Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Menos é Mais

Oi, meu amor. Mamãe hoje vai falar de uma coisa que, na marra, ela aprendeu ser muito importante. E, mais uma vez, gostaria de poder dizer isso mais especificamente a todas as mães de pacotinhos especiais como você.

É o seguinte, quando a gente se depara com uma situação inesperada como foi o seu caso, tudo o que queremos é sair correndo contra o tempo para poder fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Esquecemos de grana, mandamos as nossas necessidades para escanteio e ficamos cegamente concentrados em fazer o melhor, ou o que achamos que será melhor, para ajudar na recuperação do que há de mais sagrado em nossas vidas, nossos filhos.

Foi o que aconteceu conosco. Depois do choque inicial, começamos a apostar corrida com o relógio e fomos atrás dos melhores especialistas para nos auxiliar com o seu quadro. Assim, o tio Jofre foi inserido permanentemente em nossas vidas como seu pediatra, também pós-UTI. E foi por ele, e também por indicação do dindo, que chegamos a sua neuro, a tia Laís. Dela, para a tia Bárbara, sua primeira fisioterapeuta. Voltamos para a fono que te atendeu na UTI, a tia Tina. Daí em diante, para a tia Suzane, que passou a ser nossa amada T.O. Mais pra frente, paramos no Jockey, na escolinha Equitar, onde começamos a equoterapia. Conseguimos uma consulta na Rede Sarah, para ouvir novas e outras opiniões. Recentemente, incluimos uma nova tia, a tia Eliane, outra fisio, só que com uma mega estrutura que balança. E mamãe já estava com a natação na fila, só esperando o tempo esquentar. Fora a acupuntura, que eu vivia pesquisando pra ver se achava alguém que faça em bebês.

Ufa... Só de escrever já cansa, não é verdade, pacote?

Pois é. Esse é o ponto. Mamãe, no ímpeto de fazer o melhor, pode ter te prejudicado. Sabe a tal hiperexcitabilidade? Então, ninguém me tira da cabeça agora que ela pode estar sendo causada por estresse. Cansaço mesmo. Mamãe tava exigindo demais de você... Condiz certinho. À medida que fui inserindo mais compromissos pra você, os tais sustos e espasmos foram aumentando. Agora isso é tão claro... Tô com um nó na garganta, filho. E por mais que me digam que a culpa não é minha, que é assim mesmo, que a situação é muito difícil, que demora até nos adaptarmos, que os ajustes vão sendo feitos com o passar do tempo e que eu estou dando tudo de mim pra você, já chorei muito sozinha, com raiva por não ter visto isso antes. E ainda por cima, por achar que, no fundo, talvez eu até soubesse, mas forcei a barra porque quero que você se recupere logo. Como se eu tivesse pensado mais em mim, no meu sofrimento, do que em você. Desculpa. Do fundo do coração, meu amor, me perdoa.

Foi um click. Depois desse fim de semana em que você foi apenas um bebê, olhei pra você e no ato entendi o quanto isso é necessário. O quanto isso te faz feliz. E o quanto ficar feliz te faz bem. E me faz bem também. Porque o estresse e o cansaço também atingem à mamãe. E faz, inclusive, com que eu fique menos disposta para o nosso dia-a-dia.

E aí, Antonio Pedro, reformulamos a sua agenda. Pelo menos, isso a sua mãe tem de bom. Eu ajo rápido. Ainda que esteja puta da vida com a minha falta de sensibilidade anterior, minha praticidade permanente continua sendo uma qualidade.

Apartir de hoje, você só faz fisioterapia com a tia Eliane, porque você ama ficar balançando pra lá e pra cá e ela esperta aproveita pra fazer os exercícios ali em cima da estrutura que balança mesmo; e mais uma vez com a T.O., a Tia Suzane, que eu e você amamos de paixão aquele parque de diversões que é o consultório dela.

É isso aí, filhote. Trabalho agora, só com prazer. Malhação divertida é o nosso lema. E, importante, sempre no horário da manhã para assim termos uma rotininha de gente normal e não aquela coisa doida de cada dia um troço num horário. Assim, a gente acorda 6h30, toma suas vitaminas, vai malhar, volta, dorme, acorda para papar, brincamos um pouquinho em casa, depois a gente vai passear e brincar com os amiguinhos da pracinha, dorme de novo, acorda pra jantar, toma banho, espera o papai pra brincar e contar o nosso dia pra ele, depois a gente mama e mimi.

Tá bom? Mamãe jura que aprendeu que esse é mais um caso em que menos, às vezes, é mais. Tenho certeza que vamos ganhar mais tranquilidade, mais qualidade e mais convívio consciente. Teremos mais tempo, eu e você, só para nós dois.

E, com o tempo, a gente vai trocando, vai voltando pra uma coisa, pra outra... No verãozão, quem sabe, entramos numa natação e damos um tempo em outra coisa. Mais pra frente, quando você já reconhecer os animais, a gente tenta de novo o cavalinho... E assim vamos indo. Um passo de cada vez para que você consiga dar passadas maiores e mais seguras.

Tá dado o recado para quem, por acaso, se deparar com esse blog um dia e estiver vivendo uma situação parecida. Talvez, se alguém tivesse me dito antes, eu não teria deixado que a minha ansiedade vencesse minha sensibilidade.

beijo pra você, meu amor, meu experimento, minha vida.
Mamãe

domingo, 29 de agosto de 2010

Sol, Pinguim e Água Fresca

Filhote, nosso fim de semana foi sensacional. A começar pelo tempo que esquentou e está na medida; passando pelo seu ótimo humor, digno de neném relaxadão; até o inusitado de um pinguim cruzar o nosso caminho.

Bom, neste momento você está desmaiado com o seu pai e mamãe aqui está caindo pelas tabelas. Então, vou apenas ir citando nossa agenda e colocando ao lado as fotos que comprovam mais e mais o fato de que você é o bebê mais fotogênico do mundo!

