Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Buraco é mais 'no meio''

Então filhotinho, falemos da nossa vida aqui pós-gastrostomia + fundoaplicatura. Bom, como disse antes, a coisa tem sido... digamos assim, média, dentro do que eu havia vislumbrado.

Minha brincadeira ali no título faz referência a duas coisas: a primeira é que o seu buraco ficou mais no meio mesmo.

Ei-lo:



Achava que seria mais pra baixo e lateral, mas acabou que é bem acima do umbigo e quase centralizado. O que facilitou bastante nosso cenário atual. Achava que nem de lado conseguiríamos te manter no início. Mas dá. Dos dois! E é assim que temos permanecido. A maior parte do tempo mamãe fica na cama recostada e você fica por cima de mim. De barriga pra cima pra brincar e ver TV e de ladinho pra descansar e dormir. Tem dado certo. E você tem tolerado ficar na cama bem mais do que eu achava. Às vezes reclama, chora, a gente tem que se virar nos 30 pra te distrair mas, no geral, acaba acalmando.

Momento injuriado:


Brincando:


Estou tortinha, tortinha, com bastante incômodo nas costas, mas tá tudo certo. O que me importa agora é que você continue se recuperando bem e que se irrite o menos possível. Até para não se esticar todo como você faz quando está bravo. Isso acho faria com que a sonda doesse lá dentro...

A segunda referência é que a rotina em si está mesmo melhor do que eu tanto temi. Sei que ainda é cedo e que muita coisa ainda pode acontecer, mas um dos meus temores era esse período aqui no hospital ainda, lembra? Pois é. E a gente tem se virado bem. Pra falar a verdade, o pior mesmo aqui é a confusão que a galera da enfermagem faz. É um troca-troca constante e a gente tem que ficar muito de olho pro povo não fazer o que não deve. Dentre as trapalhadas, a pior delas foi no 1º dia quando você voltou do centro cirúrgico e simplesmente esqueceram de colocar o soro mais forte para te hidratar que havia sido prescrito. Resultado, à tarde você teve uma febre de 38º que nos preocupou porque não era pra acontecer. A suspeita de infecção logo me apavorou, mas a coisa foi baixando e descobrimos a tal história do soro esquecido. Ou seja, tudo indica que sua febre era por desidratação. Acredita?! Mas, graças a Deus, a febre foi-se e você não teve mais nada até agora.

Ah sim! Para situar a todos, a cirurgia aconteceu no dia 11 às 11h, dia das crianças especiais segundo sua vovó Zita viu na Rede Vida. Hoje é nosso 3º dia de hospital, 13 de outubro um dos dias de Nossa Sra. de Fátima, sua protetora. E ontem, o segundo dia, foi dia das crianças e você ganhou um monte de presentes das suas visitas! Só um comentário, acho que no fim das contas a data da cirurgia foi mesmo mais indicada desta vez!

Bom, como estava contando, as papadas de mosca aqui da galera é mais frequente do que o aceitável... Já pularam horário de analgésicos, deixaram sua sonda aberta, ficaram um dia inteiro nos enrolando para te dar banho, demoram anos para aparecer quando a gente chama, mas não param de entrar sem necessidade, atrapalhando seu descanso... Enfim, paciência. É ruim e tal, mas só quero ir pra casa quando estiver tudo 100% mesmo. Melhor do que ter que voltar depois, certo? A previsão é que fiquemos de 5 a 7 dias, dependendo da sua evolução e aceitação da dieta pela sonda. Que, aliás, começou agora há pouco. Bem devagarzinho para seu estômago não estranhar. Antes, você estava em dieta zero, só drenando suco gástrico e secreção, no soro pela veia. Agora a dieta está contínua pela sonda, 10ml/hora.

