E, ENFIM!, chegou a hora - ou melhor, achei uma hora - para falar do tópico Colégio.
Então,
vou começar dando uma pincelada rápida do início. Na verdade, isso que
estou chamando de 'início' dava muito bem um post enorme e bem
destacado. Mas... o tempo passou, meu coração aquietou-se e nosso lema
aqui sempre foi mais celebrar do que lamentar. Por outro lado, acho
importante deixar registrado a nossa dificuldade no momento da busca por
uma escola pra você. Afinal, se sempre ficarmos calados, aí mesmo é que
nada nunca vai mudar.
Pois bem, comecei a visitar
colégios próximos a nossa nova casa no meio do ano passado. E, olha
filho, não fui a poucos não. Nosso bairro atual é gigante e existem
muitas possibilidades. Existiriam. Mas a verdade é que das, sei lá, dez
escolas que fui, umas sete fecharam as portas discretamente - com a
desculpa de não haver vaga (nem para alunos normais, nas palavras delas.
o que, claro, era mentira); uma descaradamente disse 'não' a mim e a
você, na sua frente, num dos momentos mais difíceis da nossa caminhada
até aqui. (o que após muita revolta e conversa, me fez fazer uma
denúncia ao Ministério Público, que ainda não sei o desfecho); e duas -
só duas - se dispuseram a te receber.
Dando nome aos bois: algumas escolas que "não tinham vagas" -
CEI, Oficina da Criança, Carolina Patrício, SEC, Escola Parque.
A que te recusou esdruxulamente:
Marista São José, unidade Barra da Tijuca.
As que nos receberam muio melhor:
MOPI barra e
Anglo Americano, unidade Nova Ipanema.
E
o Oscar foi para... o Colégio Anglo Americano, unidade Nova Ipanema.
Bilingue, hein mocinho! Aliás, português, inglês e noções de Mandarim! Motivos principais: o turno de nossa preferência, o da manhã, e a proximidade da
nossa casa.
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| galã de uniforme novo. |
Bem, já tem quase um mês que você frequenta o coleginho e já dá para tecer alguns comentários.
O
primeiro de todos - e que quase ninguém tinha dúvidas - é: Sim! Você se
adaptou! E não foi nada difícil. No fundo, o período em que fiquei indo
junto foi muito mais para pensar e criar estratégias de posicionamento e
locomoção do que outra coisa.
Começamos na última semana
de janeiro. E, claro, como tudo na vida, esses primeiros dias foram mais
confusos. Ainda não tínhamos um 'plano' por assim dizer e tudo era
novo. Começamos então, dia após dia, um período de tentativa e erro. e
acertos!
Ah sim! Apresentemos logo a nossa grande, magnifica, incrível, anjo da guarda, excelentíssima tia Vivi!
A
tia Vivi é a sua mediadora ou facilitadora, como chamam. Mas a entrada
triunfal dela em nossas vidas foi coisa do divino. Sabe aquela coisa da
pessoa certa, na hora certa. Acho que nem na minha vida amorosa, os
astros foram tão cuidadosos. Rsrs. Sério, conhecemos a tia Vivi, por
acaso, no mesmo período em que eu buscava a escola. Ela cobriu férias do
seu fisioterapeuta respiratório e conversa vai, conversa vem, batemos o
martelo de CONTRADA!
A escolha da tia Vivi merece um
pouquinho mais de atenção porque envolve aspectos que pra mim fizeram
toda a diferenca. Pelo seguinte, normalmente as facilitadoras são
estudantes da área de pedagogia ou psicologia. Mas... no seu caso
específico, desde o princípio eu achava que quem tinha que ficar com
você pra ajudar na escola era uma fisioterapeuta. Porque seu calcanhar
de aquiles não é cognitivo e sim MOTOR!!!!!! Aí, na minha cabeça, fazia
muito mais sentido alguém que soubesse te posicionar e lidar com as suas
traquitanas, sem medo de te machucar etc do que uma pessoa para te
ajudar a absorver o que estivesse sendo ensinado em sala. Até porque
vamos combinar que nessa idade não é preciso muito mais que bom senso
para facilitar o aprendizado de formas e cores basicamente. Bom senso e,
claro, boa vontade. E isso a tia Vivi tem de sobra. Juntando com o
suporte e o acompanhamento externo com a tia Miryam Pelosi, sua T.O. de
comunicação alternativa, foi o casamento perfeito.



