Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Já é Natal...

...nos shoppings e ruas da cidade... (leiam em ritmo da musiquinha da Leader, por favor)

Mas, então, Rio de Janeiro enfeitado, shoppings lotados e um monte de papais noéis (é assim?) por aí para tirar fotos com os pequenos.

Confesso que até o ano passado, eu queria passar longe desse tipo de programa. Tinha horror a shopping em dezembro e filas para ver o bom velhinho. Mas acho que é porque Antonio era muito pequeno e não entendia absolutamente nada do que estava se passando. Hoje...

Bem, hoje, com meu filhote esperteleco, virei uma mãe como todas as outras que fazem qualquer coisa por um sorriso de satisfação do filhote. É claro que você ainda não sabe exatamente o que significa o Natal e o Papai Noel, filho. Mas já tem o bastante para ficar feliz da vida com músicas, luzes e um cara fantasiado de vermelho e barba branca. E isso basta para a mamãe querer fazer com prazer os programas paraíbas de outrora.

Já fomos ao Rio Sul tirar foto com o Papai Noel de lá e hoje visitamos a Vila do Papai Noel no Jardim de Alah. Foi um passeio um pouco lamacento, por causa da chuva que caiu à tarde e deu uma alagada no local, mas deu pra curtir e tirar mais fotos. Desta vez, Antoninho não quis saber de sentar no colo do Papai Noel. Ficou vendo do alto. Mas curtiu um trenó que tinha do lado de fora. Nos acompanhando, nossa tia Carmen, a amiga Bebel e a mamãe Bruna.


Na casa do Papai Noel:


























Chamego com a tia Carmen, com a Bebel e com a tia Bruna:































Alegria, alegria...






E o pirulito que o Papai Noel deu e foi a salvação no táxi da volta...


Aliás, mamãe continua bem feliz com a sua recente empolgação com guloseimas. Além da nossa rotina que continua aqui em casa, com nossos pedacinhos diversos, você tem pedido coisa até na rua. Hoje mesmo lá na vila natalina foi bem engraçado. Mamãe estava faminta e foi comprar um salgado de peito de peru. Voltei comendo e tava conversando com a tia Bruna quando você, lá do colo da tia Carmen, começou a se agitar todo. A princípio não sabíamos o que era, mas logo descobri que você estava querendo a minha comida! Foi só te colocar no carrinho e começar a dar os pedacinhos que você se acalmou e engoliu todos que eu dei! Lindo de morrer! Com o pirulito também vivemos um momento poético por assim dizer. Mamãe tirou o papel e foi te oferecer. Aí, primeiro você abriu o bocão para morder que nem faz com a maioria das coisas e biscoitos. Mas aí te expliquei que pirulito era pra chupar e botei a minha língua pra fora, falando pra você: cadê o linguão? Você entendeu, botou a língua pra fora e passou a lamber o pirulito feliz da vida, sem parar.

E é isso. Estou longe de chegar ao profissionalismo da minha amiga Flavis, que cata o melhor programa natalino da cidade, onde quer que ele esteja - princesamalu.blogspot.com -, mas estou orgulhosa por ter passado para a banda das mamães que fazem tudo para ver um filho feliz.

Beijo, pitoco!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Corpo Fechado?

Filhotinho do meu coração, hoje fomos à piscina de novo! Desta vez, na da vovó Tella. A piscina era diferente, mas você se esbaldou igual. Não tirei fotos, droga. Aliás, merecia vídeos. Você não calou a boca 1 minuto. Tava muito feliz, dando gritinhos satisfeitos, nadando rumo à tartaruguinha que levamos pra brincar, de chamego com a mamãe... Enfim, uma alegria só. Queria eu que todos os dias fizesse o sol de hoje e que tivéssemos tempo sempre. Mas vou fazer força para irmos o máximo possível.

Só um porém que está me deixando um pouco apreensiva: o curativo que estamos usando para não entrar água na parte onde está o botton - Tegaderm - não está funcionando. Ele sai em determinado momento. E supostamente era pra ser super aderente e impermeável. Já encomendei um tamanho maior pra ver se resolve, mas sei não... O fato é que seu botão está tomando banho de imersão. Você não reclama, depois também não acontece nada, não parece que entra água lá, mas... sei lá. Eu preferia que o negócio ficasse mais protegido, principalmente, enquanto ainda está irritadinho nas bordas e vive lá o fatídico granuloma.

Bem, é isso. Ah, antes de falar o que vim dizer hoje, queremos dar uma beijoca especial na vovó Tella, que vem sofrendo na mão da mamãe que quer porque quer que ela pegue você no colo do modo mais perfeito do mundo. Vovó, nós te amamos e vamos nos acertar logo logo.

