Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



terça-feira, 11 de junho de 2013

Segunda Etapa na Escola

"- Não consigo entender a resposta dele."
"- Mas como é que você está perguntando?"


Filho, hoje mamãe quer falar sobre como andam as coisas na escola.

Bom, no geral, está tudo indo bem. Mas acho que esse período inicial serviu principalmente para adaptação. Adaptação ao ambiente, às pessoas da escola, à mediadora, aos seus amiguinhos, à rotina, à nossa vida pós-colégio cheia de terapias... Enfim, foi um tempo para inserirmos o colégio em nossas vidas e nós na vida deles.

Feito isso, está na hora de darmos um segundo passo. O que estou querendo dizer? Bom, estou falando que agora que já conhecemos tudo e todos e todo mundo já te acolheu - de uma forma maravilhosa, é importante frisar - é o momento de te apresentarmos mais profundamente. De fazer com que as suas professoras, principalmente, te vejam, te entendem e - TE COMPREENDAM - mais. Porque por mais que a escola seja um ótimo lugar para socialização e estimulação, você também está lá para aprender. Como todos os outros alunos.

Tarefa simples? Não. Pois se para nós, que te conhecemos desde sempre, ainda é complicado achar maneiras e estratégias eficazes de comunicação, imagina pra quem tá chegando agora?!

Mas... temos uma tia Miryam Pelosi em nossas vidas e ela faz toda diferença. Em nossos atendimentos contínuos com certeza, mas ainda mais quando faz interferências pontuais. Semana passada ela foi lá na escola conversar com as suas professoras e foi tudo de bom. Porque ela consegue falar sobre qualquer coisa da forma mais clara e educada possível. Assim, nada fica por dizer e ninguém fica melindrado.

No seu caso, o foco principal foi justamente nessa questão de como saber se você está entendendo o que se passa na sala e se está absorvendo o conteúdo. Elas, compreensivelmente, estavam - estão - com dificuldade para obter respostas suas.

E foi pra isso que a tia Miryam foi lá. Pra tentar falar pra elas como fazemos nos atendimentos e como você tem dado essas respostas. E foi daí que surgiu o diálogo lá de cima. Tia Miryam tentou explicar que pra que você consiga responder é muito importante que quem esteja falando com você saiba perguntar.

Deixa a mamãe explicar: obviamente não adianta perguntar coisas muito complexas ou subjetivas demais para pessoas que não conseguem se comunicar verbalmente. Ou seja, é preciso tornar essa pergunta o mais objetiva possível. E quanto mais transposta para o concreto melhor. O que é transportar para o concreto? É tornar a coisa visual ou tátil, além de falada. Por fim, é preciso trabalhar com escolhas. Sempre. Pergunta da professora: "Ah, então é tudo multipla-escolha?" Sim, é por aí.

Exemplo: Se eu quero saber qual bicho você mais gosta, eu pergunto: Antonio você gosta mais de cachorro ou de gato? E mostro uma figura de cada. Sempre dando opções já inseridas na pergunta. Essas figuras podem estar numa mesa, na minha mão, no seu comunicador, no chão... O importante é que estejam numa posição em que dê para você olhar e eu ver você olhando. Porque você dá as respostas muito rápido e sempre primeiro olhando para elas. De uns tempos pra cá, tem inclusive usado uma estratégia mais consistente que é olhar para a figura escolhida e depois olhar pra quem te perguntou. Como quem diz: é essa aqui, fulano. Num segundo momento, você tenta levar o braço pra pegar a figura escolhida. Mas é importante não perder essa resposta inicial porque se não você fica irritado. O que acontece é que enquanto você tenta levar o braço, já vamos conversando e te dizendo que entendemos o que você respondeu.

Perguntas em que a resposta seja sim ou não também já acontecem. E o que você tem usado para responder é sorriso para sim e beicinho para não. Mas nem sempre funciona. Acho que porque às vezes você não compreende muito bem o que estamos perguntando. Uma coisa que usamos bastante é uma espécie de indicativo. Assim: Antonio, se você quiser ficar mais um pouco no pula-sapinho, dá um sorriso. E funciona! muito bem. Há horas em que você está abrindo o berreiro e quando eu falo isso, você dá lá um sorriso amarelo que seja, para mostrar o que quer.


Ou seja, que você entende coisa pra caramba está mais do que provado. Nossos esforços têm sido mesmo pra te ajudar a demonstrar isso. E o maior desafio é 'ensinar' e provar a terceiros a sua capacidade.

Peguei o pato!
Mas estamos no caminho. Com a tia Miryam na liderança. Confia em mim, filho. Estamos bem. Agora é preciso paciência e torcer para que a boa vontade já demonstrada por todos na escola continue também nessa segunda etapa. E que um esforço verdadeiro para te compreender aconteça. Tudo indica que a coisa vai nessa direção. Tia Aline, tia Lizandra e cia gostam bastante de você e se mostraram bem interessadas em ajudar nesse processo lindo de aprendizagem especial. Acho que ganhamos mais parceiros na nossa luta.

No mais, é a mamãe aqui ficar em cima de todos os envolvidos para que a coisa ande e flua. Esse é meu papel. Cuidar para não deixar essa vontade ir embora. Como eu posso fazer isso? Estando em contato direto sempre, cobrando numa boa as promessas feitas como o adiantamento de atividades semanal para a mediadora, enviando vídeos seus mostrando como nos comunicamos em casa... É isso. Falando, mostrando, criando, intercedendo...

Exemplo filmado abaixo de como a tia Miryam obtem boas respostas suas:

video

Por fim, não poderíamos deixar de colocar aqui o link para o tal projeto muito bacana do nosso amigo Daniel. Um pedacinho já saiu do forno. Tomara que vingue e se transforme num documentário lindo e que ajude a mudar o cenário da educação especial no Brasil.

Com vocês, uma prévia de "Educar para Incluir":
Educar para Incluir

Um comentário:

  1. Me emocionei com o vídeo Adriana. Quisera em Deus que meu filhote (PC desde que nasceu e agora com sindrome de west) de 5 meses consiga chegar a ir numa escola....Deus abençõe

    Francis Ribeiro (Macaé-RJ)

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