Uma coisa boa é que já nos livramos de 2 fios chatos. Um que monitorava oxigenação e batimentos cardíacos e o outro do dreno da sonda. Agora você está só no soro e na sonda. Estão do mesmo lado, então ficou um pouco mais fácil pra levantar com você e até permanecer em pé com você no colo. Vovó Tela está agora neste momento com você no colinho, vendo Patati, Patata. Importante! Temos que agradecer muitíssimo aos Backyardigans, Galinha Pintadinha, Hi Five e o Patati Patata. São eles que mais nos ajudam a passar o tempo, te mantendo tranquilo.

Bem, acho que até agora é isso. Seu pós-operatório clinicamente tem sido muito bom. Barriga não tá inchada, não teve nenhuma intercorrência, o curativo tá ok, as dores parecem estar diminuindo gradativamente, já que a cada dia, você parece menos reclamão e mais bem disposto. A não ser hoje um pouquinho depois do início da dieta. Não chegou a ser nada sério, mas pareceu que você deu uma estranhada. Não sei se era isso mesmo ou sono, ou irritação de estar aqui... De qualquer forma, não parece estar muito incomodado, não colocou nada pra fora e nada vazou. Também não parece ainda estar com gases.

Por enquanto, é só. Destaque final para os presentes de ontem, dados pelas suas duas vovós. Que estão firmes na missão de te incentivar. Uma deu um bebê Shrek que tem um botão na barriga, parecido com o que você vai colocar depois; e a outra deu um pelicano que mama na mamadeira e se mexe todo mamando. Fofo...

Beijo, pitoco! Mamãe está exausta, mas feliz. Dentro da nossa realidade, estamos muito bem.

Bebê Shrek:


Bebê Pelicano:

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Done!

Pererecoleco, você está devidamente gastrostomizado!

O ponto de exclamação é por conta do alívio do fim da nossa novela e principalmente pelo sucesso total da cirurgia. Filho, depois que eu saí do centro cirúrgico - deixaram eu entrar até te apagarem - tudo o que eu queria era te ver logo de novo. Com furo, sem furo, careca, cabeludo... Naquele momento, eu entendi o quanto não importava mais aquela questão de ver sua barriga lisinha e imaginá-la com um corpo estranho. Eu só queria saber de te ver acordado de novo, sorrindo pra mim.

antes de operar, mamãe chorando...














E assim foi! Exatamente duas horas depois, meia hora antes do previsto!, recebi a ligação mais importante do ano. Era o Dr. Nicanor, lá do centro cirúrgico mesmo, me avisando que tinha acabado e que tudo tinha corrido muito bem. Logo depois, vieram me buscar para te ver ainda saindo. Fomos eu e seu papai, com as caras mais felizes do mundo, descendo o elevador com o coração a mil. Quando chegamos lá, você estava na porta, saindo, deitadinho na maca, coberto com um cobertor azul claro e com uma máscara de oxigênio maior que a sua cabeça - só precaução. Mas assim que botamos o olho em você, vimos que já abria os olhinhos e começava a resmungar, aquele chorinho de incomodado, que não está entendendo ainda muito bem o que se passa.

No elevador, de volta para o quarto, já abriu o berreiro e nós ficando cada vez mais aliviados. Você estava de volta! O anestesista conversou com a gente e disse que você se comportou muitíssimo bem durante a anestesia e que logo voltou a respirar sozinho e regularmente. Por isso, a máscara foi tirada e você nem precisou ficar no oxigênio - o que é padrão e muito comum nas primeiras horas pós-cirurgia. Também não foi pro CTI, o que também poderia ser padrão, nas 24 primeiras horas. Mas não precisou!

Já de volta, ainda injuriado...










Depois, o Dr. Nicanor veio nos ver e falou que foi mesmo um sucesso, que você quase não sangrou e que tinha dado pra fazer tudo direitinho, seu estômago estava normal, tudo normal... Enfim, em termos do procedimento em si, correu tudo mesmo da melhor maneira possível!