E agora, eu. É, daqui em diante o assunto gira em torno da mamãe. Bom, já comentei aqui algumas vezes que apesar de ser cada vez mais uma pessoa de fé, nunca fui ardorosamente religiosa. Isso até vem mudando um pouco desde que você nasceu, pitoco, mas ainda assim, minha simpatia continua pendendo mais para o lado energético do que propriamente crente. O que não significa que eu não possa ser uma pessoa espiritualizada. Pois eu mesma considero canalização de energia como um tipo de religião. Ou pelo menos uma maneira de tentar ficar em paz com nós mesmos.

Pois bem. Hoje fui afinal no tal terapeuta holístico - acho que é assim que ele se considera - indicado pela querida Flavis. E o causo é que não foi a primeira vez que uma pessoa diz pra mim de cara que eu sou muito fechada. E que para receber qualquer coisa, qualquer ajuda, energia, amor, harmonia, paz... eu preciso me abrir muito, preciso me despir de uma espécie de barreira para deixar entrar.

O engraçado é que de outras vezes, eu não dei muita bola, ia mais para o lado de achar o cara meio charlatão. Mas atualmente e com a minha vida como ela é hoje, me considero bem diferente da Adriana de outras épocas. Pra começar, hoje eu já consigo falar, externalizar bem mais do que poderia sonhar no passado. Porque além de fechada de espírito, certamente, eu era fechada de personalidade. Hoje, vide aqui o nosso blog, me exponho infinitamente mais. E até falando que, pra mim, continua sendo o jeito mais difícil de se abrir. Sempre preferi escrever, por exemplo, como faço aqui. Flui melhor.

Enfim, o 'encontro' transcorreu bem. Eu consegui explicar resumidamente o que vem me afligindo e ouvi algumas coisas que fazem sentido e que eu acredito. A principal delas, a de que tudo depende de nós, nunca de outros. Basicamente, se quisermos mesmo algo, o importante é acreditar, ainda que o universo pareça crer no contrário. Como se tivéssemos força até para mudar o destino, se ele existir. Tudo vai depender da quantidade de fé, amor e vontade de nossa parte. Me fez lembrar "Lua de Cristal", da Xuxa. Sério, sem brincadeira. Não estou gozando de jeito nenhum. Até porque acho que a Xuxa é uma pessoa totalmente dessa linha. Olho pra ela e vejo alguém que tem muita fé. Sempre achei isso. E não acho que a música seja apenas uma letra, acho que ela canta ou cantava aquilo com o coração.

O coração. Outro ponto importante. Ele falou muito de amor, o tempo todo. E não há nada que eu mais tenha vivenciado nesses últimos dois anos do que a pureza de se amar alguém infinitamente mais do que qualquer outra coisa. A gente passa a vida se apaixonando, se encantando e até amando outras pessoas, mas nada se compara ao que se sente quando temos um filho. Acho que é a única certeza que eu tenho, a de que eu vou amar meu pitoquinho para sempre. E, daqui a pouco, a minha pitoquinha também.

Beira o clichê, mas acho mesmo que é bem por aí. O amor move o mundo para o bem. Quanto mais amor houver, mais tudo entraria nos eixos, não tenho dúvidas. E isso, obviamente, pode ser replicado para o nosso universo menor, da nossa casa, por exemplo. Quanto mais reinar o amor, a harmonia, tudo correrá de maneira bem mais tranquila. Só que isso é um exercício. Não podemos esquecer de amar e nem deixar a coisa entrar no piloto automático, se não, não funciona. Não basta amar, temos que praticar o amor, assim como vamos à academia. De maneira totalmente consciente. Isso é o que entendi que seria 'mentalizar'. Mentalizar é se lembrar o tempo todo de que para se estar bem, é preciso um esforço pessoal e, se possível, coletivo para que a gente faça as escolhas certas. De palavras, de ações, de decisões, de sensações...

E, assim, eu tentarei fazer daqui em diante, até minha filhota nascer, principalmente. E depois também, talvez, com um pouco menos de apreensão. Para que a Marina se aquiete e fique bem onde está até a hora boa de nascer, mamãe fará um exercício diário de controle de ansiedade, de prestar atenção no que me faz bem e afastar ou minimizar o que possa fazer mal.

Voltando ao início, combinei que aceito fazer um trabalho de 'abertura' do meu espírito com o tal terapeuta. A ordem é deixar, se desarmar, receber e, claro, acreditar. O lema 'Eu acredito' acaba de juntar-se ao 'vai melhorar'. E confesso que estou me sentindo melhor. Ganhei uma massagem relaxante também e vou dormir mais leve. Um bom começo.



Tudo pode ser, se quiser será
O sonho sempre vem pra quem sonhar
Tudo pode ser, só basta acreditar
Tudo que tiver que ser, será

Tudo que eu fizer
Eu vou tentar melhor do que já fiz
Esteja o meu destino onde estiver
Eu vou buscar a sorte e ser feliz

Tudo que eu quiser
O cara lá de cima vai me dar
Me dar toda coragem que puder
Que não me falte forças pra lutar

Vamos com você
Nós somos invencíveis, pode crer
Todos somos um
E juntos não existe mal nenhum
Vamos com você
Nós somos invencíveis, pode crer
O sonho está no ar
O amor me faz cantar

Lua de cristal
Que me faz sonhar
Faz de mim estrela
Que eu já sei brilhar
Lua de cristal
Nova de paixão
Faz da minha vida
Cheia de emoção

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

São as águas...