Vamos lá, sexta-feira, papai chegou mais cedo do trabalho e demos uma volta até o Forte São João. O bacana foi que você, geralmente avesso ao seu carrinho, passeou quietinho admirando a paisagem.




Chegando lá, conseguimos pegar o pôr-do-sol e a luz te favoreceu muitíssimo. Olha só:







Sábado foi dia de ver o dindo. Ele veio nos visitar, depois de velejar com o papai, e fomos todos para a mureta do Bar Urca.



E foi lá que um pinguim de repente surgiu nos braços de um pescador. O coitadinho foi parar na Baia de Guanabara, vê se pode!?


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À noite, a gente jantou no tio Luiz e viu todo o povo que a gente adora do Terra Extrema. É impressionante como todos tem um carinho enorme por você... Infelizmente, não temos fotos dessa parte. E domingão, começamos com um café da manhã na casa do tio Antonio e da tia Andrea, que acabaram de voltar dos Estados Unidos com malas cheias de coisa para a priminha que vem aí. E depois ainda pegamos uma piscina!



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Pacotinho, você tinha acordado às 8 da manhã e já eram 3 da tarde... mas, mesmo sem dormir e sem mamar há um tempão, dá uma olhada no seu humor:





E, enfim, depois de muita farra - você é um neném muito passeador, como diz a tia Margareth -, meu anjinho dormiu. Descansa, meu amor. Você merece. Só quero te dizer que mamãe está muito, muito feliz por ver você assim, tranquilo, feliz e alegre. Você não imagina a paz que isso me traz. beijo da mamãe.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Smile

Filhote, mamãe já devia ter falado sobre isso, mas não tinha me dado o click antes. Até que mais um comentário casual, desta vez na pracinha, me fez ver que o assunto merecia um post.

Seguinte, pacotinho, você ri pelas tabelas. Até de gol contra, como o ditado popular. E eu, sinceramente, apesar de adorar suas risadas, não sei mesmo de quem você puxou tremenda simpatia. De mim é que não foi. Sua mãe, decididamente, não é a pessoa mais risonha do mundo, ainda que depois que você passou a existir na minha vida eu abra bem mais sorrisos que antigamente, como vive lembrando sua avó. Mas estou longe de ser considerada simpática, digamos assim. Pelo menos não de cara. Pra você ter uma ideia, meus próprios familiares me chamavam de bruxinha quando eu era criança. Depois não sabem porque eu fiquei assim... Bom, mas é verdade, mamãe é meio desconfiada da vida. É muito difícil eu dar um sorriso fácil a troco de nada. A não ser que o 'nada' envolva você.

Seu pai já não. Ele é uma pessoa bem mais fácil de se lidar, bem mais otimista e até bem mais palhaço, ainda que haja muitas ressalvas em relação a suas piadas, do que a mamãe. Mas ainda assim não dá para chamá-lo de risonho. Até por conta das muitas preocupações profissionais que ele carrega diariamente nas costas. Seu papai é um homem de muitas responsabilidades, pacotinho. Desde muito cedo. E isso endureceu um pouco o sorriso dele. Aliás, esse é outro que ficou bem mais aparentemente feliz depois que você veio ao mundo.

Enfim, sua simpatia é única, pessoal e intransferível. Com ela, vêm seu incrível olhar meigo e doce, como bem comentaram aqui - um comentário de uma desconhecida, mas que fez mamãe bem feliz -; e todo esse seu carisma impressionante. Como pode um ser tão pequenininho já ser capaz de emanar tamanha energia? Não sei. Mas é exatamente isso o que você faz. Emana, transborda, espalha alegria, doçura e felicidade. Pra nós, que estamos bem pertinho e somos privilegiados e pra quem quer que seja, já que sua distribuição de sorrisos é totalmente livre de cor, raça, idade ou gênero. É muito difícil alguém brincar com você e não ganhar um sorriso. Às vezes, nem isso. Você dá. De graça.

Seu pai outro dia mesmo, depois de mais uma situação em que alguém disse que você era lindo, falou que era muito mais que isso. Que a sua beleza parecia vir de dentro. Algo forte que você, por enquanto, nos transmite através do olhar. Fico imaginando o que está por vir... O quanto você ainda se mostrará belo.

beijo, meu amor. Mamãe te ama mais que tudo, tudo, tudo no mundo.



ps: pra quem está acompanhando, laudo oficial do eletro: totalmente normal.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O que você vai ser...

...quando crescer, filhote?

Há um tempo qua mamãe queria escrever sobre isso. Mas entramos numa fase meio agitada aí nesses últimos dias e os posts acabaram sendo mais hardcores... Mas agora que estamos mais relaxados, simbora falar de coisas mais leves!? Estamos precisados, né não?

Então, um tempinho atrás fomos à formatura da nossa prima Teté. Prima da mamãe de 1º grau e sua de 2º. Foi lá na PUC, mesma faculdade que a mamãe frequentou e em Comunicação, mesma área da mamãe. Aí, lá com você nos braços, foi inevitável não voltar um pouquinho no tempo para a época da minha formatura e, depois, pensar adiante, no futuro, tentando especular como será a sua.

Seu pai sonha em te ver como velejador. Bem naquele estilo de pai que quer que o filho realize o sonho dele próprio, sabe? Não tenho nada contra. Já disse que você tem a maior pinta de rico, com esse ar aí de neném lindo e loiro que faz o maior sucesso no Iate Clube. Pergunta só pro tio Bruno e pra tia Thalita.













Ainda na linha dos esportes, você também poderia ser surfista, apesar dessa pele branquinha aí ter tudo para se dar mal com o sol... Mas seu padrinho mora em Ipanema e sua madrinha já fez umas aulas e é super metida à rata de praia.










Se você quiser ser mergulhador, esses dias e mais dias de Thera Tog estarão servindo como treino para vestir aquela roupa desconfortável...









Seu potencial para jockey também deve ser grande, já que o coitado começou a montar um cavalo com 7 meses de idade...









