro sem reação. Depois, acho que um pouco sem saber o que fazer. E, por fim, minha sensação maior era o desconforto. Não me lembro bem, mas infelizmente devo ter transpassado essa decepção ignorante e não programada na ocasião. Foi um baque. Um balde de água fria. Um tapa na cara.

Daniel falava, mas enrolado. Daniel andava, mas torto. Daniel fazia todos os movimentos, mas com dificuldade. Daniel não era o Daniel que eu havia imaginado...

Bom, não sei contar com muitos detalhes hoje como foram os dias, semanas ou até meses a partir daí. O que sei é que a partir daquele encontro, uma nova era foi surgindo em nossas vidas. Uma era de olhos abertos, de encarar as terapias com a seriedade que mereciam, de rever conceitos, de sair da inércia, de parar de se iludir, sem ao mesmo tempo ter pena de nós. Entramos no nosso novo testamento! Na era D.D. Depois de Daniel!

E nela estamos com muito sucesso, muita luta e muito amor até hoje! Nossas conquistas foram muitas, nossas histórias maiores ainda e nosso crescimento incomensurável.

Agradeço muito por aquele encontro naquele dia. E por diversos outros com o mesmo Daniel a partir daí, que muito nos contou, muito nos incentivou e muito nos ensinou. Foram mais vários encontros na entrada ou saída do consultório da tia Suzane onde perguntamos coisas, vimos fotos e convivemos falando sobre duas gerações diferentes e com tanto em comum.

Até que quinta passada, esse encontro ganhou umas boas horas a mais quando Daniel foi visitar você no seu colégio, por conta de um projeto muito bacana que ele está tentando fazer acontecer. Depois da escola, ele veio com a gente pra casa e passou mais umas horinhas conosco. Conversando e brincado. Foi ótimo e totalmente natural.

Pelo fato totalmente sincero de que hoje meu pensamento é o seguinte: Se você ficar parecido com o Daniel, eu serei a mãe mais feliz desse mundo!!!!!!!!!!!!!!!

Beijo em você e no nosso amigo querido!

Duas gerações! E muita esperança!







quinta-feira, 23 de maio de 2013

Nós na Veja

Amoreco, eu e você saímos na revista! Na Veja Rio, do fim de semana do dia das mães. Não tinha falado nada aqui ainda porque viajamos e depois a semana foi corrida. Mas não quero deixar passar porque acabaram acontecendo algumas coisas bacanas nesses nossos 15 minutos de fama.

De cara, lógico, é muito legal se ver estampado numa revista séria e de grande circulação. Ainda mais porque saímos bem na foto! Mas a coisa foi bem além de agradar e ser o orgulho da nossa família e amigos mais próximos.

Não foi a primeira vez que entraram em contato com a gente para algum tipo de reportagem ou aparição pública, mas foi a primeira vez que efetivamente a coisa aconteceu. Confesso que eu estava um pouco apreensiva por não saber bem o que esperar da matéria. A conversa com a repórter foi boa, mas muito abrangente e eu só sabia que era algo relacionado ao dia das mães, falando sobre mães especiais. Por isso, dei uma segurada na expectativa, até pra não me decepcionar depois, caso a coisa toda não fosse muito legal. Mas, me surpreendi. O texto da revista ficou bem bacana. Sem sentimentalismo, mas também não ficou uma coisa rasa, sem embasamento. Foi curta, mas conseguiu fazer um retrato legal de diferentes casos de necessidades especiais e nos homenageou bem pela dedicação. Fiquei feliz.

E, por mais que eu já me considere uma mãe especial devidamente saída do armário, uma coisa assim é sempre libertadora. Foi muito legal sairmos sorrindo e felizes, como que dizendo ao mundo: ei! nós existimos e, na medida do possível, levamos uma vida normal e feliz!

Outro ponto que acabou sendo muito positivo é que de carona no nosso sorriso colgate da foto, muita gente que talvez tivesse um pouco de parcimônia ao falar ou se referir a nós também se libertou. Senti isso em círculos um pouco mais distantes como, por exemplo, os vizinhos das suas duas vovós. É engraçado mas foi como se nossa cara na Veja acabasse funcionando como um passaporte de retorno à sociedade. Em vez de ter pena do 'netinho especial', o pessoal agora celebra 'vi seu netinho na revista!'. Espero que não tenha parecido nenhuma espécie de crítica. De forma alguma. Sei bem o quanto é difícil lidar com questões delicadas da vida. Não existe um protocolo para esses casos e na falta de prática ou tato, acaba que ninguém fala muita coisa. E o que estou falando é que o fato de termos nos exposto fez com que esse desconforto alheio ficasse bem mais ameno. Afinal, nós nos mostramos para o mundo. Então pressupõe-se que não temos vergonha de nós.