E aí, começamos o nosso tão temido pós. Bom, dou mais detalhes dele depois, porque ainda estamos aqui no hospital e a mamãe está bem cansada. Mas, adiantando um pouco, o cenário e nossa rotina aqui 'in door' está melhor do que eu imaginava. Não, não é super fácil, mas confesso que achei que seria pior. Mas juro que conto tudo direitinho depois. Amanhã, se der tempo.

Beijo, criança mais linda do mundo!

Abaixo, a GALERA que já veio te visitar:

Tia Renata, do Medek


Primo portuga Miguel


Vovô e vovó Tela


Bisa, tio Gennaro e tia Bianca, dindos da mamãe


Sua dinda, o namorado novo, e a família do vovô em peso. A vovó Zita tá de gaiata aí no meio




Tio Antonio, tia Cris e o primico Arthur


E a tia Paulete e tia Thalita!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Então...

Então, filhotinho, aconteceu bastante coisa nesses últimos dias. Por isso, mamãe não teve muito tempo de vir aqui dar notícias.

Gostaria de fazer um post pra cada uma dessas coisas, mas também por falta de tempo e - confesso - um pouco de cansaço, vou resumir tudo num só.

Bem, a primeira coisa é que a mamãe não fica boa da danada da gripe - na verdade, é o ouvido entupido que ainda está pegando... - e isso está me deixando bem cansada e irritada. Estou constantemente surda, como que em outra dimensão e uma dor de cabeça chata também não me larga. Você, graças a Deus! - está bem. Pelo menos, em relação ao resfriado. É que no fim de semana você ficou muito irritado e não conseguimos descobrir exatamente porque. Se esticando todo, chorando sem parar, não conseguiu dormir direito... Aí a gente fica naquela: é o estômago, é fome, é o dente, são gases... Mas nunca dá para bater o martelo. O que podemos fazer é te dar os remédios de praxe e fazer o possível pra tentar te acalmar e te distrair. Mas hoje, parece que você está melhor. Aliás, à noite já foi mais tranquila e você dormiu bem de ontem pra hoje.

Agora, vamos lá: queria começar agradecendo por existir no mundo uma coisa chamada amigos, filho. Lembra que no último post, eu disse que era o aniversário do papai? Então, não íamos fazer nada, por falta de planejamento e também por falta de cabeça. Mas aí, em cima do laço, a mamãe decidiu aproveitar um chopp de despedida do primo João, que estava voltando para Portugal, para tentar reunir os amigos do papai de surpresa. Não tava levando a menor fé, já que chamei o povo por e-mail, às oito da noite do dia anterior e seria numa quarta-feira, mas... Apareceu quase todo mundo e o papai ficou muito, muito, muito feliz! E, claro, a mamãe também pela tarefa bem-sucedida. Foi a primeira vez que fiz algo de surpresa pra ele e deu certo!!!



































Foi uma noite muito bacana, que nos ajudou bastante a espairecer. Você, apesar de não ter aparecido nas fotos, compareceu no comecinho. Depois, foi para a vovó.

Bom, no dia seguinte, tivemos uma notícia ruim de que o Rex, nosso au-au que estava na casa da vovó Zita, passava muito mal. Lá foi você de novo pra vovó para que eu e o papai fôssemos ver o Rex. A essa altura, já internado numa clínica. Ainda bem que fomos vê-lo tarde da noite mesmo, perereco. Assim, conseguimos nos despedir. Rex foi encontrar a Lua no sábado de manhazinha. Agora, nossos dois cachorros estão juntos lá no céu, olhando por nós com os anjinhos. Um dia mamãe te conta como o Rex era sapeca, filho. Fazia um monte de besteira, mas com uma cara tão meiguinha, que era impossível brigar de verdade com ele. Esse vira-lata sem vergonha acompanhou a história da mamãe e do papai desde o início e morou com a gente em três! casas diferentes. Sempre feliz, pelo simples fato de estar conosco.
















Continuando o sábado, assim que acordamos, seu pai quis te levar à praia. Encasquetou que precisávamos da água do mar. (Viu, Marina?! Seu nome, decididamente, não foi escolhido a esmo. Seu pai gosta muito do mar). E foi bom mesmo. Apesar de ficarmos pouquinho porque você não está podendo pegar vento etc, deu pra bater boas fotos e fazer nosso vídeo das clássicas passadas para a água...
