Tu gosta de "falar" pra caramba. Não vou me adimirar se você também acabar seguindo os passos da mamãe e da prima e virar comunicador. Quem sabe jornalista gastronômico, daqueles que tem que provar tudo quanto é coisa. Você é bom de boca à beça, pacotinho. Não recusa quase nada...








Ou chef...








Ou veterinário, já que adora brincar com os animais.








...jogador de futebol. Será? Se puxar ao papai, vai ser difícil.











De repente, segue o ramo da construção civil pra ajudar a família...









Ou, por fim, MODELO! Vai ser fotogênico assim lá em casa!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mioclonia

Senta que lá vem informação... Pacotinho, é impressionante a quantidade de aprendizado por que mamãe tem passado nesses últimos meses. É tanta coisa nova e técnica que eu poderia virar médica depois se quisesse. Aliás, tô achando que será um disperdício não fazer algo com essa nova enciclopédia humana em que venho me transformando. Não é à toa que estou considerando fortemente a possibilidade de fazer faculdade de terapia ocupacional. É, existe. Também achei que era uma especialização de medicina ou fisioterapia, mas não. Há um curso completo de 4 anos só de T.O. E, apesar do seu papai, não estar levando a mínima fé nessa minha vontade, eu estou cada vez mais inclinada a tentar mesmo fazer uma prova no fim do ano para entrar lá no Fundão. Só para jogar na cara dele... Mentira. Essa é a antiga Adriana. A atual quer fazer por vontade própria. Para aprender mais coisas ainda que sejam úteis no dia-a-dia com você e também, por que não, para ajudar outras criancinhas no futuro. Por enquanto, é só uma ideia. Mas, se eu me conheço, não vai demorar a se tornar realidade.

Agora, vamos lá, ao assunto em pauta: Mioclonia.

Mioclonia são contrações repentinas, incontroláveis e involuntárias de um ou mais músculos do corpo. Em outras palavras, espasmos. Eu achei que qualquer tipo de mioclonia estava correlacionada a convulsões, ainda que bem pequenininhas. Mas não. Descobri hoje, via tio Jofre, que Mioclonia é um sintoma de várias coisas, entre elas, crises convulsivas e epilepsia. Mas essas pequenas sacudidas também podem ser resultado, por exemplo, de uma hiperexcitabilidade ou hipersensibilidade ao toque e/ou ao som. O que mamãe já tinha comentado aqui que parecia ser o seu caso.

E adivinha?! Tudo indica que é! Esse ponto de exclamação nem tem muito sentido porque isso não é exatamente uma coisa boa, mas diante de outras possibilidades e da tal desconfiança de ser de origem convulsiva, que caracterizaria uma epilepsia, eu tô achando ótimo...

Continuando só para não deixar incompleto, esses espasmos mioclônicos podem ocorrer uma vez só ou em sequência, com ou sem um padrão determinado, ou seja, com movimentos parecidos ou diferentes. O soluço, por exemplo, é uma contração seguida de um relaxamento do músculo. Outro exemplo é a mioclonia noturna. Aqueles sobressaltos que às vezes temos quando estamos dormindo ou sonhando que caímos de algum lugar... Em casos mais extremos, o excesso de espasmos mioclônicos pode distorcer muito certos movimentos e limitar capacidades motoras como comer, falar ou caminhar.

Outras causas de mioclonia são reação a uma infecção, lesão cerebral ou na medula espinhal, tumores cerebrais, falha renal ou hepática, além de envenenamento químico ou por drogas. Os movimentos mioclônicos também podem ocorrer em pacientes com Esclerose Múltipla, Mal de Parkinson e Mal de Alzheimer. E como já dito, é bem comum em pessoas com Epilepsia, transtorno em que a atividade cerebral se altera, causando convulsões. E por aí vai... Bem ao estilo neurológico de tudo pode ser.

Mas voltando aqui ao nosso caso em questão, ainda não fomos à tia Laís e o laudo do eletro só sai na semana que vem, como eu havia falado. Mas consegui falar hoje com a tal médica que realizou o exame e ela disse que o traçado está normal, limpinho. Sem nenhum foco indicando motivo para convulsões. Ponto pra mamãe!

Só que ainda precisamos investigar e ficar de olho em você, pacotinho. Aliás, faremos isso ainda por um bom tempo... Mesmo que seus espasmos sejam a tal hiperexcitabilidade temos que ficar monitorando para ver se diminuem com o tempo à medida que você for ganhando mais tônus e confiança e consciência corporal. Não se toma remédio nesse caso, mas é preciso alguns cuidados para tentar evitar o desencadeamento, como não te colocar em posições em que você fica claramente inseguro. Teremos que ir devagar, sentindo seu tempo e sua aceitação para as coisas. É que por mais que não sejam convulsões, ninguém sabe ao certo o dano que esses espasmos podem vir a causar.

Enfim, como eles, os médicos, dizem, você é um bebê de risco. O que isso significa? Significa que você ainda pode apresentar (ou não!) uma penca de coisas devido aos insultos neonatais que você teve. Seus insultos neonatais foram a asfixia e as duas convulsões no período de internação na UTI. Enfim, existem sequelas que podem aparecer com o tempo. Por isso, é tão importante prestarmos atenção sim em cada espirro que você der e que por ventura pareça estranho por qualquer motivozinho, por mais banal que possa parecer. Quanto mais cedo pegarmos o que quer que seja, melhor. Mais chances de cura ou de controle. Por isso, no fundo, agradeço a sua junta médica dedicada que quer o seu bem e está bastante empenhada na sua recuperação. Talvez eles não tenham o amor que a mamãe tem, mas não posso dizer o mesmo em relação à dedicação. Meu obrigada sincero a todos eles...

E vamos em frente!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Baby Einstein

Oi meu menino maluquinho... Acabamos de chegar do seu eletro. Não, mamãe ainda não sabe o resultado. Mas estou bem mais calma. Acho que porque o exame em si já passou e não vivi nem de longe o terror que foi o dia da ressonância.