...de dezembro mesmo, meu amor. Enfim, você se reencontrou com a água, uma das coisas que mais ama na vida.

Demorou, né, perereco?! A gente até já estava liberado, mas São Pedro não tava ajudando, a virose atrapalhou... e o tempo foi passando e nós adiando esse momento que eu tinha certeza que seria maravilhoso.

E foi! Domingão, já tínhamos ido tomar café na padaria da Urca, aí você estava bem cansado já, meio reclamão, mas mesmo assim insistimos no que havíamos programado. E, assim, mais ou menos ao meio-dia, quando o sol estaria mais quente e à pino, chegamos a uma cachoeirinha simpática que o seu papai descobriu da última vez que fomos à Floresta da Tijuca. Na mini-trilha até lá, você ainda choramingava, mas foi só ver a água que o seu humor mudou. Sim, só de ver! A ideia era apenas molhar os pezinhos, que ingenuidade a nossa... A coisa foi indo, indo, indo, você brincando, abaixando, andando serelepe, adorando agarrar a areia... terminou encharcado e teve que ir embora pelado, enrolado no seu paninho que, ainda bem!, mamãe levou até lá. Só recolocou a fralda e uma roupa seca no carro, vê se pode?!

















































E teve mais! Depois de almoçar e descansar bastante na casa da vovó Zita, ainda pegamos uma piscina de horário de verão, às sete da noite. Outra vez, claro, você curtiu à beça, mostrando que continua o velho Antonio Pedro, pelo menos, nesse quesito.





Mamãe ficou bem feliz e deu pra relaxar um pouquinho. No mais, estou tentando manter a cabeça sã e não ficar tão preocupada com a história lá da sua irmã. Acho até que estou melhorando. Tem umas coisas na fila a fazer como procurar uns profissionais hiper bem indicados por amigas, mas ainda não consegui tempo. Mas tá anotado na agenda. Um é de uma linha mais alternativa e zen que promete limpar a alma ou a aura. Outra é mais tradicional, mas com experiência em casos como o meu, de mamãe de pitocos mega, hiper, super especiais. Acho que pode me fazer bem. Tanto um, quanto a outra. Pretendo procurá-los antes do ano acabar.



E, por fim, hoje foi um dia um pouco mais casativo porque você entrou e saiu do carro um monte de vezes, tadinho... Entre os compromissos estiveram a avaliação com a tia Maria Clara para iniciarmos o medek in Rio, que você fez bem, apesar de ainda mostrar bastante insegurança em algumas posições, está nitidamente perdido quando tiramos sua estabilidade. Mas a ideia do medek é essa mesmo. Então, vão bora! E também fomos mais uma vez - essa foi a terceira - no tio Nicanor pra queimar seu granuloma indigesto. O bicho - parece um bicho nojento mesmo - não vai embora! A gente queima e ele renasce das trevas... Mas, desta vez, mamãe viu bem direitinho qual a marca do Nitrato de Prata que ele usa e já encomendei pra vir lá dos Estados Unidos com a generosa prima/tia Gisele. Brigada, tia Gi!!!

Aliás, essa é uma dica boa: comprar na Amazon e catar alguém pra trazer essas coisinhas pra gente. Só nessa leva da tia Gi virão curativos Tegaderm para ir à praia e piscina; pomada Stomahesive para cicatrização da borda; o tubo de Nitrato de Prata para queimar os malditos; e um aspirador nasal, chamado Nosefrida, dica da tia Flavis que, apesar de simples, parece ser sensacional e resolver muitos dos nossos problemas quando o catarro atacar novamente. É infinitamente mais eficiente do que esses daqui que são bojudinhos e não aspiram porcaria nenhuma...

E, oh, nossas encomendas virtuais prometem! Está pra chegar também um monte de coisas e brinquedos do site especialneeds.com que papai e mamãe escolheram minuciosamente pra você, filhote. No bolo do que virá de mais legal, estão os comunicadores que a tia Tina e a tia Suzane tanto falam. O Natal vai ser gordo! Depois mamãe posta fotos dessas coisas e nossas impressões.

Beijo!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Feedback

Oi pitoquinho, oi pitoquinha,

bom, sobre a Marinoca, mamãe deu um pulo hoje na médica por conta de uma dor de cabeça que me acompanha desde o início da semana, mas está tudo bem. Não é pressão alta, como o seu papai temia e sim uma enxaqueca, provavelmente de fundo nervoso. Pudera, né? Afinal, foi um susto que ainda estamos digerindo. Mas aproveitei para conversar mais com ela sobre a nossa 'situação'. E o que eu ouvi continua sendo basicamente para ter cautela, mas também não é nenhuma sangria desatada, nas palavras dela. Tô bebendo mais água do que em qualquer período da minha vida e descansando mais. E isso tem sido possível graças a sua colaboração, filhote. Tá ficando direitinho com as tias e a Miriam, sem fazer manha, papando quietinho na cadeirinha - sim, pela gastro, mas é que até pela gastro, muitas vezes precisamos te entreter muito para que você fique minimamente quieto -, tá brincando feliz, enfim, deixando a mamãe tranquila, sem achar que você precisa desesperadamente de mim. Só é engraçado quando eu apareço e aí você me olha e faz beicinho. Como quem diz: por que você não está comigo? Mas logo esquece e volta a brincar com a tropa.