Barriga da Marina! 6 meses.


E um sorriso que todo mundo merece...

Logo depois, fomos ao centro espírita Tupyara fazer sua terceira cirurgia espiritual. Papai teve vontade de marcar e a mamãe apoiou. Como já falei aqui, não sou tão crente como o seu pai no mundo espiritual, mas cada vez simpatizo mais e acho que tudo que vem para o bem está valendo. Desta vez, ele entrou com você e acho que isso fez bem a ele. Das outras duas vezes, como você ainda era muito pequenininho, achamos melhor eu entrar pra você não ficar assustado. Mas agora que você já está grandão e conhece e confia muito no seu papai, não tiveram problemas. Por conta da cirurgia, passamos o resto do dia quietinhos em casa. Como eu falei, você não estava muito bem, mas mesmo assim, fizemos o possível para te manter calmo e sereno.

E no domingo, aproveitamos o calorão e o vento zero para te levar de tarde à piscina! Lá na casa da vovó Zita. Foi ótimo. Você deu uma acalmada, nadou, se divertiu e a gente pôde respirar um pouco porque a sua irritação estava nos preocupando. Pra fechar o dia, passamos na festinha do seu amigo Bento, filho da Fernanda e do Leka, amigos do papai e da mamãe. Ele adorou o carrinho que demos a ele e você ficou todo feliz na hora do bolo, vendo a vela de estrelinhas acesa. Com certeza, daqui a um mês, nos seus 2 aninhos, também vai ganhar uma!

É isso, pitoco. Espero que as próximas notícias aqui sejam sobre a sua cirurgia gástrica. Estamos na expectativa de que aconteça muito em breve.

Beijo da mamãe.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meu Poliano

Dando notícias do lado de cá, nada mudou muito não, filhote. A não ser a mamãe. Que 1º: piorou muito da gripe, foi parar na Policlínica e entrou no antibiótico; mas 2º: está melhor de cabeça. E, muito antes eu do que você piorar tanto assim, né, perereco?! Você vai indo bem, com um restinho aí de tosse com catarro, mas já sem febre há um tempão.

Bom, mas o assunto é mesmo a minha melhora de estado emocional. E devo agradecer muito a todo mundo que se preocupou em gastar seu tempo, me dando apoio. Em especial a Nilvânia, mãe do Pedro Ângelo, a Bruna, mãe da Bebel; a Sandra, mãe da Helena; Néa, mãe do Arthur; Dani, mãe do Pedro; Valéria mãe do anjinho Felipe; Paula, mãe do Matias; minhas amigas pessoais Deca, Flavis, Paulete...; a querida tia Eliane; a tia Tina, que nunca pára de ligar pra saber de você; enfim, devo estar esquecendo alguém... É que é muita atenção que a gente recebe, filho. E isso ajudou muito a mamãe a, mais uma vez, sacodir a poeira.

Isso e mais um chega pra lá necessário do seu papai que sempre sabe a hora de me dar um 'acorda' essencial em muitos momentos. Resumindo, ele 'delicadamente' - sim, seu pai é sensacional, mas digamos que a doçura não faz parte da sua pessoa... - me fez enxergar que, mesmo com todos os nossos contra-tempos, minha vida faz infinitamente mais sentido hoje do que antes. A questão era que eu estava em um dos meus momentos de fraqueza e reclamações em que falava sobre a dificuldade da nossa rotina, da nossa vida etc. Ele dizendo que a gente não tinha do que reclamar, que tivemos muita sorte até aqui, que você se safou de poucas e boas já, que a gente tem mais condições, conforto e apoio do que muita gente em situação parecida ou pior ou muito pior que a nossa e, que, eu olhasse pra gente, oras: temos um casamento muito mais unido hoje, coisa rara...; conseguimos comprar nosso apartamento onde queríamos, novinho; temos um filho maravilhoso e outra a caminho, dádiva total também que muitos seguem tentando; ganhamos valores mais fortes; e ganhamos um objetivo indiscutível para viver e lutar, coisa que falta há muita gente e que, às vezes, acaba minando a pessoa. O que eu tanto tinha antes para ter tanta saudade? Só mesmo mais tranquilidade e tempo no dia-a-dia. Fora isso, nada que realmente importasse. Seu pai me fez ver, filho, que estamos construindo mesmo uma família e isso é o que mais importa no fim das contas. Pro futuro e para termos razão de viver.