Isso tudo também gerou reflexos na sua escola. Juro que em nenhum momento imaginei que uma reportagem pudesse ajudar na sua inclusão. Mas o fato é que por motivos parecidos com o que acabei de falar sobre os vizinhos, a galera da escola também fez a maior festa em torno do assunto e isso fez de você alguém mais visado não só pelas necessidades especiais, mas também alguém de quem eles têm orgulho de conviver, ou que passou a ser alguém para se ter orgulho de conviver. Ser amiguinho do Antonio, na semana passada, também significava ser amiguinho do menino que saiu na revista. E isso, para o bem e para o mal, é glamour. Ainda que eu pudesse fazer aqui uma análise mais chatonilda de como o interesse por você tivesse envolvido em sentimentos não muito nobres, prefiro usar o que esse interesse pode gerar de bom. E o que gerou foi uma maior aceitação de quem ainda não tinha sido conquistado apenas pelo seu carisma contagiante.

Antonio, você sabe que a mamãe sempre usa esse tom de brincadeira e escreve de maneira mais leve, mas queria deixar claro que essa primeira aparição pública nos foi muito útil. Fez bem pro ego e pra alma. E estou muito feliz de ver todos querendo ficar perto de você. Ou melhor, todos sem vergonha de estar perto de você. Na saída da escola, vários amiguinhos ainda te apontam como o 'meu amigo que saiu na revista'. Mães já vieram me parabenizar com sorrisos sinceros. As terapeutas, professoras e a direção te colocaram no mural. Enfim, você deixou de ser apenas o meu astro, para ser um astro de todos. E mesmo que passe o auê, que vai passar claro, aliás já está passando, essa quebra de barreira, essa aproximação a você tem tudo pra ficar.

Por fim, não quero que fique parecendo aqui que para ganhar aceitação a criança precisa aparecer no jornal, na revista ou na televisão. Claro que não. E seria impossível isso ser uma meta pessoal de todas as mães especiais. Mas acho que o recado aqui tem a ver com libertação, com aceitação. Já falei isso pra muitas mães. A forma como os outros nos vêm está diretamente relacionada à forma como nós mesmas levamos a vida. Se uma revista aparecer no caminho e ajudar a divulgar isso, ótimo! Mas, antes de tudo, há de ser um exercício e uma postura aprendida, conquistada e, principalmente, escolhida.

link para a matéria no site: http://vejario.abril.com.br/edicao-da-semana/maes-filhos-com-deficiencia-741013.shtml

beijo da mamãe!





sexta-feira, 17 de maio de 2013

Viagem Adaptada

Ei, filho! Vim contar do nosso fim de semana das mães.

tédio no carro...
Então, pontos altos e baixos. Altos, o hotel que papai escolheu foi uma surpresa maravilhosa! Mauá continua tudo de bom em termos de paz, natureza e sol com frio, melhor clima do mundo. E comida nota 10. Baixos, trânsito na ida e na volta. Demoramos mais de 4hs pra ir e pra voltar... Considerando que fomos sábado e voltamos domingo, isso foi hiper cansativo pra nós quatro. E alguns momentos em que ficou difícil eu e papai darmos conta de você e sua irmã fora da rotina e do ambiente de vocês. O que rendeu alguns episódios de chororô e irritação, que sempre desgasta um pouco. Mas, oh, o saldo foi positivo. E eu me senti uma mãe e uma mulher muito amada.





Mas o que me trouxe aqui foi o hotel mesmo. É que para a nossa surpresa - e total golpe de sorte - o local era a hospedagem mais adaptada que já fui. A começar pelo quarto que nos colocaram. Além de enorme - o que te deu até a chance de ficar pra lá e pra cá de andador - tinha uma hidro também gigante e um box com uma espécie de banco de mármore para tomar banho sentado. A parte externa era muito bem servida de rampas e as portas bem largas. Tinha acesso para cadeirantes até para a sauna. O restaurante também era muito espaçoso.

Por sinal, a comida - alemã - uma delícia! E o melhor de tudo no friozinho: uma piscina térmica nota 1 milhão!

Foi muito rápido, mas como já conhecemos e adoramos Mauá, já sabíamos o que fazer e onde ir.

E o que eu quero falar aqui é que vale à pena. É difícil, mas vale à pena. Eu tô tentando dar esse incentivo porque imagino que muitas mães de crianças especiais acabam ficando com preguiça - totalmente compreensível - de se aventurar muito. A locomoção é mais difícil, nunca dá pra saber exatamente o que vamos encontrar, enfrentar olhares novos, tirar a criança do lugar que está todo preparado pra ela e levar pra condições desconhecidas... Enfim.

Se viajar com criança é algo complexo pra qualquer um, imagina pra uma família especial! Mas bora arregaçar as mangas! É muito bom sentir e mostrar o cheiro do mato ou novos cheiros; sair da rotina pode ser bacana e até uma chance de descobrirmos coisas diferentes em relação aos nossos filhos. Eu descobri que Antonio fica muito melhor no frio, por exemplo. Se cansa menos. Anda bem mais no andador, diminuem as brotoejas e ele dorme mais fácil.

Filhote, a gente ainda vai pegar muita estrada! beijo grande da mamãe.

entrada para a sauna

rampas por todo lado
varandinha fofa


piscina externa

LINDA!






parquinho com casa na árvore

verde!





piscina coberta e térmica

Adicionar legenda




no café da manhã




Serviço:
Hotel Buhler - http://www.hotelbuhler.com.br