Primeiro porque, inacreditavelmente, eu consegui fazer você dormir minutos antes e você permaneceu assim até o fim do exame. Vale dizer que o pessoal do Quinta D'Or é bem melhor do que o das outras clínicas onde já fizemos outros procedimentos. As enfermeiras e médicas são uns amores e me deixaram ficar com você no colo para que não acordasse. Explicando: o eletro só pode ser feito durante o sono e na maioria das vezes é preciso de sedação. O que me causa arrepios na espinha... Por isso, tanto empenho em manter você dormindo por você mesmo. A coitada da enfermeira fez ginástica olímpica para conseguir prender todos os eletrôdos com você estatelado em cima da mamãe, mas ela merece nota dez! Ela, mamãe e você.

Foi cronometrado. Você abriu o olho no minuto exato do fim do exame. Incrível. São nessas horas que me pego achando que deve mesmo existir anjos e forças superiores acima de nós...

Você tava tão engraçado quando acordou, filhote. Com o cabelo todo melecado e desgrenhado. Parecendo um bebê maluquinho, mesmo. Meu pequeno Einstein. Merecia uma foto...

A médica tirou todas as minhas dúvidas sobre as infinitas possibilidades e me prometeu que me diria algo até amanhã. O laudo mesmo só na semana que vem. Mas seja lá o que for, haja o que houver, mamãe está preparada. Se tiver mesmo alguma coisa aí em curto-circuito, bom mesmo que a gente descubra logo e trate. Há remédio, aliás, várias opções de remédios para isso. E todo mundo foi bem taxativo dizendo que quanto mais cedo for descoberto, melhor. O tratamento precoce costuma ser muito eficaz.

Mas, calma. Ainda não sabemos se há mesmo algo mais do que sustos mais exasperados, devido há uma hipersensibilidade e flutuação de tônus. O que condiziria perfeitamente com o seu quadro. O problema é que apesar de na maioria das vezes a mamãe conseguir identificar uma causa para a sua reação assustada, tenho que admitir que em alguns momentos fico na dúvida se não acontece do nada, sem razão aparente. Por isso que talvez eu acredite que haja mesmo alguma coisa.

Mas não interessa. Você continua sendo meu pacotinho lindo, cheiroso e gostoso. E mamãe estará sempre a seu lado, cuidando do que for preciso. O que importa é que você continua com a sua cara ótima, seus sorrisos a torto e a direito e uma aura fortíssima de quem diz: aqui há um bebê feliz. É isso o que me dá forças pra continuar lutando com e por você. Dia a dia. Seu olhar é de quem quer viver. E ser feliz.

Jeito

Jeito. Tá aí uma coisa que a sua mãe nunca teve e tá sentindo na pele a falta que faz... Pois é, filho, quem diria que um dia eu dependeria do tato alheio. Logo eu que nunca me importei muito em ser cuidadosa com as pessoas e seus sentimentos. Não por querer, que fique registrado. E sim por pura falta de jeito mesmo. Mamãe já magoou muita gente devido a essa lacuna do fino trato. E hoje estou aqui, ainda abalada com uma situação um pouco inesperada. Com essa mudança toda que deu-se na sua querida mãe desde que você nasceu, fiquei indiscutivelmente mais sensível e agora estou sofrendo as consequências.

Mas achei importante deixar algumas coisas aqui para outras mães em situação parecida com a minha que por ventura cheguem a esse blog um dia.

Bom, o negócio é o seguinte, é que depois de um tempo lidando com toda a junta médica que acompanha o caso de uma criança que precisa de cuidados e tratamento especial, os médicos acabam fatalmente achando que você é mais um da turma deles. O dia-a-dia, as conversas francas, enfim, o convívio, termina por derrubar de certa forma a barreira profissional e sem querer alguns perdem a preocupação com o que e como devem falar as coisas para nós, reles mostais. Caem-se os panos e hipóteses, diagnósticos e prognósticos passam a ser discutidos abertamente. Sinto isso hoje com todos os médicos e terapeutas que te acompanham.

Por um lado isso é bom, pois acabamos nos sentindo realmente à par de tudo, sem aquela sensação comum de que estão escondendo algo de você. Mas por outro é aterrorizante já que volta e meia alguém solta uma ou outra hípótese que se transforma em agonia profunda até que se chegue realmente a alguma conclusão.

Por causa disso, vivo sempre angustiada com o que pode ser que você esteja apresentando, pacotinho. Até porque tudo nessa área neurológica é muito incerto. Tudo pode acontecer. São milhares de possibilidades e, no fundo, ninguém sabe que bicho vai dar. Mas nem por isso, eles deixam de especular. Aí, qualquer espirro diferente pode ser desde um simples espirro até um sintoma de uma síndrome raríssima.

Não sei ainda como lidar com isso, com essa tal angustia. E nem sei dizer se preferia que eles me incluissem fora dessa. Acho que não. No fundo, prefiro a verdade nua e crua. Mas o fato é que de tempos em tempos, mamãe vive uma nova preocupação à respeito do seu quadro. No momento, são uns certos 'sustos' exagerados que você sempre teve desde novinho e que agora está se desconfiando serem pequenos espasmos, algo como choques causados por impulsos nervosos quando eles passam pela área lesionada, micro convulsões.

Não sei direito ainda no que isso implica, até porque não há certeza de nada. Marcamos um eletro para os próximos dias e só então saberemos de mais alguma coisa. De qualquer forma, é assustador ficar em pânico de novo. Não me sentia assim desde a época que antecedeu a sua ressonância.

Enfim, o que me deixou chateada foi como aconteceu o levantamento de mais essa hipótese. Estávamos numa de suas consultas quando, de repente, o terapeuta em questão fez uma cara preocupada quando você fez lá o tal do susto, espasmo, o que for... e numa voz tensa me disse para falar com a sua neuro urgente. Tudo bem, acho ótimo que estejam de olho. Que bom que se preocupam. Dou a maior força para investigarmos o que for preciso. Mas já tava sendo um dia tão ruim... Estávamos tão cansados. Aí, a coisa abalou muito a mamãe aqui...