Outra coisa que tem me ajudado muito é realizar coisas práticas que estavam atrasadas e ocupam meu tempo. Seus álbuns de fotos estavam empacados nos seus 10 meses. Vergonha total, um menino lindo que nem você não ter seus melhores momentos registrados em papel fotográfico. Aí, tomei coragem e organizei todas as pastas, juntei as fotos que estavam em computadores diferentes, outras na máquina ainda, mais agora no I-phone... Separei tudo certinho por data e idade e escolhi as melhores em diante, de onde eu tinha parado. Revelei tudo, gastei um valor que seu pai não pode saber e arrumei os álbuns. Ficou lindo! Aliás, você é lindo, Antonio Pedro. De todas as maneiras possíveis. Impressionantemente fotogênico, em particular. Não sei de quem puxou... Fiz também um álbum só de reabilitação com fotos das terapias desde o iniciozinho. Ficou bem bacana, emocionante. Vou mostrar pras tias todas. Agora falta baixar o D-book para fazer um fotolivro só do seu batizado, que está esperando até hoje... É a próxima coisa da lista.

É que dei uma parada nas imagens pra mexer logo nos quartos aqui em casa. Já tinha decidido que ia te mudar de quarto e deixar o seu pra sua irmã, por questões logísticas e espaciais. Já sabia mais ou menos o que eu queria, mas tava com preguiça e sem achar o melhor momento pra fazer bagunça em casa. Período pré-operatório, resfriado, melhor fazer depois da operação, mas aí, você se recuperando e alguém aqui lixando e pintando parede, depois ia ficar muito em cima, muito calor... Oh, quantas dúvidas cruéis... Aí, rodei minha baiana interna, mandei você esses dias pra casa da sua avó e mudei já quase tudo! O seu balanço veio pra dentro de casa, numa trave no teto da sala; seu quarto novo ganhou uma parede azul linda, um monte de brinquedos pendurados, móbile de barquinhos, quadrinhos, prateleiras azuis também, caixas organizadoras e um abajur de joaninha psicodélico que deu o toque final! Ficou ótimo e está pronto. Em tempo recorde, dois dias. Grande Brito! Se alguém precisar de um faz-tudo... O da sua irmã já está vazio e pintado, agora falta chegar e montar o berço e pensar, comprar e fazer alguns enfeites que farão os detalhes aparecerem. Será basicamente tudo branco, com detalhes bem discretos em vermelho. Depois tiro fotos, quando ficar pronto.

E é isso, pitoco. Assim, mamãe vai passando o tempo e resolvendo a nossa vida. Mas, juro, estou bem mais forte emocionalmente e preparada para o nosso futuro a curto, médio e longo prazo. Obrigada, mais uma vez, a todo mundo que se importa, que se dedica e que torce por nós. E ao seu papai, Poliano tão necessário em nossas vidas.

Agora, com vocês, Antonio Pedro em alguns de seus momentos mais gostosos dos 11 meses até aqui.

Beijo, filhote lindo!


































grande papai... que, aliás, completa hoje 35 anos! Parabéns papai. E, obrigado, do fundo do coração, por cuidar de mim e da mamãe.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Natural

O tempo passa... o tempo voa... e a gente ainda está aqui cuidando do seu - e do meu - resfriado, perereco.