Mas, então, vim aqui hoje mais para dar uma espécie de feedback desses quase dois meses pós-gastrostomia. Vamos lá:

- o primeiro ponto positivo é em relação ao término daquela angústia frequente pelo fato de ver você não comendo e ficando fraquinho. Não desejo pra ninguém aquela preocupação diária e horrorosa. Eu só pensava nisso, passava o dia calculando as parcas calorias que você ingeria e morria de aflição ao constatar que você não comia nem a metade do que precisava... Isso acabou! Mesmo nos dias da virose em que diminuímos muito o volume, eu não fiquei assim, porque sabia que você estava, pelo menos, hidratado. Naqueles tempos, tinha dias em que nem o líquido ingerido chegava perto do suficiente.

- a segunda coisa obviamente é o seu ganho de peso rápido. É incrível como a coisa dá resultado mesmo. Em um mês, você conseguiu voltar para a curva e, agora, com dois meses, mesmo tendo tido uma recaída porque ficou doente, já está nitidamente recuperado de novo. Ainda não pesamos outra vez, mas sua cara de saudável e as bochechas estão tinindo.

- a terceira alegria é a com que a gente mais contava: uma mudança considerável no seu tônus muscular. Antonio você está outro. Bem mais firme, durinho, forte mesmo. Impressionante como a fraqueza realmente piorava a sua hipotonia. Seu controle de cabeça melhorou muito, o apoio de braço está bem mais estável, o tronco mais firme, enfim, você todo está mais ativo. A palavra é essa mesmo porque você está, literalmente, ativando muito mais mísculos. A tia Suzane está encantada. E mamãe e papai muito orgulhosos!

- a quarta tem tudo a ver com a terceira. Ao passo que você ganhou mais força, também vieram coisas como mais atenção, mais disposição, mais falação, menos sono, menos necessidade de descansar... Enfim, serelepe total! Dá gosto de ver você o dia todo animado, feliz, querendo brincar sem hora pra terminar.

E é isso. Quanto aos pontos não muito positivos, pois não quero chamar de negativos, só ressalto a adaptação com a gastro e alguns pontos da sua funcionalidade que, às vezes, pode ser desagradável.

- Dentro da adaptação, entram as tais ânsias do início que me deram susto; o período da virose em que tivemos também que ter bastante cuidado com a ingestão de alimentos para você sentir menos desconforto possível; os cuidados com a cicatrização e o granuloma que ainda não está totalmente sarado...

- E no que chamo de funcionalidade, é só uma enrolação ou outra que ainda acontece eventualmente como a comida que não desce por algum motivo; o extensor que fica duro e menos maleável com o passar do tempo; dar comida na rua ou no carro, que não é muito prático; e alguns receios quanto à limpeza e esterelização dos apetrechos.

Mas, afirmo: os pontos altos compensam qualquer percalso.

Por fim, quero terminar celebrando o dia de hoje em que você petiscou mais do que nunca. De manhã, vários pedacinhos de queijinho e pãopão do sanduiche da mamãe, Miriam também falou que já havia dado do dela; à tarde, se esbaldou com o chocolate de Papai Noel que a mamãe trouxe da rua, comeu no colo da Miriam, pedindo mais, dando mordidas e mexendo os bracinhos nervosos para pegar. Foi quase a cabeça toda do bom velhinho; na hora do seu jantar, mais pedacinhos de pão e polenguinho, desta vez, que a mamãe estava lanchando e quando acabou, você até chorou!; e à noite, peito de peru e sorvete de creme na casa do tio Gennaro e da tia Bianca. Mas o melhor nisso tudo é que em todas as vezes era nítido o seu prazer de estar comendo e mastigando. Você queria mesmo aquilo. Não fez cara feia como antigamente e nem colocou muito pra fora, como de costume. Engoliu tudinho. E o interesse, como comentei, está sensacional. Você fica de olho em tudo o que comemos e faz questão de experimentar. Filho, você não tem noção de como isso tem me deixado feliz... Brigada mesmo.

Beijo nos dois!

Segurando o cabeção e bem durinho!


































quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

De Bunda pra Lua

Oi Antonio, oi Marina

Sim, hoje mamãe veio aqui falar com os dois. Por onde eu começo... Bem, ontem foi um dia um pouco tenso pra família aqui. Começou bem. Antoninho está realmente recuperado, super esperto, animadíssimo, voltou a dormir pouco durante o dia já que está cheio de energia... Enfim, meu filhote serelepe e sorridente está de volta. A preocupação agora é com a moçoila. É que numa ultra justamente para checar risco de prematuridade, apareceram lá algumas coisas para ascendermos sim um alerta.

