Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Então...

Então, filhotinho, aconteceu bastante coisa nesses últimos dias. Por isso, mamãe não teve muito tempo de vir aqui dar notícias.

Gostaria de fazer um post pra cada uma dessas coisas, mas também por falta de tempo e - confesso - um pouco de cansaço, vou resumir tudo num só.

Bem, a primeira coisa é que a mamãe não fica boa da danada da gripe - na verdade, é o ouvido entupido que ainda está pegando... - e isso está me deixando bem cansada e irritada. Estou constantemente surda, como que em outra dimensão e uma dor de cabeça chata também não me larga. Você, graças a Deus! - está bem. Pelo menos, em relação ao resfriado. É que no fim de semana você ficou muito irritado e não conseguimos descobrir exatamente porque. Se esticando todo, chorando sem parar, não conseguiu dormir direito... Aí a gente fica naquela: é o estômago, é fome, é o dente, são gases... Mas nunca dá para bater o martelo. O que podemos fazer é te dar os remédios de praxe e fazer o possível pra tentar te acalmar e te distrair. Mas hoje, parece que você está melhor. Aliás, à noite já foi mais tranquila e você dormiu bem de ontem pra hoje.

Agora, vamos lá: queria começar agradecendo por existir no mundo uma coisa chamada amigos, filho. Lembra que no último post, eu disse que era o aniversário do papai? Então, não íamos fazer nada, por falta de planejamento e também por falta de cabeça. Mas aí, em cima do laço, a mamãe decidiu aproveitar um chopp de despedida do primo João, que estava voltando para Portugal, para tentar reunir os amigos do papai de surpresa. Não tava levando a menor fé, já que chamei o povo por e-mail, às oito da noite do dia anterior e seria numa quarta-feira, mas... Apareceu quase todo mundo e o papai ficou muito, muito, muito feliz! E, claro, a mamãe também pela tarefa bem-sucedida. Foi a primeira vez que fiz algo de surpresa pra ele e deu certo!!!



































Foi uma noite muito bacana, que nos ajudou bastante a espairecer. Você, apesar de não ter aparecido nas fotos, compareceu no comecinho. Depois, foi para a vovó.

Bom, no dia seguinte, tivemos uma notícia ruim de que o Rex, nosso au-au que estava na casa da vovó Zita, passava muito mal. Lá foi você de novo pra vovó para que eu e o papai fôssemos ver o Rex. A essa altura, já internado numa clínica. Ainda bem que fomos vê-lo tarde da noite mesmo, perereco. Assim, conseguimos nos despedir. Rex foi encontrar a Lua no sábado de manhazinha. Agora, nossos dois cachorros estão juntos lá no céu, olhando por nós com os anjinhos. Um dia mamãe te conta como o Rex era sapeca, filho. Fazia um monte de besteira, mas com uma cara tão meiguinha, que era impossível brigar de verdade com ele. Esse vira-lata sem vergonha acompanhou a história da mamãe e do papai desde o início e morou com a gente em três! casas diferentes. Sempre feliz, pelo simples fato de estar conosco.
















Continuando o sábado, assim que acordamos, seu pai quis te levar à praia. Encasquetou que precisávamos da água do mar. (Viu, Marina?! Seu nome, decididamente, não foi escolhido a esmo. Seu pai gosta muito do mar). E foi bom mesmo. Apesar de ficarmos pouquinho porque você não está podendo pegar vento etc, deu pra bater boas fotos e fazer nosso vídeo das clássicas passadas para a água...
















Barriga da Marina! 6 meses.


E um sorriso que todo mundo merece...

Logo depois, fomos ao centro espírita Tupyara fazer sua terceira cirurgia espiritual. Papai teve vontade de marcar e a mamãe apoiou. Como já falei aqui, não sou tão crente como o seu pai no mundo espiritual, mas cada vez simpatizo mais e acho que tudo que vem para o bem está valendo. Desta vez, ele entrou com você e acho que isso fez bem a ele. Das outras duas vezes, como você ainda era muito pequenininho, achamos melhor eu entrar pra você não ficar assustado. Mas agora que você já está grandão e conhece e confia muito no seu papai, não tiveram problemas. Por conta da cirurgia, passamos o resto do dia quietinhos em casa. Como eu falei, você não estava muito bem, mas mesmo assim, fizemos o possível para te manter calmo e sereno.

E no domingo, aproveitamos o calorão e o vento zero para te levar de tarde à piscina! Lá na casa da vovó Zita. Foi ótimo. Você deu uma acalmada, nadou, se divertiu e a gente pôde respirar um pouco porque a sua irritação estava nos preocupando. Pra fechar o dia, passamos na festinha do seu amigo Bento, filho da Fernanda e do Leka, amigos do papai e da mamãe. Ele adorou o carrinho que demos a ele e você ficou todo feliz na hora do bolo, vendo a vela de estrelinhas acesa. Com certeza, daqui a um mês, nos seus 2 aninhos, também vai ganhar uma!

É isso, pitoco. Espero que as próximas notícias aqui sejam sobre a sua cirurgia gástrica. Estamos na expectativa de que aconteça muito em breve.

