...não diria infeliz, mas dá pra dizer difícil.
É,
filho, você tem fases em que aceita mais as coisas pela boca, outras
menos, mas decididamente estamos bem longe de vislumbrar quando
ficaremos livres da gastro.
Aliás, tem tempo que não
falo de gastrostomia aqui. Não por nenhuma vergonha ou tabu, mas porque
ela realmente entrou na nossa rotina e é algo totalmente integrado a
nossas vidas. Às vezes, acho que até demais. No sentido em que nos
acomodamos um pouco.
Afinal, é tão fácil... quem tem
filho sem gastro e tem horror só de ouvir essa palavra, deve me achar
uma louca. Mas não sou não. É que tremo de medo até hoje ao lembrar dos
nossos dias antes da cirurgia em que você não comia absolutamente nada e
eu não tinha como te alimentar.
Hoje, você está não só
alimentado, mas super bem alimentado, todos os dias. E isso representou
e representa um ganho tão grande de tanta coisa, que não tenho como não
ser eternamente grata a essa solução possível para crianças que, como
você, não deram conta de comer sozinhas.
A questão da
comodidade acaba acontecendo mesmo, não tenho porque mentir, pura e
simplesmente porque temos tanto a fazer, tanto pra trabalhar, pra
estimular que fica meio sem sentido "perder" horas preciosas tentando
algo que ainda é muito sofrido e com uma qualidade muito precária.
O que é um paradoxo também, eu sei. Pois suas chances de melhora só virão com treino e mais treino de forma incansável.
Pode
ser. Mas eu ainda estou me dando esse luxo de deixar a coisa correr
meio frouxa para gastar nossas energias em outras coisas onde seus
progressos são visíveis e dignos de comemoração. E, olha, minha
estratégia não é assim tão doida porque como tudo está relacionado e
quanto mais você melhorar de forma global, o todo caminha na mesma
direção, se estivermos trabalhando com foco no seu cognitivo, por
exemplo, indiretamente estamos nos esforçando para um dia a gastro ir
embora.
Não é? Se você crescer cada vez mais esperto e
ganhar maturidade para entender melhor as coisas, acredito que chegará o
dia em que com muita conversa e um esforço seu de forma mais
consciente, a alimentação oral vai melhorar.
Mas não
tenho pressa. E acho que esse é meu pulo do gato para lidar tão bem com o
fato do meu filhote lindo ter um botton na barriga. Juro que nem penso
nisso. Em quando ou se você vai voltar a comer pela boca.
Veja
bem, não deixamos de frequentar uma fono - alô tia Marcia querida! - e
nem de estimular e oferecer coisas via oral sempre, mas não me importo
com quantidades e não forço a barra nunca. Pra falar francamente, o que
você ingere hoje são migalhas e pequenos goles. Mas já foram menos
migalhas do que conseguimos
atualmente. Ou seja, os progressos estão acontecendo. Só que esse é o
quesito mais lento e irregular da sua recuperação. Sem dúvida.
Mas
isso não impede de virmos aqui falar de coisas legais nessa área. E o
que quero falar hoje é que até nisso a escola tem sido super positiva na
sua vida. É que lá, claro, existe uma rotina da hora do lanche. E nesse
momento, você vê todos os seus amiguinhos comendo. E o que pude
perceber e a tia Sabrina me conta é que, assim, você se interessa mais
pelos alimentos. No geral, biscoitos. Que é o que tenho mandado na
merendeira porque é o que você come mais fácil e engasga menos. A tia
Sabrina falou até que acontece um troca-troca divertido em sala e um
monte de amiguinhos vai lá dar o lanche deles pra você provar.
Provar.
Essa é nossa palavra. Não estou preocupada se você vai comer
efetivamente. Mas faço questão que você experimente pedacinhos a todo
momento. Assim, acredito estar te apresentando - ou fazendo você não
esquecer - que existem gostos, cheiros, texturas... E isso já é uma
grande coisa!
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| adoro esse potinho de guardar biscoitos da Munchkin! é um ótimo exercício motor pra mão e sensorial tb porque a textura da tampa é meio gelatina. Essa mamadeira azul da Man tb é ótima pq a criança n precisa fazer força pra puxar o líquido. Ao virá-la, a água sai. |

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| Olha aí a sorridente tia Sabrina. |