Tudo começou com aquela história toda de que eu estaria fazendo muito esforço nesse fim de gravidez, as broncas do papai, meu cansaço excessivo desde a novela da sua cirurgia... Contando isso tudo para a minha obstetra, ela fez então esse pedido dessa ultra extra para dar uma olhada capiciosa na sua maninha aqui na barriga, filhote.

E ontem foi o dia. Sem mais delongas, o que acontece é que a placenta da mamãe começou a amadurecer um pouco antes da hora. E o líquido amniótico também está num volume um pouquinho abaixo do que deveria. Por quê? Bem, não dá para se afirmar nada, o próprio médico que fez o exame falou que isso pode acontecer simplesmente ou alguns fatores podem influenciar. Os fatores, no meu caso, seriam uma gravidez com a cabeça não muito tranquila e, por isso, uma série de descuidos. Como a minha médica disse, eu me comportei como se não estivesse grávida. Mas ambos falaram que a hora não é de se culpar e sim de tentar levar a gestação até, pelo menos, 38 semanas. Isso cai no dia 26 de janeiro. E as recomendações são: beber muita água - 4 litros por dia! - e descansar à medida do possível. Fora isso, faremos ultras de 2 em 2 semanas para monitorá-la. Mas você está bem, viu filhotinha. Todas as medidas normais, com 1kg300 já, batimentos ok, fluxo sanguíneo ok também. É só mesmo ficar de olho para que não comece a faltar nada pra você. E se faltar, tirar você daí um pouco antes do previsto. Mas isso não vai acontecer.

Se Deus quiser - e ele vai querer - vai dar tudo certo. Papai já falou que vai e está nos ajudando ainda mais. Principalmente à noite, na hora de dormir com você, Antonio. As tias, a Miriam, todo mundo enfia água na mamãe o tempo todo. Tem hora que há três garrafinhas na minha frente. E todos vêm checar se estou bebendo mesmo. Com esse time atencioso, é ou não é pra achar que tudo vai acabar bem?

Mas e esse título aí, mamãe? Eu explico: é que Marinoca está sentada. E dificilmente vai virar até o parto. Isso significa que terei que fazer uma cesária anyway. Achei engraçado porque a coisa de decidir pela cesária desta vez era sempre algo meio nebuloso. Eu sabia que faria, mas lá no fundo ficava com pena. Porque passei por um parto que, tirando o que deu errado com você, pra mim foi maravilhoso. Saí andando da cama onde você nasceu e subia e descia as escadas daquele hospital para ir te ver na UTI com a mão nas costas. Aí, ficava imaginando como estar bem assim fisicamente não seria conveniente outra vez, já que agora terei dois bebês em casa. Mas uma coisa que eu sempre pensava era: calma. Talvez, você nem tenha que tomar essa decisão. Talvez, a cesária não seja uma escolha sua e sim da vida. E olha aí?! Exatamente como eu pensei.

E isso de certa forma me trouxe uma paz interior tremenda. De novo, como se algo ou alguém já tivesse planos para nós e está cuidando para que tudo dê certo. Afinal, como eu já disse aqui, as coisas vêm acontecendo nas horas que sempre acabam se mostrando as certas. Mesmo o que acontece de ruim, depois acaba revelando um propósito. Sua virose, por exemplo, nos impediu de ir a São Paulo, onde passaríamos duas semanas fazendo intensivo de Medek. Hoje vejo como isso seria prematuro ainda pra você e um esforço desnecessário e até perigoso pra mim. Não teria feito essa tal ultra de checagem e estaria longe do papai, dos médicos, bebendo pouca água, sem estar muito ligada no descanso... Já pensou se acontecesse algo lá?

Por isso, considero que todos nós temos muita sorte. Não é à toa que Marina virá ao mundo de bunda pra lua!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Migalhinhas Contentes

Oi filhotinho,

bem, antes de mais nada, deixa a mamãe esclarecer uma coisa: acabou que o último post ficou uma coisa meio controversa. A intenção era 'pedir desculpas' pela minha falta de tato às vezes para falar com quem sofre pela falta de jeito com você e, no fim, acabou parecendo uma reclamação pública. Acho que fui me empolgando escrevendo e o negócio terminou meio confuso. Na verdade, o assunto é delicado e a tarefa é mesmo difícil. E é algo que nos acompanha desde sempre. Por isso, quero deixar claro que não escrevi pra ninguém especificamente. Foi mais um desabafo porque a realidade é que ainda que eu tenha a sorte de ter muita gente à disposição, nem sempre isso é suficiente. Simplesmente porque não consigo deixar de ir lá te acudir quando acho necessário. E isso acontece com uma certa frequência. Mas acredito que com o passar do tempo e à medida que você for ganhando mais independência vai melhorar. Pra mim e pra todo mundo. Não sei se estou falando de 1, 2, 3, 4, 5... anos, mas tenho fé que um dia você irá controlar melhor esse tronco e isso vai te abrir um mundo novo. Sonho com a visão de te ver brincando sentadinho sozinho. Já pensou? Aí será bem mais fácil pra quem quer que seja brincar junto com você.

