Na verdade, eu queria voltar aos poucos, devagar, escrevendo de casa de novo, mas... acabou que apareceu uma oportunidade que achei que valia à pena tentar. A oportunidade foi cobrir férias por 3 semanas lá no antigo trabalho da mamãe. A princípio fiquei com medo, receosa, mas pensei, pensei, conversei com o papai, com a vovó... e decidi que valia encarar a experiência até como um teste. Um teste pra mim e pra você. Como é por um período limitado, fiquei menos tensa. Porque se não der certo, se for muito cedo ainda, a gente volta pra trás e eu esqueço por mais um tempo essa ideia de voltar ao batente.
Sabe, filho, as coisas na vida da mamãe sempre apareceram mais ou menos quando tinham que aparecer. E, desta vez, não foi diferente. Eu estava mesmo pensando em voltar a procurar alguma coisa, quando recebi a ligação com a proposta da cobertura de férias. Por isso, nem foi tão difícil assim topar. O que acabou enrolando mais é que junto, ou melhor, um pouco depois disso, também fui procurada para voltar a escrever de casa um programa que fiz na temporada passada. Esse trabalho eu já tinha até recusado no início do ano, mas acabou que eles estão precisando de mim de novo e me querem de volta, ainda que a coisa já esteja começada. Foi aí que eu tive que pensar bem para acabar não embananando tudo. No início, cogitei pegar as duas coisas ao mesmo tempo, depois pensei melhor e vou fazer uma coisa de cada vez.
É muito engraçado como virar mãe tem feito com que eu lide melhor com a minha ansiedade que vem de berço. Nunca fui boa para planejar coisas, principalmente, de trabalho. Não sabia dizer não. Sempre achava que dava para fazer tudo. Como resultado, acabei virando várias noites; passando períodos mega estressantes e extremamente cansada. Mas achava que virar as costas para qualquer coisa que aparecesse poderia me fechar portas mais tarde. Hoje eu simplesmente tive que dizer não. Nem passa pela minha cabeça te prejudicar por alguma decisão errada minha. Antes de mim, agora vem você. E tudo e qualquer coisa que eu venha a fazer daqui pra frente vai ser porque dá para conciliar com a sua existência na minha vida.
E assim estamos. Desde segunda-feira, experimentando uma rotina um pouco diferente. De manhã, mamãe continua sua fiel escudeira, te acompanhando nas terapias, dando mamá e te deixando quase dormindo nos braços da vovó. É nesta hora que eu parto láááááá pra Barra da Tijuca e a vovó e a Miriam assumem meu posto. Uma das minhas maiores preocupações era em relação à comida, como falei aqui no último post. Achei que você iria comer super mal porque só eu sabia te dar papá. Mas graças a todos os deuses culinários, você vem papando tudinho esses dias. E elas, danadas, ainda estão conseguindo inventar coisas como sobremesa! Coisa que você nunca tinha comido até então. Como tinha o peitão, era ele que você queria pós-papinha. Mas agora que ele fica à quilômetros de distância, você decidiu dar uma chance a outras possibilidades. A injestão de líquido é que ainda está bem precária e é o que ainda me preocupa mais. Porque agora nem peitão você bebe à tarde. Precisamos investir nisso. A turma toda está bem focada nessa missão: te fazer beber mais.
É isso. No geral, você tem ficado bem. Vovó conta que você não fica daquele jeito risonho toda vida, mas não tem dado tanto trabalho. Ela diz que é como se você passasse o dia meio desconfiado, meio procurando, mas não deixa de brincar, de ver seus desenhos... Você sabe que elas não são a mamãe, mas sabe também que estão ali pra cuidar de você e que fazem isso com muito carinho.
E quer saber? Ainda bem, Antonio Pedro. Acho que eu ia ficar passada se você não sinalizasse a minha falta. Porque eu, pacote, passo o dia inteirinho pensando em você. Mando mensagens, ligo, pergunto... meu coração fica apertado e eu mostro você pra todo mundo, nas fotos lindas que carrego comigo e que estão no meu computador. E, claro, lá também é unanimidade: você é a criança mais fotogênica, meiga e linda que existe. Um sucesso de público! E o melhor, filho, é chegar em casa e presenciar a sua felicidade instantânea ao me ver. É um sorriso tão verdadeiro, tão gostoso, tão cheio de vida... Acho que eu nunca me senti tão amada, tão necessária, tão importante.
Brigada, meu amor, por fazer eu me sentir assim. E brigada, vovó e Miriam, por cuidarem do meu pacote enquanto eu estou fora. Vocês estão sendo maravilhosas.