E
assim estamos: com a fisio tia Vivi usando e abusando do muque na escola
e a tia Miryam em contato com a escola e com a tia Vivi no que for
preciso na área pedagógica. Ainda está muito cedo para alguma conclusão
efetiva, mas estou muito satisfeita. E tranquila, que é o mais
importante. Há tempos, filho, que a mamãe dá muito mais ouvidos ao que
eu sinto que é necessário do que o que costuma ser feito. Essa
'inovacão', por exemplo, de colocar uma fisio como facilitadora é total
quebra de protocolo, muitos estranharam e disseram que eu teria
dificuldades, mas encarei e acertei. De novo. Repito isso aqui muitas
vezes não para me gabar, mas para tentar dar um incentivo às mães que
ainda são muito presas ao que os especialistas aconselham. Escuto e sei
da tamanha importância dos especialitas em nossas vidas, mas faz tempo
que eu me coloco num patamar igual ao deles na hora de decidir pelo
melhor pra você. Veja bem, não sou louca, nem irresponsável, mas brigo
pelo que sinto e acredito. E o que acontece muitas vezes é que até os
especialistas, no fim, acabam do nosso lado.
Voltando à
vaca fria, na primeira semana testamos muitas possibilidades e tivemos
algumas alegrias como um banho de mangueira no pula-sapinho!
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| pula-sapinho no parquinho. |
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| que nem pinto no lixo! |
Banho de Mangueira, é muito legal!!!
Em
sala, a solução colo da tia Vivi ou anti-derrapante no acento da
cadeirinha regular não estavam dando muito certo. Esse ponto foi
resolvido na segunda semana quando tiramos as rodas que havíamos
colocado na cadeira do Sarah e assim ela ficou na altura ideal para
entrar em baixo da mesinha de grupo. A cadeira do Sarah ficou ótima em
muitos sentidos. Tem estabilidade e te prende muito bem. Com as
adaptações de apoio de pé e de cabeça que fizeram lá pra gente na última
visita ao hospital está perfeita! Ponto pro Sarah tão mal falado por
aí, coitado... Essa cadeira fica na escola. É pesada, não daria para
ficar pra lá e pra cá. Mas o colégio não mostrou nenhum impecilho em
armazená-la lá. Todos os dias eles a colocam na sua sala antes de você
chegar. E em um dia que não havia a mesinha da altura certa na sala, a
própria professora mandou buscar e daquele dia em diante, nunca mais
saiu de lá.
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| no colo da tia Andressa, que já ganhou nota 10 em termos de interesse para aprender a te ajudar. |
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| Tia Vivi cuidando do posicionamento. |
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| na cadeira do Sarah. |
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| na cadeira que coube certinho em baixo da mesinha! |
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| Adicionar legenda |
Outra coisa legal de falar e que se não
fosse a tia Vivi, duvido que estaria funcionando, são as adaptações que
compramos e que vão todos os dias na mochila. A maioria da Expansão.
Adaptadores pra desenhar, pintar... tesoura, colão... A tia Vivi sabe
usar aqueles trecos melhor que a mamãe. E seus amigos ficam
curiosíssimos.
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| aula do Tio Rafa de educação física. |
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| de Juppy Baby |
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| e a coluna da tia Vivi sofre... |
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| aula de música. |
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Ok. Tudo isso até aqui está muito
legal. Mas nada se compara à terceira semana, quando seu andador chegou e
passamos a levá-lo para o colégio. Tudo mudou. É outra vida. Outra
qualidade de vida. Eu sabia que você ia amar o andador e que na escola
seria muito útil. Mas hoje posso dizer que o andador é o que faz você
amar ir pra escola. Andar ou o simples fato de estar de pé com os seus
amiguinhos te deu outra dimensão do que é socialização. E fez você ser
apresentado à palavra indepedência. Ainda que assistida.
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| Oi, amiga. |
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| tô chegando, amigo. |
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| me ajuda, tia Vivi. |
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| feliz. |
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| foto para emoldurar! Posicionamento espetacular! |
Hoje
temos uma rotina que eu não canso de viver de segunda a sexta. Chegamos
no colégio, tiro o andador da mala, coloco você lá, a gente espera um
pouquinho andando a tia Vivi chegar e depois você entra pela porta da
frente de andador e todo feliz. Dá uma olhadinha pra trás às vezes e
vai. E eu fico ali vendo você ir pra sua sala. Tem sido o momento mais
recompensador dos meus dias. E eu não me acostumo. Todo dia em que
vivemos isso é ainda pra mim como se fosse a primeira vez. Meu coração
se enche de uma mistura de orgulho, felicidade, alívio, esperança...
Estou muito feliz. O tipo da felicidade que desejaria para a paz no
mundo.
É isso. Queria deixar escrita a minha satisfação com a tia Vivi, com o colégio Anglo Americano - Binha, Thaís, Tia Aline, Tia Lizandra, tia Andressa muito obrigada - e com o andador! Que faz um super sucesso e uma mãe até já veio me falar que o filho chegou em casa outro dia dizendo que queria um carrinho igual ao do Antonio Pedro! E viva a inclusão! Ainda caminhando, com uma longa estrada pela frente? Sim. Mas se em todos os colégios existisse a vontade que encontramos, era meio caminho andado com certeza.