É que para eles, filhote, você é apenas mais um caso, assunto de estudo. Mas pra mim, você é tudo. É a nova razão da minha existência.

Bom, mas como diz seu pai, a errada sou eu. Não deveria mais me surpreender e sim aprender a escutar com ouvidos seletivos e continuar firme e forte nas minhas convicções e no que eu acho, baseado no meu convívio com você, que é infinitamente maior do que o de quem te vê uma vez por semana. Médica ou não, muitas vezes a mamãe acha que sabe muito mais de você do que qualquer um. E, para mim, você está bem. Tomara. Rezemos. Por que não...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Declaração de Independência

Filhote, mamãe tá com muito pouco tempo pra vir aqui escrever no seu blog. É que você tem sido mais do que nunca meu carrapatinho. Não me larga de jeito nenhum. É tudo com a mamãe. Aí, quase nunca consigo uns minutinhos pra sentar aqui no computador com os braços livres...

Mas, apesar desse grude total, quero falar aqui do início da sua independência.

É que enfim descobrimos uma posição ou uma situação, como queiram, em que você consegue ficar livre, leve e solto.

Devido a seus problemas de equilíbrio e ao fato de você ainda não engatinhar, era raro te deixarmos 'on your own'. Tinham sempre mãos atentas prontas para te escorar sejam da mamãe, da vovó ou do papai. Estávamos sempre de olho vivo em você.

Mas... a tia Suzane, santa tia Suzane, nos emprestou um rolo que saiu melhor que a encomenda, pacotinho. Você amou o troço. Ele te dá exatamente o apoio que você ainda não tem pra conseguir ficar de quatro apoios. E com esse seu maravilhoso controle de perna, pronto, deu-se a independência! Você fica dando impulsos com a perninha e sai pegando o que quer lá na frente. Mamãe fez um video pra mostrar. É tão bonitinho...

Estou nas nuvens com essa sua/nossa conquista. Você não tem ideia de como é bom te ver feliz por poder controlar o próprio corpo. E é só o começo, hein! beijo na ponta do nariz.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Parto Normal?

Oh, filhote, fui reler aí no post abaixo o que escrevi e parei numa parte que me deixou triste por um momento. Eu disse que o dia em que você nasceu foi o pior da minha vida. Ainda que dentro de todo o contexto seja totalmente explicável, doeu fazer essa associação agora...

Desculpa, tá, meu amor... É claro que isso não pode ser verdade. Digamos que tenha sido o dia mais difícil da minha vida, justamente por ficar tão preocupada com o que ali a minha frente, totalmente indefeso e claramente em apuros, já mostrou que seria a coisa mais importante do meu novo mundo que começava naquele momento.

Dito isso, vamos em frente. Tenho que dizer que fiquei, não surpresa, mas admirada com o ibope da carta à obstetra. Tinha um montão de gente, com nó na gaganta junto com a mamãe, filho. Que bom que afrouxamos um pouquinho a angustia desse povo todo que também te adora. Um beijo pros familiares, pros amigos e para os desconhecidos, que mesmo não fazendo parte da nossa vida, tão aí, na nossa torcida unida que jamais será vencida.


Bom, hoje, mamãe vai falar um pouquinho de novo sobre parto. É que acho importante eu deixar aqui nesse grande outdoor que é a internet um pouco da minha experiência com o parto normal.

Primeiro de tudo, às que morrem de medo pela dor que ele pode representar, um aviso: vocês estão direcionando a preocupação para o ponto errado. O parto normal, da perspectiva de dor, não é esse bicho de sete cabeças. Ok, há mulheres com mais facilidade que outras, há quem tome anestesia e quem faça mesmo ao natural... mas nenhuma pontinha de incômodo que possa ocorrer, chega perto da dor que é quando dá algo errado.

E é aí que eu quero chegar. Bom, claramente, eu fiquei traumatizada. Mas minha intenção não é levantar a bandeira de PARTO NORMAL NÃO. E sim tentar fazer com que quem ainda não passou por isso e é totalmente inexperiente como eu era tenha a oportunidade de estar mais atenta para o grande dia.

A primeira coisa é: mais do que confiar na equipe que estará lá na hora H, se informe bastante sobre ela. Geralmente, a gente se prende à obstetra e deixa tudo na mão dela. Meu conselho é: procure saber direitinho quem faz parte do resto do time: anestesista, auxiliar e pediatra. Conheça-os, se possível. E pegue os telefones deles! Porque, se acontece algo como no meu caso da médica só resolver ligar pro povo depois de um tempo, você mesmo já pode ter deixado o pessoal de sobreaviso. Ou, pelo menos, cobre da obstetra esse stand by geral. Veja-a avisando a todo mundo que você já entrou em trabalho de parto.

A segunda coisa, se isso fosse possível, seria: não tenha filho de madrugada! Tudo é muito pior nesse horário. Do atendimento da Perinatal, top de linha hein..., a percalços como alguém demorar a ser encontrado. Como não podemos dizer aos nossos babies quando nascer, pelo menos quando a decisão é esperar pelo rompimento da bolsa, a dica é tentar deixar o máximo de coisas já prontas e não perder nem um tiquinho de tempo para a ida ao hospital. Há coisas, por exemplo, como um pré-cadastro que você faz com antecedência no site da maternidade que facilita bastante quando você chega pra dar entrada no hospital. Essa história de que pode se vestir com calma, tomar banho etc que ainda tem tempo, não vale de madrugada! Esses minutos gastos em casa podem fazer diferença mais tarde.

Encher a paciência do/a seu médico com todas as perguntas que vierem a sua cabeça durante o pré-natal também é importante. Não seja como eu, que tem uma dificuldade imensa de falar, por às vezes achar que é bobeira. Nada que diga respeito a esse assunto é bobeira. Falo isso porque, mesmo que eu não saiba muito bem que informações eu deixei de receber exatamente, me senti muito traída depois de tudo.