Agora, virando o disco, quero falar de como nesses últimos dias tenho ficado feliz com a sua aceitação prazerosa de migalhas de comida. Sim, ainda são migalhas, literalmente. Mas o que está contando pra mim é o seu interesse. Todo dia quando eu estou comendo o meu sanduíche de café da manhã, você papa junto. Pede, levanta a cabeça, estica os bracinhos e abre a boca! Aí, eu vou, bem devagarinho, te dando micropedacinhos de pão e queijinho e você faz a sua parte: mastiga bonitinho. Ainda é difícil, muitas vezes volta, escorrega ou fica lá parado. Mas só a movimentação que você faz, já é uma felicidade! Sim, porque você é o primeiro a ficar feliz. Entende muito bem o quanto aquilo representa um desafio e nos deixa orgulhosos. Chega a dar gargalhadas de satisfação quando a gente te parabeniza.

E o que acontece é que, do café da manhã, já incluimos na rotina, migalhas de biscoito no carro; pedacinhos de picolé ou de pão de queijo na pracinha ou na sala de espera dos terapeutas; chocolate no fim de semana com o papai! E qualquer coisa que a gente esteja comendo e você se interesse. Ontem, foi o purê de batata do jantar da mamãe. Ainda é assim: a gente precisa estar comendo pra você se interessar, mas acho que já é um grande avanço. Não tomei coragem pra tentar de novo te sentar na cadeirinha com um pratinho de papinha à frente. Mas estou contente com o que estamos conseguindo.

E, por isso, você merece um enorme PARABENS pitoco! Mamãe está muito, muito, muito feliz. Obrigada.

Ah! Fomos a uma festinha no fim de semana e foi a primeira vez que você curtiu mais! Foi da Sofia.














e aí oh, com a boca suja de chocolate!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Mais um ditado popular...

Antonio, tem um ditado que diz assim: se quer bem-feito, faça você mesmo.

Bom, após transcrevê-lo, mamãe agora vai filosofar sobre ele em um aspecto específico de nossas vidas.

É que eu acho que eu sou muito dura com as pessoas que tentam ficar com você e não conseguem muito bem. Leia-se 'ficar' como te entreter com qualidade, te levar pro chão, te segurar corretamente e achar os apoios e as posições em que você se sente mais seguro e confortável.

Filho, não é uma tarefa fácil, eu sei. E dou graças a Deus por eu ter conseguido encontrar o jeito. Talvez por ser sua mãe, por ter a sua total confiança, por conviver com você 24hs por dia..., talvez, por isso tudo, para mim seja mais fácil. Mas, ainda assim, faço questão de não diminuir meu mérito. Sou a aluna mais atenta nas suas terapias. Não é à toa que sempre fiz questão de acompanhar desde o início a quase todas as sessões. Estudo em casa, leio muita coisa na internet, não canso nunca de testar e observar você e ainda mantenho o sonho de fazer outra faculdade para saber mais ainda tecnicamente.

Só que aí é que está. Por mais que a técnica ajude, na minha opinião, o feeling é o maior aliado nessa rotina. Saber te sentir, conhecer você, prever o que você quer, que movimento você fará a seguir... isso é o mais valioso. Coisa que, infelizmente, não se ensina.

Estou dizendo isso porque gasto bastante tempo tentando mostrar e falar como eu faço para as pessoas, mas, na maior parte das vezes, não é suficiente.

Existe muita resistência de um modo geral acho que pela responsabilidade de estar com você e, de repente, te causar algum dano ou te machucar. Outra coisa é que dependendo da pessoa a falta de prática diária é fatal. Gente que te vê de tempos em tempos decididamente são as que mais 'sofrem' para se adaptar a você e ao seu corpo mamulengão. E, por fim, tem as que te vêem com frequência mas acabam tendo algum tipo de limitação, seja física ou piscicológica. Pessoas de mais idade, obviamente, têm mais dificuldade de aguentar o pique que é fazer forças diversas para te acompanhar na sua incapacidade serelepe. Outras não têm paciência mesmo. Muitas têm preguiça e outras tantas simplesmente não se tocam que você é um moleque de 2 anos no corpo de uma criança de meses. E que isso gera uma ansiedade tamanha.

Como eu tenho essa consciência permanente, acabo sendo cruel e bastante dura, como falei, com quem está tentando ajudar. Juro que é sem querer. Sou eu na minha função mãe leoa que quer sempre o melhor pro filho. E aí, o que acaba acontecendo é que assim que eu vejo que estão te manuseando, pegando ou te tratando errado, passo a mão e te cato logo. Não há barriga de 8 meses, cansaço ou preguiça que me deixe olhar você desconfortável de longe, sem fazer nada. Mas vou tentar ser, pelo menos, mais delicada ao fazer isso...

