Não é de hoje que o assunto "sair da fralda" ronda a minha cabeça. Pensei nele em períodos distintos e nunca com muito empenho ou com muita certeza de que era possível ou de que seria a hora. Mas era uma coisa que volta e meia estava ali, "me cutucando".
Das primeiras vezes, o tema vinha nos meus pensamentos em forma de preocupação precoce. "Será que um dia o Antonio vai sair da fralda?", "Quando?", "Como?". Acho que até por essa angustia, eu acabava deixando pra lá, escorada na 'desculpa' de que ainda era cedo pra pensar nisso.
Bom, o tempo foi passando e você foi crescendo. Mas, muito também por ter sido meu primeiro filho, eu não tinha experiência nesse quesito e nem muita noção de em que idade isso acontecia normalmente, nem de como era o processo, no que tínhamos que reparar, quais eram os sinais etc.
Hoje essa experiência existe em nossa casa. Porque sua irmã a está vivendo. E através da Marina eu estou aprendendo como a coisa acontece. Claro que com ela é mais fácil, pois a própria criança sinaliza verbalmente e mostra interesse motor em fazer xixi e cocô no penico ou no vaso. Mas existem outras variáveis pra se prestar atenção como o fato de checar por quanto tempo a fralda fica seca, pra ver se a criança já segura mais o xixi.
Enfim, o fato é que obviamente com a Marina saindo da fralda, voltei a pensar em como e se a gente consegue fazer o mesmo com você. Sem pressa, com expectativas e táticas diferentes, mas pegando carona aí no momento que pode nos ajudar.
Pode ajudar porque você acompanha, você a vê indo ao penico, você a escuta pedindo pra ir ao banheiro e vejo que isso chama sua atenção. Então, comecei a tentar fazer com que esse interesse, à princípio só curioso, passasse a ficar mais ativo. Comecei a falar com você sobre o assunto. A parabenizá-la na sua frente para despertar sua vontade de também ganhar os parabéns. Comprei cuecas de personagens que você gosta e ponho mesmo por cima da fralda.
Nada com muita regra e nem com muita pressão. Estou indo devagar. Quero "te apresentar" esse hábito e junto com você descobrir como e qual a melhor maneira de chegarmos ao fim da etapa.
A Marina está indo bem e rápido. A parceria da escola, no caso dela, ajuda. Não tenho isso com você. Ou ainda não sei ao certo como ter isso com você na escola. Porque a verdade é que ninguém está muito preparado para situações que fujam do normal, então, a coisa não acontece de lá pra cá. Pra funcionar, ou para ter chance de acontecer, o movimento tem que ser daqui pra lá. Mas nem os culpo porque realmente é complexo.
Então, na minha humilde opinião, cabe a mim tentar achar os seus caminhos e depois tentar contar com a colaboração de quem tem menos responsabilidade e conhecimento para desvendá-los. Se eles se tornarem parceiros a partir daí, já está de bom tamanho!
Agora, a história fica diferente quando envolve as terapeutas, a nossa equipe que cuida junto comigo da sua habilitação. Delas eu posso pedir e esperar mais. Por isso que converso com elas sempre sobre todas as minhas dúvidas, pulgas e questões em geral. Escuto muito, sugo o que posso e agradeço sempre.
Nessa coisa do banheiro eu fui pedir um help a tia Miryam Pelosi, nossa T.O. turbinada, responsável pelo trabalho de comunicação alternativa. Fui falar com ela para tentar achar a melhor forma de fazer com que você nos indique no futuro quando quer fazer xixi ou cocô.


Nem é algo específico para crianças especiais, mas é muito bem feito. É do mesmo fabricante daquela cadeirinha Bumbo, toda de borracha e anatômica. É isso, é um assento anatômico, muito confortável e que permite que, ao sentar, você afunde um pouquinho, o que quebra bastante o padrão de extensão e dá muito mais segurança.

Estreamos hoje! e você foi muito bem. Claramente gostou de ser levado ao banheiro e não reclamou nada de sentar no vaso com seu assento novo. Minha intenção era apenas te apresentar o assento e experimentá-lo em você. Mas não é que no tempo em que ficamos ali, rindo, brincando, falando a respeito, não saiu um xixizinho maroto?!
Fiquei muito feliz! Sei que ainda temos um caminho aí a trilhar e não faço ideia de quando conseguiremos atingir nossa meta 100%, mas está sendo um começo legal. Sem pressa, mas com bastante esperança. Avante!
Que bom Antonio!!! Vovó adorou ver vc td feliz com essa novidade em sua vida. Um bj bem grande querido.
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