Traída porque me decidi pelo parto normal só por não ter nada contra ele, à priori. Cansei de repetir durante toda a gravidez que não tinha preferência explícita nem por um, nem por outro. Mas que, se algo indicasse que uma cesária era melhor, não pensaria duas vezes em optar pela cirurgia. Tudo bem que não havia nada errado comigo, nem com você, pacotinho, e que tudo indicava um parto normal sem complicações. A dilatação da mamãe se comportou bem, você estava encaixadinho, a bolsa estourou, as contrações também estavam monitoradas e tal... Só que eu não sabia na época o que significava um parto normal em matéria de riscos. É nesse ponto que me senti apunhalada. Talvez, se eu soubesse de tudo o que eu sei hoje, minha decisão seria diferente ou, pelo menos, minha atenção seria infinitamente maior.

O que eu sei hoje? Bom, o que sei hoje é que apesar de ser uma cirurgia, o ambiente de uma cesária se caracteriza por riscos mais controlados. Sabe-se melhor o que, quando e onde algo pode dar problema. Num parto normal, o risco é algo como um elemento surpresa. Ele pode vir de onde menos se espera, justamente por lidar com o curso da natureza. Nada é programado. Onde eu quero chegar? Quero dizer que o nível de alerta de todos os presentes precisa estar lá lá lá lá no alto. O que, na minha opinião, não aconteceu com a gente, filhote.

Em suma, não sou contra parto normal. Só a favor de tratá-lo com a devida responsabilidade. O que acho que está existindo, como a minha própria obstetra nova falou, é uma banalização do parto normal. Muita propaganda sobre seus benefícios, todos reais é verdade, mas pouco cuidado com a hora lá do vamos ver. Pra mim, o que ocorre é uma faca de dois gumes. Explicando: a cesária tornou-se tanto a preferência nacional da maioria das brasileiras, que os médicos perderam um pouco a prática do parto normal. E, agora, quando há uma espécie de campanha jogada aí no inconsciente coletivo para que se volte a fazer mais partos normais, nem todos os médicos estão preparados. Ou seja, ainda que em tese o parto normal seja 'melhor', acaba não sendo na realidade brasileira.

Antes de terminar, preciso ser justa e deixar registrado algo sobre os tais benefícios. É mesmo incrível como depois que a criança é cuspida, você volta a se sentir novinha em folha. Eu, mesmo no péssimo cenário instalado a minha volta, poderia sair andando da sala onde foi feito o parto, se eu quisesse. Duas horas depois, eu estava tomando banho sozinha no banheiro do hospital e, logo em seguida, subindo e descendo as escadas do meu quarto para a UTI inúmeras vezes. Tarefa repetida nos quatro dias em que fiquei lá e depois continuada numa rotina ainda mais pesada agora da minha casa para a UTI. Só senti dor uma noite quando o útero estava voltando para o lugar. E foi muito suportável. Por fim, voltei ao meu peso normal cerca de dois meses depois.

Fechando, para os que tem curiosidade em saber se eu teria coragem de fazer um parto normal de novo, provavelmente não. Pelo simples motivo de que, citando a minha nova obstetra mais uma vez que aliás se chama Isabella Tartari, o meu parto não foi normal. Não é normal uma mãe não ouvir o filho chorar assim que ele nasce; não é normal o pai não ir para o berçário acompanhando a criança; não é normal a família não poder ver o neném através do vidro; não é normal uma mãe ir embora para casa sem seu bebê nos braços.

Mas ainda tem tempo até eu ter que pensar efetivamente nisso de novo. Até lá, vou curtindo meu filhote lindo aqui. Que hoje chora pelos cotovelos; adora brincar com o papai e se mostrar pra família; e não sai dos meus braços.

beijo da mamãe, Antonio Pedro.

domingo, 8 de agosto de 2010

Carta à obstetra

Filho, todo mundo sempre pergunta à mamãe se eu não tenho vontade de confrontar a obstetra que fez seu parto. Atrás de respostas, pra falar o que eu penso, enfim... Tem muita gente, inclusive, que acha que deveríamos processar por erro médico. Mas como eu já disse aqui, nunca tive vontade de fazer isso. Primeiro, porque eu não tenho certeza se realmente a culpa foi dela e segundo porque acho que seria um sofrimento a mais pra nós todos e que muito provavelmente não daria em nada.

Bom, mas a verdade é que algumas questões continuavam entaladas aqui na garganta da mamãe. Sei lá, eu queria pelo menos que ela soubesse das consequências. Queria que ela soubesse do que temos passado. Não só para que ela se sinta mal, mas para que talvez seja mais alerta com futuros partos de outras mamães.

Mas a ideia de voltar a vê-la não me agradava. Não queria remexer em tantas lembranças angustiantes e também não achava coragem para encará-la. E acho que ia acabar não conseguindo falar direito tudo o que eu queria. Por isso, decidi neste fim de semana enviar um e-mail pra ela. E espero assim colocar um ponto final nessa questão do que afinal aconteceu no seu parto. Nunca vamos saber ao certo, filhote. Mas são águas passadas. Nosso caminho agora é em frente e avante.

beijo da mamãe.

Oi Dra. XXXXXXX,
é Adriana Villarinho, mãe do Antonio Pedro.

bom, estou escrevendo para te dar algum tipo de satisfação pelo meu 'sumiço'. Nunca mais voltei ao consultório e não vou voltar. Na verdade, é isso o que eu queria dizer.

Pensei bastante antes de tomar essa decisão e acabei chegando à conclusão de que vai ser melhor assim pra mim e acho que até pra você.