Beijo da mamãe.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meu Poliano

Dando notícias do lado de cá, nada mudou muito não, filhote. A não ser a mamãe. Que 1º: piorou muito da gripe, foi parar na Policlínica e entrou no antibiótico; mas 2º: está melhor de cabeça. E, muito antes eu do que você piorar tanto assim, né, perereco?! Você vai indo bem, com um restinho aí de tosse com catarro, mas já sem febre há um tempão.

Bom, mas o assunto é mesmo a minha melhora de estado emocional. E devo agradecer muito a todo mundo que se preocupou em gastar seu tempo, me dando apoio. Em especial a Nilvânia, mãe do Pedro Ângelo, a Bruna, mãe da Bebel; a Sandra, mãe da Helena; Néa, mãe do Arthur; Dani, mãe do Pedro; Valéria mãe do anjinho Felipe; Paula, mãe do Matias; minhas amigas pessoais Deca, Flavis, Paulete...; a querida tia Eliane; a tia Tina, que nunca pára de ligar pra saber de você; enfim, devo estar esquecendo alguém... É que é muita atenção que a gente recebe, filho. E isso ajudou muito a mamãe a, mais uma vez, sacodir a poeira.

Isso e mais um chega pra lá necessário do seu papai que sempre sabe a hora de me dar um 'acorda' essencial em muitos momentos. Resumindo, ele 'delicadamente' - sim, seu pai é sensacional, mas digamos que a doçura não faz parte da sua pessoa... - me fez enxergar que, mesmo com todos os nossos contra-tempos, minha vida faz infinitamente mais sentido hoje do que antes. A questão era que eu estava em um dos meus momentos de fraqueza e reclamações em que falava sobre a dificuldade da nossa rotina, da nossa vida etc. Ele dizendo que a gente não tinha do que reclamar, que tivemos muita sorte até aqui, que você se safou de poucas e boas já, que a gente tem mais condições, conforto e apoio do que muita gente em situação parecida ou pior ou muito pior que a nossa e, que, eu olhasse pra gente, oras: temos um casamento muito mais unido hoje, coisa rara...; conseguimos comprar nosso apartamento onde queríamos, novinho; temos um filho maravilhoso e outra a caminho, dádiva total também que muitos seguem tentando; ganhamos valores mais fortes; e ganhamos um objetivo indiscutível para viver e lutar, coisa que falta há muita gente e que, às vezes, acaba minando a pessoa. O que eu tanto tinha antes para ter tanta saudade? Só mesmo mais tranquilidade e tempo no dia-a-dia. Fora isso, nada que realmente importasse. Seu pai me fez ver, filho, que estamos construindo mesmo uma família e isso é o que mais importa no fim das contas. Pro futuro e para termos razão de viver.

Outra coisa que tem me ajudado muito é realizar coisas práticas que estavam atrasadas e ocupam meu tempo. Seus álbuns de fotos estavam empacados nos seus 10 meses. Vergonha total, um menino lindo que nem você não ter seus melhores momentos registrados em papel fotográfico. Aí, tomei coragem e organizei todas as pastas, juntei as fotos que estavam em computadores diferentes, outras na máquina ainda, mais agora no I-phone... Separei tudo certinho por data e idade e escolhi as melhores em diante, de onde eu tinha parado. Revelei tudo, gastei um valor que seu pai não pode saber e arrumei os álbuns. Ficou lindo! Aliás, você é lindo, Antonio Pedro. De todas as maneiras possíveis. Impressionantemente fotogênico, em particular. Não sei de quem puxou... Fiz também um álbum só de reabilitação com fotos das terapias desde o iniciozinho. Ficou bem bacana, emocionante. Vou mostrar pras tias todas. Agora falta baixar o D-book para fazer um fotolivro só do seu batizado, que está esperando até hoje... É a próxima coisa da lista.

É que dei uma parada nas imagens pra mexer logo nos quartos aqui em casa. Já tinha decidido que ia te mudar de quarto e deixar o seu pra sua irmã, por questões logísticas e espaciais. Já sabia mais ou menos o que eu queria, mas tava com preguiça e sem achar o melhor momento pra fazer bagunça em casa. Período pré-operatório, resfriado, melhor fazer depois da operação, mas aí, você se recuperando e alguém aqui lixando e pintando parede, depois ia ficar muito em cima, muito calor... Oh, quantas dúvidas cruéis... Aí, rodei minha baiana interna, mandei você esses dias pra casa da sua avó e mudei já quase tudo! O seu balanço veio pra dentro de casa, numa trave no teto da sala; seu quarto novo ganhou uma parede azul linda, um monte de brinquedos pendurados, móbile de barquinhos, quadrinhos, prateleiras azuis também, caixas organizadoras e um abajur de joaninha psicodélico que deu o toque final! Ficou ótimo e está pronto. Em tempo recorde, dois dias. Grande Brito! Se alguém precisar de um faz-tudo... O da sua irmã já está vazio e pintado, agora falta chegar e montar o berço e pensar, comprar e fazer alguns enfeites que farão os detalhes aparecerem. Será basicamente tudo branco, com detalhes bem discretos em vermelho. Depois tiro fotos, quando ficar pronto.