O fato é que, Antonio, minha sensação é a de que se eu não colocar a mão na massa, você passaria os dias vendo televisão, no colo ou passeando no carrinho. Ok, essas coisas são boas também, não deixam de ser estímulos, mas você precisa e merece muito mais, meu amor. Você ama brincar, mesmo sem conseguir mexer em um brinquedo direito. Ama andar, sem se aguentar em pé. Brinca de pega, tropeçando nos próprios pés, já que depende de quem está te segurando. Enfim, você é totalmente dependente sim, pelo menos ainda. Mas essa gana de querer fazer não pode ser ignorada, não pode sumir, não merece ser desperdiçada de jeito nenhum.

Isso pode fazer com que eu fique exausta algumas vezes; pode tornar inútil ter um monte de gente pra ajudar, já que eu sempre me meto no meio; pode gerar discussões em casa por conta dessa minha dificuldade de delegar mais; pode magoar quem gosta muito da gente... Pode e faz todas essas coisas.

E é por isso que peço desculpas do fundo do coração a todos com quem eu sou chata, grossa, deselegante, insensível, impaciente... Mas enquanto meu filho precisar de mim pra fazer o que ele tem vontade da melhor maneira possível, eu estarei a postos. De algum jeito, pode ter certeza, que eu vou tirá-lo de quem for, para dar a ele o que eu, e talvez só eu mesmo..., sei que ele quer.

Espero que possam me entender e que, pelo menos de vez em quando, eu tenha a grata surpresa de topar com gente genuinamente esforçada. Sim, acontece. É raro, mas acontece. Não vou ficar aqui dando nome aos bois porque a minha intenção não é magoar ninguém. Mas que fique um pedido público e que sirva para quem quer que seja como uma espécie de reflexão. Que pensem nessas crianças como muito capazes lá dentro delas e pouco hábeis para expressar isso. Que não menosprezem o direito delas de ter as experiências dos pequenos da mesma idade. Que se doem, que abram o coração e a mente para tentar aprender e, mais que isso, que tenham a sensibilidade, a paciência e a solidariedade de conhecê-las. Cansa, mas é gratificante também. O sorriso e a satisfação do meu filho, por exemplo, tem o poder de encantar qualquer um. É só dar a ele os motivos certos pra sorrir.

Beijo, filho.

eu quero andar:




eu quero nadar:


eu quero escovar meu dente:


quero comer sozinho:


quero correr na areia:


quero brincar nos brinquedos da pracinha:




andar na terra:


folhear um livro:




quero sentar:


jogar boliche:


quero desenhar...




...enfim, pessoal, eu QUERO! tudo. Só preciso de ajuda. É isso: eu quero ajuda. Me ajudem, vai...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Notícias do lado de cá

E aí, Antoninho...

Bom, aos poucos as coisas estão melhorando. O que dá força para o meu mantra 'vai melhorar'. Mamãe ainda está se sentindo cansada, mas com mais ânimo já que sua virose parece mesmo ter nos deixado e tudo está voltando devagar pro eixo. Muito obrigada às mães que me deram conselhos e indicações de terapeutas. Está tudo anotado. Apesar deu ainda querer dar um tempo para organizar a minha vida e nossos horários.

Falando nisso, nossa rotina vai ficar assim:

- às segundas, teremos uma sessão de fisio turbinada com Medek, com a tia Maria Clara, que a gente já conhecia lá da clínica da tia Tereza. Ela é a única aqui do Rio, que fez alguns módulos do Medek. Então, decidimos fazer uma experência com ela. E o bom é que será lá na casa da Sofia, na Urca! Bem pertinho da gente. Sempre sonhei em ir à pé pras suas atividades. (Anota aí, vovó, 13h50)

- as terças, por enquanto, estão vazias. Mas tô pensando em voltar com a hidroterapia. Ainda mais nesses tempos de verão. Vou só esperar você engrenar bem no resto.

- quarta será dia de tia Tina, sua fono. (vovó, 15h15)

- e às quintas e sextas, temos tia Suzane, sua T.O. que vale por mil fisios também. (essas vc já sabe, né vovó, mas confirmando: quinta 8h e sexta 10h)

- sábado, domingo e feriados temos séries de exercícios como dever de casa, passados hoje pela tia Suzane.

Aliás, hoje lá na tia Suzane foi ótimo. Fiquei feliz porque nos últimos dias, apesar de bem, achei você bem molinho, sem muita energia. Talvez porque a gente ainda esteja ajustando de novo suas calorias diárias. Só ontem que voltei a colocar os fortificantes e hoje que consegui dar a quantidade receitada na sua dieta de engorda. Acho que seu corpo ainda está se recuperando e, agora sim, precisando de mais comida. É que eu preferi ir aumentando devagar por causa do trauma que eu contei dos episódios em que você passou mal e tal, mas acho que já podemos te engordar de novo!