Eu poderia conversar pessoalmente, mas me expresso melhor escrevendo e confesso que não criei coragem. Parece um pouco coisa de criança, mas não consegui me sentir confortável pra te dizer olhando no olho. Talvez, eu esteja sendo injusta. Mas o fato é que não consigo pensar em você, sem lembrar do pior dia da minha vida. Ou melhor, sem remoer coisas que eu não queria mais remoer, mas que como ainda fazem parte da minha vida e transformaram totalmente a minha rotina, é inevitável não me pegar voltando atrás tentando entender o que houve de errado.

Bom, o fato é que a lesão do Antonio Pedro devido à asfixia acabou se mostrando grave e, apesar, de estarmos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para que ele se recupere totalmente, ainda é cedo para dizer se ele vai ou não ficar com alguma sequela e isso é a minha angusia eterna. Uma dor, uma preocupação que não passa, dia após dia.

Depois dos 24 dias internado na UTI, achamos que o pior já tinha passado. E tinha mesmo. Mas é que, mesmo sabendo das possibilidades, demos uma descansada porque até os três meses, ele estava realmente ótimo. Super esperto, saudável. Estávamos quase esquecendo daquele período fatídico da UTI.

Mas aí, a partir dos 4 meses, nós e todos que vinham o acompanhando - o Jofre que ficou sendo o pediatra; a Laís que passou a ser a neuropediatra dele e a Bárbara a fisioterapeurta que o via uma vez por mês para acompanhamento - começamos a desconfiar de atraso motor. Ele ainda estava muito molinho, sem direcionar os bracinhos para pegar coisas e tal. Foi decidido que ele faria uma ressonância e o resultado confirmou as suspeitas, mostrando que a lesão era mesmo na parte motora e grave. Graças a Deus, a parte cognitiva está preservada, o que melhora muito o prognóstico dele.

Desde então, nossa vida mudou completamente. E minha rotina virou de cabeça pra baixo. Entramos com fisioterapia duas vezes por semana, com uma terapeuta ocupacional mais uma vez, teve que entrar fono também porque ele estava com muita dificuldade de deglutição devido à questão motora e por último, começamos a equoterapia. E, todo o tempo que ficamos em casa com ele, fazemos exercícios e o máximo de estímulos possíveis. Ele tem melhorado muito. De 4 meses pra cá, a evolução é sensacional. Mas ainda está atrasado. Não senta sozinho, não se arrasta, não engatinha, o tronco ainda está sem sustentação e o equilíbio oscila bastante. Mas acreditamos muito na recuperação. Nós e todos os que estão envolvidos aqui na nossa luta diária.

Só que para isso, eu larguei tudo para me dedicar exclusivamente a ele. Parei de trabalhar porque ainda bem o Cesar está ralando noite e dia para dar conta dos custos que já tínhamos e mais os altos custos de todas essas coisas que estamos fazendo. Dou graças a Deus todos os dias por termos condições, ainda que apertados, de poder dar o melhor pra ele.

Mas nosso emocional está bastante desgastado. É muito difícil. Muito cansativo. Mas, enfim, estamos juntos e fortes nessa que se tornou nossa missão.

Mas são nesses momentos mais difíceis que me pego pensando um pouco amargurada no porquê de tudo isso estar acontecendo. E, por mais que eu já tenha aceitado que talvez isso tivesse que acontecer, que servirá pra nos ensinar muita coisa, não consigo deixar de lembrar do dia do parto e de como tive alguns momentos de total insegurança. Fiquei muito assustada quando você não conseguiu achar o pediatra na 1ª vez que ligou. Fiquei nervosa por achar que você estava nervosa. Não entendi porque não deu tempo de ir para a sala de parto. Não sai da minha cabeça uma espécie de pressão, ou vácuo, sei lá que eu já estava sentindo lá embaixo e deu ter avisado e não ter começado logo a fazer força, não me sai da cabeça também a pessoa da Perinatal que estava na sala dizendo que não poderia começar o parto sem pediatra e que então ela iria chamar o pediatra da casa... quando ele saiu e foi colocado no meu colo, eu logo falei que ele estava estranho, perguntei se ele não tinha que chorar e me disseram pra ter calma, porque ele ainda estava molinho...

enfim, Dra., ninguém conseguiu me explicar o que aconteceu. Acontece. Acidentes acontecem. Ok, mas até hoje a cada médico ou terapeuta ou consulta nova que eu vou, ninguém entende como que com a minha gravidez sem nenhum problema, ele sem nenhum problema, o que houve de errado. Explico essa história e respondo perguntas até hoje, sem ninguém saber o que houve. Isso me angustia muito porque fatalmente me leva de volta aquele dia e não consigo deixar de achar que talvez o parto tivesse que ter começado antes, que aquela indecisão se espera ou não o pediatra foi crucial. É meu coração que pensa assim. Não consigo deixar isso se apagar.

E aí Dra., pra tentar não remoer mais e mais essas imagens na minha cabeça, decidi que quero tentar não ter mais contato com nada que me faça voltar a pensar assim. E acho de verdade que eu não conseguiria ter outro parto olhando para a mesma equipe. Acho que isso me deixaria muito abalada, insegura, com medo e acabaria atrapalhando tudo. E achei que talvez também não fosse bom pra você. Conversei muito com o Cesar e tomamos essa decisão. Não queremos de jeito nenhum contestar ou levar essa história a fundo pra tentar saber o que aconteceu. Mas também não queremos fingir que não temos dúvidas. Decidimos que vamos apenas olhar pra frente e investir no nosso filho, mais amado do que tudo no mundo.

Nos deseje sorte. E perdão se você não puder entender minha decisão.

tudo de bom,
Adriana

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Areia



Filhote, você é um neném muito chique, que só frequenta clube privê. Caiçaras, Iate Clube e Forte São João são alguns dos lugares que combinam perfeitamente com essa sua pinta de galã. Um bebê nórdico mesmo...

Bom, no mesmo fim de semana da farra na piscina aí embaixo, papai, mamãe e você curtiram um fim de tarde na praia do Forte. Mamãe estava louca pra saber como você se comportaria na areia. Primeiro porque eu adoro praia e gostaria muitíssimo que você compartilhasse desse hábito e segundo, e mais importante, porque areia faz bem para aquela história de integração sensorial.