O problema é que como agora estamos 'com tempo', mamãe e papai acabam fazendo 'a besteira' de pensar. Besteira nesse caso porque não há mais o que ser pensado à respeito de fazer ou não fazer a sua cirurgia. Tentamos de tudo, fomos a médicos diferentes, discutimos o assunto entre nós e com profissionais, repetidas vezes... Não temos dúvidas quanto à realização. Mas o problema é que estamos aqui sofrendo por antecedência por causa desse intervalo ocioso, imaginando como vai ser depois da cirurgia.

Ontem mesmo, fiquei horas à noite na internet, navegando por blogs, sites, vendo fotos, lendo artigos... e tem sempre algo que ainda não sabíamos e que pode vir a ser assustador no futuro. Sei que não é muito bom fazer isso, eu mesma já falei sobre como o 'google' pode ser nocivo em algumas ocasiões, mas também não posso deixar de buscar informações, de procurar conselhos e ler experiências de quem já passou ou está passando por uma situação parecida. Minha impressão e, pelo que vi de muitas outras mães também, é a de que médicos e cirurgiões no fundo não sabem ao certo do perrengue que pode ser o pós-operatório porque por mais que eles tenham o know-how e a técnica, não têm a vivência. Só quem vive na pele a experiência de cuidar de uma criança pequena recém-operada é que pode mesmo falar sobre o que pode dar errado e, melhor, dar dicas de como tentar evitar isso. Por isso, leio mesmo. Tudo o que posso e tô já cheia de anotações e sugestões do que fazer em possíveis intercorrências. Espero que isso nos ajude um pouco.

Mas existem outros medos que fogem um pouco de questões práticas. E que só vamos descobrir depois. Tenho bastante receio, por exemplo, de você passar a não aceitar mais seu leitinho no copinho que você vem bebendo tão bem nos últimos tempos. Sei que ele por si só não é suficiente para a sua nutrição completa, mas ficaria muito triste se você perdesse esse hábito. Sei lá, não sei se a sensação de comer, após a cirurgia, se tornará uma coisa estranha, se você ficará empanzinado com a dieta que será ministrada pela gastro... Enfim, você tem tantas questões sensoriais, sua sensibilidade é tão à flor da pele, que tenho medo do que uma mudança interna aí no seu aparelho digestivo possa fazer....

Outra coisa que não sai da nossa cabeça é o lance de mexer no seu corpinho tão perfeito. Fico te olhando depois do banho, com a barriga tão branquinha, tão lisinha... morro de dó de pensar que daqui a pouco terá ali um corpo estranho com bordas avermehadas e, no futuro, uma cicatriz. Sei que tudo isso é besteira perto do que a desnutrição pode estar causando ao seu desenvolvimento global, mas é impossível não ficar um pouco tristinha por pensar que meu filhote lindo vai ganhar um troço feio na barriga.

Bom, passadas essas lamentações normais, mas que não vão nos levar a lugar nenhum, a gente sempre acaba chegando à conclusão que é isso aí mesmo e que estamos prontos pra luta. Ainda que assustados por não sabermos muito bem o que nos espera.

Sabe quando eu realmente fiquei 'tranquila' quanto à decisão de fazer a cirurgia? Quando o último médico que nós fomos, o Dr. Cesar Junqueira - gastro -, me falou no telefone, da última vez que liguei para contar que você havia parado de comer de novo, que agora não tínhamos mais o que esperar mesmo, a gastrostomia era a solução. É que quando fomos lá a primeira vez, eu e papai fomos logo falando: 'não somos contra a gastrostomia, mas...' e ele nos interrompeu e disse: 'mas eu sou'. Após uns segundos de silêncio, ele se explicou e falou que era contra a gastrostomia, sem antes tentarmos de tudo para que a coisa continue acontecendo da maneira natural. Ah... nós também, claro! E assim tentamos de tudo. Por isso, se ele chegou à conclusão que é o jeito, me sinto mais segura também de achar a mesma coisa. Uma decisão com respaldo de um médico que não chegou querendo te cortar. Pelo contrário, que nos incentivou a tentar milagres...