Só no abdominal!


Que mais? Ah! Fomos a dois médicos esta semana. Apenas revisões, já marcadas há bastante tempo.

Primeiro, foi a tia Laís, sua neuro. E ela te achou muito bem neurologicamente. Seus reflexos estão muito bons, ela te achou mais calmo, mais velho, mais maduro. E ficou feliz por te ver mais gordinho. Por não termos tido nenhum problema com convulsões ou alterações nervosas, ela decidiu até ir diminuindo um dos seus remédios, o Sabril. Vai ser devagar, mas até março, após fazermos um eletro de checagem, se o traçado continuar bom, o Sabril sai de nossas vidas! E ficamos só com o Topamax. Isso é uma notícia e tanto, Antonio. E nos fez lembrar que estamos há quase 1 ano sem convulsões!!!!!


Olha aí a famosa tia Laís, estreando no blog, e você tranquilão olhando pra ela:



O outro médico foi a tia Fabíola, oftalmologista. Lá também só saímos com notícias boas. Você continua como sempre foi, muito bem visualmente. Nada de estrabismo, atenção visual excelente e não precisa usar e nem fazer nada. Fazemos essas revisões na oftalmo por conta justamente do Sabril que pode ter algum efeito colateral na visão. Mas até agora, está tudo bem e melhor ainda que estamos o diminuindo!

E é isso. Espero que você volte logo a ficar fortão e animadão; que a nossa rotina que começa pra valer mesmo na semana que vem, preencha e entretenha nossos dias; e que você e a mamãe voltem a ficar recarregados de energia boa!

Afinal, como a minha médica lembrou, faltam cerca de 8 semanas para a Marina chegar. E ela merece ser muito bem recebida. Fica tranquila, filhota. Até lá, estaremos todos tinindo e loucos pra te conhecer.

Beijo, sorriso mais lindo do mundo!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fora de prumo

Oi meu amor...

hoje a mamãe vai falar dela. Mas só porque você já está mesmo beeem melhor. Graças a Deus.

Pois é, Deus. É meio por aí que o meu assunto vai rondar hoje. É que eu não estou muito bem comigo, não estou conseguindo ficar em paz, como diz a expressão. Meio fora de rumo, sem eixo. É claro que tenho motivos suficientes pra estar abalada e tal, afinal estou grávida, você acabou de passar um período dodói... Mas sei lá não é só isso. Já passei por outros períodos difíceis e 'me achei' mais depressa. Desta vez, está demorando mais.

Tenho pensado muito pra tentar descobrir o que está me afligindo. E achei algumas teorias como o casaço de fim de gravidez; o excesso de preocupação dos últimos dias; ter ficado muito enfurnada dentro de casa... Com certeza, tudo isso colabora com esse meu estado meio letárgico. O que acontece é que estou me sentindo sem vida, sem vigor, sem muito ânimo. Fora isso, sinto aquela sensação do medo que mora ao lado. Não é um medo específico de nada, só medo, insegurança, uma espécie de incapacidade de ficar bem.

Tenho funcionado meio no automático. Só em função do que você precisa em relação a mim. Estou sempre perto, não deixo que você chore muito com os outros e logo te pego, te dou o máximo de carinho possível. Mas não estou te dando o mais importante que é uma energia boa e positiva para que a gente siga em frente com a nossa garra habitual.

E não estou conseguindo te passar essa energia porque eu mesma não estou a encontrando.

Falei de Deus mais pra cima, porque sempre que converso um pouco com seu pai sobre isso - e é só com ele que eu consigo falar - ele me diz que eu preciso rezar mais para o meu anjo da guarda e que eu devia tentar ser mais ligada a esse lado religioso ou espiritual.

Talvez ele tenha razão. Mas isso não é uma coisa muito fácil de se forçar. Em todo caso, não custa nada rezar mais e conversar com os anjos. Vou começar hoje à noite.

Mas acho que o que mais precisamos é espairecer. Sei lá tô a fim de tentar programar uma viagem, mesmo que pra perto e só fim de semana. Respirar ar puro, te levar pra ver novas paisagens, dormir em lugares diferentes... Quero sair daqui desse nosso mundinho enclausurado dos últimos meses. Vou falar com o papai sobre isso.

Em último caso, estou pensando em entrar na terapia. Não que eu tenha algum preconceito, mas é que a minha experiência passada não trouxe muitos resultados. Ainda que fosse um momento da vida totalmente diferente, tendo a achar que esse não é o método que mais funcione comigo. Mas não custa tentar se eu realmente não melhorar. Alguém tem alguma indicação?

Bom, filhote, você bem sabe que eu não gosto de escrever nada pra baixo aqui, mas é só pra justificar a falta de posts mais bacanas. E você vai ver quando crescer que existem momentos mais chatinhos mesmo na vida. Mas sempre melhora. Isso eu aprendi muito bem. Daí, meu mantra: vai melhorar.

Meus amores: