Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Devagar, devagarinho

E aos poucos estamos retomando nossa rotina de atividades, filhote. Antes até do que estava previsto, mas ainda devagar para que você possa ir voltando ao ritmo de antes, que era praticamente o de um mini-executivo.

Mas, olha, hoje de manhã fizemos algo inédito. Duas sessões seguidas de terapias diferentes. Mamãe nunca tinha tentado isso antes porque, no início, você era muito pequenininho mesmo e não aguentaria o tranco de 2h, 2h30 seguidas de esforço. Ficaria cansado, com sono, irritado... Depois, você virou aí esse menino grande, mas acho agora que muito por conta da nutrição desadequada, eu ainda não ficava segura de que você era capaz de aguentar um tempo maior de exercícios.

Só que hoje aguentou. E bem! Foi tudo meio de repente. Depois daquele dia em que a tia Eliane veio aqui, combinei com ela que tentaríamos voltar já ao consultório por causa da estrutura suspensa que balança que ela tem lá e que tanto já te fez bem. Principalmente, no período em que você era um bebê mega desorganizado. Como você está de novo apresentando bastante desorganização, nada mais sensato do que voltarmos a usufruir do que a gente já sabe que funciona, certo?

E assim fomos nós cedinho para Vila Isabel, de carona com o papai e com a tia Janete à tira colo, para uma digna sessão de fisioterapia, com tudo o que temos direito: balanço; brinquedos novos recém-chegados do Canadá, que a chique da tia Eliane trouxe; faixa azul para proteger bem a sua sonda; papai e mamãe filmando e tirando fotos e a tia Tina, nossa fono que atende na sala ao lado chegando no final para fazer uma bagunca. Foi ótimo. Você realmente se organiza muito com o movimento e se interessou pra caramba por tudo o que a tia Eliane te mostrou. Em especial por uma bola toda 'furada' de borracha molinha, fácil de pegar e que você não queria largar por nada.

Muito bem. Missão cumprida. Pelo menos, a primeira parte dela. Porque logo emendamos na segunda com ela mesma: a tia Tina! Nossa fono, companheira de guerra.

Bom, não posso dizer que na sessão de fono você foi assim uma Brastemp, mas... também não fez feio para a primeira vez pós-cirurgia e depois de tanto tempo afastado. O que acontece é que a coisa continua bastante difícil pra você, principalmente, em momentos de estresse ou de expectativa. Você ainda briga muito, se estica, reclama, não é algo que você faça brincando, por exemplo, como acontece na fisioterapia. Te incomoda. Porque é difícil, porque você fica com medo, porque ainda temos mesmo muito o que conquistar nessa área oral. Pelo menos, agora podemos focar só nisso: nos ganhos que temos pela frente, no treinamento, em te oferecer comida buscando uma relação prazerosa.

Mamãe ainda fica bem tensa e nervosa com medo de você engasgar e aflita com o seu 'sofrimento'. Mas a essa altura do campeonato eu já confio muito na tia Tina e sei que tudo o que ela está tentando e fazendo com você é com o maior carinho do mundo. Acredito piamente, porque ela já me deu várias provas disso, de que ela quer o seu bem, o seu sucesso, do fundo do coração. Mas mãe é mãe e é realmente complicado ter uma espécie de sangue frio para deixar que os filhos aprendam com as suas dificuldades. Ou as superem ainda que na marra, como é mais o caso aqui.

O foco do seu problema, discutimos hoje, está na hora da deglutição. Porque a mastigação está bonitinha! Ganhou muita qualidade desde os primórdios. O aceitar ou se interessar pela comida também progrediu. Você abre a boquinha, busca com a mãozinha, pede e olha com curiosidade e vontade para tudo o que a gente está comendo. Mas na hora de fazer a coisa descer é que são elas... Você se enrola, a comida fica presa ali perto da garganta e aí você se apavora, trava e entra num padrão péssimo de não conseguir coordenar a respiração com o engolir. Enfim... Temos que trabalhar aí. E muito.

Mas vai melhorar, meu amor. Até porque todas as suas dificuldades estão interligadas. A dificuldade de deglutição tem a ver com o pouco controle de cabeça e pescoço que, por sua vez, tem a ver com a falta de tronco etc, etc, etc. Mas onde quero chegar? Que a medida que algo for melhorando, o tronco, por exemplo, o resto todo vai subindo um degrauzinho também. E lembre-se que estamos entrando numa nova era, em que você vai ganhar muito em termos de força e energia por causa do equilíbrio do seu peso. Quem sabe já já você não ganha algo em termos motores por causa dessa ajudinha nutricional?! Estamos esperançosos.

Até lá a gente segue na luta. Sempre. Mas com muita alegria, muito carinho das tias e muito, muito, muito, muito amor da mamãe.

beijo peteteco. Te amo.













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2 comentários:

  1. Querida Adriana,
    acredito que nossos pequenos chegarão depressa andando devagar, bem devagarinho...e que alegria é vê-los ganhar qualquer coisinha...chorei de alegria quando a Helena abriu a mãozinha direita que teimava em permanecer fechada. O Antônio Pedro ainda mostrará que devagar se vai longe...muito longe...
    bjos

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  2. Olá, menino grande! A vovó adorou te ver no balanço da tia Eliane de novo, ficou toda prosa e com os olhos cheios d'agua de tanta alegria. É como ressurgir dessa fase meio obscura em que a gente não tinha muita noção de tempo no sentido de retomar a nossa vidinha normal. E do jeito que vc está ficando forte, meu lindão, logo, logo vai recuperar o tempo perdido e progredir com muito mais rapidez. É isso aí, vamo que vamo, como a gente sempre fez. Bj grande nessas bochechas gostosas que voltaram a aparecer.

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