Mas a palavra-chave de todas as nossas angústias é essa: natural. Acho que o que mais incomoda qualquer pai e mãe nessa situação é isso: ir contra a natureza. Criar um mecanismo estranho e 'feio' para alimentar seu filho. Alimentar. Algo tão básico, tão natural...

Só que, pra nós aqui, o natural não estava nos levando a lugar nenhum, perereco. Então, que venha o artificial. Não será a primeira vez que vamos recorrer à ciência para te ajudar. Então, que deixemos o chororô pra lá e temos mais é que agradecer à medicina por criar alternativas como essa.

Certo, biscoito? Como a mamãe falou, só estamos dando espaço para essas crises porque estamos aqui meio ilhados e entediados. Sem poder sair pra você não piorar e esperando os dias passarem. Aí, já viu, né? Ambiente perfeito para criar abobrinhas. Quero ver quando estivermos aqui, tendo que colocar a mão na massa, com sonda, curativos, tendo que te divertir, te distrair... se vai sobrar tempo para lamúrias... vamos é querer cair na cama, quando der. E quando a gente menos esperar, a tempestade passa e vamos voltar a uma rotina mais equilibrada. Ah, sim: e felizes da vida porque você vai estar pesando 11kg!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pombinho

Oi peteteco,

bom, mamãe nem tinha muita coisa para escrever hoje. Mas aí, recebi um e-mail da tia Renata, a tia do medek, pedindo para que eu escrevesse algumas impressões nossas em relação ao método, nossas sessões já feitas e tal... Para ela colocar no site dela e, assim, outros papais e mamães ficam sabendo um pouco mais sobre essa terapia que, pelo menos pra gente aqui, foi o maior achado até agora. Decidi deixar você falar:

Meu nome é Antonio Pedro, tenho quase dois anos e, quando eu nasci, sofri uma severa asfixia. Severa. Eu nem sei o que significa essa palavra direito, mas sei que por causa dela, minha mãe e meu pai passaram os dias mais angustiantes da vida deles, enquanto eu fiquei internado por quase um mês na UTI do hospital.

No início, ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo e nem o que ia acontecer comigo. Mas o dia da minha alta foi um baita alívio pra minha família. Pelo menos por um tempo. É que conforme eu fui crescendo, as sequelas do que aconteceu comigo foram surgindo. Lembro bem. Começou com os meus 3 meses, quando minha mãe notou que eu não mexia as minhas mãozinhas como os bebês da minha idade. E foi nessa época que eu, minha mãe e meu pai entramos juntos para o mundo da reabilitação.

Começamos devagar. Com indicações médicas, mas ainda sem ter muita noção do que a fisioterapia poderia fazer por mim e nem do que exatamente eu precisaria recuperar.

Mas aí, quanto mais o tempo passava, mas minha mãe foi percebendo que o nosso buraco era mais embaixo. Das mãozinhas, eu passei a ter dificuldades com os braços, o pescoço, a boca, o tronco. Minha maior deficiência está nele, na base que estrutura o nosso corpo. Meu tronco não ficou durinho como o da maioria das crianças. E por isso, não consigo virar, sentar, brincar, levantar, andar... Não consigo fazer nada sozinho. Mas, oh, eu estou sempre tentando. Nunca desisto de ir um pouquinho mais longe. Mas agradeço por ter sempre alguém me ajudando por perto. Só que nunca deixo de sonhar com o dia em que eu vou fazer as coisas por mim mesmo. Nem minha mãe. Essa não cansa nunca.

E foi assim que a gente descobriu o Medek.
Vocês não conhecem a minha mãe, mas quando ela cisma com alguma coisa, não para nunca de fuçar. Da minha fisioterapia de bebê, ela caçou uma outra técnica que usava balanço e movimento que deu bastante resultado; depois, foi atrás de mais recursos, em um lugar maior e que usava mais apetrechos e equipamentos; e junto com isso, esteve e está sempre de olho no que há de disponível no mundo para me ajudar. Sim. No mundo. Porque minha mãe e meu pai estariam dispostos a me levar até o Japão se lá tivesse algo para auxiliar na minha recuperação. Mas, por enquanto, a gente tem se dado bem aqui por perto. O máximo que fomos até agora foi a São Paulo. Para as sessões de Medek com a tia Renata.

E, eu preciso falar, foi um divisor de águas em nossas vidas. Um sopro de esperança num momento em que estávamos bem estagnados. Porque essa é talvez a parte mais difícil da reabilitação. Aprender a ter paciência e a enxergar o tempo de outra maneira. Eu nem fico assim tão ansioso porque a coisa ainda não é muito consciente pra mim, mas sinto que meus pais às vezes ficam bem caidinhos, com dúvidas em relação ao meu futuro.

Por isso que o medek foi tão importante pra gente. Foi a primeira vez que vimos resultados mais rápidos, que vimos a coisa acontecer ali, na hora. E sabem com quem? Com meu tronco! Meu tronco nunca reagiu da maneira como se comporta no medek em nenhum outro método de fisioterapia.


Os exercícios, a base do método e, sim!, a mão da tia Renata fizeram verdadeiros milagres com meu tronco molenga. Minha mãe notou, meu pai notou, minhas terapeutas regulares notaram, minha neuropediatra ficou encantada...

Vestimos tanto a camisa que meu pai fez questão de aprender os principais exercícios indicados pra mim para que a gente pudesse continuar treinando em casa, aqui no Rio de janeiro, fora dos períodos de intensivo. E assim fazemos até hoje. Até elegemos um preferido e demos um nome a ele: pombinho. Pela foto, vocês vão saber porque. Posso estar enjuriado com o que for, mas quando meu pai me pega pra fazer um pombinho, minha alegria se manifesta automaticamente através de um sorriso enorme. Com esse sorriso, eu estou dizendo ao meu pai, a minha mãe e, principalmente, a tia Renata: obrigado. Obrigado por me mostrar que eu tenho um tronco.


Com você, tia Renata, eu aprendi que eu posso muito mais que andar. Eu sou um pombinho. Eu posso voar.















Até o nosso próximo encontro. Você sabe que não estou no melhor da minha forma física no momento, mas não vejo a hora de me recuperar logo da cirurgia e desse período de fraqueza nutricional para a gente poder botar pra quebrar!

um beijo do Antonio Pedro.



escrito pela minha mãe, Adriana Maia, mas supervisionado por mim. Eu juro. Assino embaixo.

(tirado do blog www.queridoap.blogspot.com)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Enquanto a gastro não vem...

Filho, no meio da nossa roda viva das últimas semanas, mamãe acabou não deixando registrado aqui uma coisa muito importante que fizemos com você: sua primeira ida ao teatrinho!



Sim. Num fim de semana em que eu e seu pai estávamos querendo dar uma espairecida no estresse que estava sendo o nosso `come não come` diário, decidimos fazer algo diferente com você.

Confesso que eu estava bem apreensiva. Além de achar que talvez você ainda fosse muito pequenininho, todos nós estávamos bem cansados da nossa novela toda...

Mas nos surpreendemos com você, perereco! Pra variar, né, pitoco.

O fato é que você se comportou super bem. Ficou quietinho, prestando atenção em tudo, levando uns sustos de vez em quando, tadinho..., mas foi nota 10!

A peça nem era a mais adequada. Era mais indicada para crianças maiores porque tinha muita participação, improviso e tal, mas mesmo assim, você curtiu as musiquinhas, as roupas engraçadas, as outras crianças todas no recinto... Adorou a bagunça e nem quando ficava tudo escuro, você chorava. Só apertava mais forte a mão do papai ou da mamãe.

Enfim, mais uma ocasião em que você merece parabéns, filhote.

E a mamãe não podia deixar de contar.

Beijo!