E para a surpresa agradabilíssima de mamãe, você não se incomodou nem um pouquinho com os grãozinhos finos em suas mãos e seus pezinhos. Ponto pra você, filho! Isso significa que a sua aflição geral está mesmo diminuindo muito a ponto de quase não existir mais. E isso é uma ótima notícia, pacotinho. Sinal de progresso. Motivo de parabéns pra você.

Você realmente está evoluindo muito bem, Antonio Pedro. Esses últimos dois meses foram impressionantes. Cada vez mais você passa de um bebê totalmente irritadiço para um neném tranquilo, risonho toda vida, relaxado.

Acho que eu ainda não tinha falado aqui mais a fundo do seu quadro motor. Você tem o que chamam de atetose, causada pela lesão cerebral que mamãe tanto já falou aqui. Uma alternância entre hiper e hipotonia. Ou seja, uma espécie de descontrole de tônus muscular. Uma descordenação motora em grande escala que resulta em movimentos involuntários e às vezes em posições retorcidas. Ou seja, você tem bastante dificuldade para dominar seus movimentos. No seu caso, principalmente dos braços e do tronco.

Existem crianças que apresentam só hipotonia ou hipertonia. E, casos assim, são um pouco mais fáceis de se trabalhar, já que tem-se apenas que ganhar ou perder tônus. Já a nossa luta é um pouco mais árdua já que é preciso encontrar um equilíbrio aí entre essa alternância descontrolada. É como se você tivesse duas coisas opostas que precisam de tratamentos diferentes... Um neném bipolar. Ai, ai...

Bom, brincadeiras à parte, como seu tratamento tem sido muito bem-sucedido, você tem se apresentado mais hipo do que hiper. E, acredite, isso é ótimo! Mesmo que pareça às vezes que você regrediu por estar mais molenguinha ainda, na verdade é um ótimo sinal. Porque aí, a gente concentra no ganho de tônus, com você bem menos irritado, retesado e esticado. Assim, você aceita melhor os exercícios, presta mais atenção no que está fazendo, assimila melhor as posições, se diverte mais. Enfim, curte muito melhor nossos momentos de terapia.

Fora que pro dia a dia aqui da mamãe, esse novo neném calminho tem sido realmente uma benção. Você me dava cada canceira, filho... Não imagina as estripulias que eu tinha que fazer para te distrair. Não parava um minuto para poder chamar a sua atenção e fazer você esquecer que estava irritado. Meus quilos da gravidez foram todos embora assim.

Mas mamãe já está até engordando de novo, já que agora dá para darmos uma relaxada. Tá tão gostoso... Coisas como acordar com você de manhã e ficarmos um tempinho quietinhos vendo televisão; ou você já com soninho, deitadinho no meu colo calmo e tranquilo; a gente num restaurante e você no meu colo quieto brincado com alguma coisa a sua frente, deixando mamãe participar da conversa. Enfim, coisas impensáveis até poucos meses atrás.

amo você, filhote. cada vez mais. mamãe.

Tibum!

Filhote, domingo passamos um dia feliz no clube com a tia Paulinha e o tio Jander. E você a-m-o-u a piscina.



Não foi a primeira vez que te colocamos dentro d'água, mas foi a primeira vez que você gostou tanto e por tanto tempo. Tá até coradinho, tem que ver. Mais lindo ainda. Como se isso fosse possível...

O dia começou cedo. Você abriu o olhão às 5h15 da manhã! E aí, para a alegria da mamãe, papai tinha dormido com a gente essa noite e ficou com peninha da mamãe aqui que vinha acordando entre 5h e 6h a semana toda. Ele pegou você e saiu andando pela Urca para vocês verem o dia nascer. Na volta, trouxe até o café da manhã e levou na cama! Um lorde, o papai. Às vezes, ele faz essas coisas... Um dia te conto as muitas coisas e surpresas legais que ele já fez para mamãe. Não tem muitos como seu papai por aí. Mas não conta para ele não. Mamãe precisa manter a pose de durona.

Bom, acordados, comidos e mamados, fomos os três ao encontro do casal dos Anjos. É o sobrenome deles mesmo, filho. Tia Paula não gosta não. O nome é do tio Jander, um amigo do papai da faculdade que veio lá de Alagoas e tem mais um monte de irmãos com nomes bonitos iguais aos dele, todos devidamente iniciados pela letra 'J'. Mas é um amor de pessoa e te ama, pacotinho. Passa mal com você.

Chegamos de manhã cedo ainda lá no Caiçaras, com bóia, periquito e papagaio. E você se comportou tão bem, filho. Calminho, risonho, brincalhão, se esbaldou na água, brincou à beça com seus bichinhos de piscina, engoliu água... e mergulhou! Tão bonitinho. Mamãe filmou, óbvio. Tá lá embaixo.



Agora, já seu papai e sua mamãe não fizeram tão bonito que nem você. Papai começou o dia batendo de frente com uma sócia que tentava nadar tranquilamente em sua raia que ela achava ser segura. Tadinha, não conhecia seu pai... Já a mamãe foi ao banheiro e fez pipi numa mini privada, que depois descobri ser para as crianças. E, terminando, papai pediu um macarrão ao alho e óleo que veio bem sem graça e para 'melhorar', ele saiu pedindo tudo quanto é molho que havia no lugar: azeite, shoyo, ketchup, pimenta... Precisava ver a cara do gaçom.

Bem, depois dessa, a tia Paula achou melhor encerrar o dia, antes que ela fosse banida do local por nossa causa.

Beijo pra você e um também para os titios tão adorados pela família toda. Mas não dá para teminar sem dizer que o tio Bruno e a tia Thalita fazem muita falta. Esses são os outros dois que completam o antigo "Somos 6" e atual "Agora somos 6 e meio". tchau, meu amor. mamãe.
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