E é isso, pitoco. Assim, mamãe vai passando o tempo e resolvendo a nossa vida. Mas, juro, estou bem mais forte emocionalmente e preparada para o nosso futuro a curto, médio e longo prazo. Obrigada, mais uma vez, a todo mundo que se importa, que se dedica e que torce por nós. E ao seu papai, Poliano tão necessário em nossas vidas.

Agora, com vocês, Antonio Pedro em alguns de seus momentos mais gostosos dos 11 meses até aqui.

Beijo, filhote lindo!


































grande papai... que, aliás, completa hoje 35 anos! Parabéns papai. E, obrigado, do fundo do coração, por cuidar de mim e da mamãe.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Natural

O tempo passa... o tempo voa... e a gente ainda está aqui cuidando do seu - e do meu - resfriado, perereco.



O problema é que como agora estamos 'com tempo', mamãe e papai acabam fazendo 'a besteira' de pensar. Besteira nesse caso porque não há mais o que ser pensado à respeito de fazer ou não fazer a sua cirurgia. Tentamos de tudo, fomos a médicos diferentes, discutimos o assunto entre nós e com profissionais, repetidas vezes... Não temos dúvidas quanto à realização. Mas o problema é que estamos aqui sofrendo por antecedência por causa desse intervalo ocioso, imaginando como vai ser depois da cirurgia.

Ontem mesmo, fiquei horas à noite na internet, navegando por blogs, sites, vendo fotos, lendo artigos... e tem sempre algo que ainda não sabíamos e que pode vir a ser assustador no futuro. Sei que não é muito bom fazer isso, eu mesma já falei sobre como o 'google' pode ser nocivo em algumas ocasiões, mas também não posso deixar de buscar informações, de procurar conselhos e ler experiências de quem já passou ou está passando por uma situação parecida. Minha impressão e, pelo que vi de muitas outras mães também, é a de que médicos e cirurgiões no fundo não sabem ao certo do perrengue que pode ser o pós-operatório porque por mais que eles tenham o know-how e a técnica, não têm a vivência. Só quem vive na pele a experiência de cuidar de uma criança pequena recém-operada é que pode mesmo falar sobre o que pode dar errado e, melhor, dar dicas de como tentar evitar isso. Por isso, leio mesmo. Tudo o que posso e tô já cheia de anotações e sugestões do que fazer em possíveis intercorrências. Espero que isso nos ajude um pouco.

Mas existem outros medos que fogem um pouco de questões práticas. E que só vamos descobrir depois. Tenho bastante receio, por exemplo, de você passar a não aceitar mais seu leitinho no copinho que você vem bebendo tão bem nos últimos tempos. Sei que ele por si só não é suficiente para a sua nutrição completa, mas ficaria muito triste se você perdesse esse hábito. Sei lá, não sei se a sensação de comer, após a cirurgia, se tornará uma coisa estranha, se você ficará empanzinado com a dieta que será ministrada pela gastro... Enfim, você tem tantas questões sensoriais, sua sensibilidade é tão à flor da pele, que tenho medo do que uma mudança interna aí no seu aparelho digestivo possa fazer....

Outra coisa que não sai da nossa cabeça é o lance de mexer no seu corpinho tão perfeito. Fico te olhando depois do banho, com a barriga tão branquinha, tão lisinha... morro de dó de pensar que daqui a pouco terá ali um corpo estranho com bordas avermehadas e, no futuro, uma cicatriz. Sei que tudo isso é besteira perto do que a desnutrição pode estar causando ao seu desenvolvimento global, mas é impossível não ficar um pouco tristinha por pensar que meu filhote lindo vai ganhar um troço feio na barriga.

Bom, passadas essas lamentações normais, mas que não vão nos levar a lugar nenhum, a gente sempre acaba chegando à conclusão que é isso aí mesmo e que estamos prontos pra luta. Ainda que assustados por não sabermos muito bem o que nos espera.

Sabe quando eu realmente fiquei 'tranquila' quanto à decisão de fazer a cirurgia? Quando o último médico que nós fomos, o Dr. Cesar Junqueira - gastro -, me falou no telefone, da última vez que liguei para contar que você havia parado de comer de novo, que agora não tínhamos mais o que esperar mesmo, a gastrostomia era a solução. É que quando fomos lá a primeira vez, eu e papai fomos logo falando: 'não somos contra a gastrostomia, mas...' e ele nos interrompeu e disse: 'mas eu sou'. Após uns segundos de silêncio, ele se explicou e falou que era contra a gastrostomia, sem antes tentarmos de tudo para que a coisa continue acontecendo da maneira natural. Ah... nós também, claro! E assim tentamos de tudo. Por isso, se ele chegou à conclusão que é o jeito, me sinto mais segura também de achar a mesma coisa. Uma decisão com respaldo de um médico que não chegou querendo te cortar. Pelo contrário, que nos incentivou a tentar milagres...

Mas a palavra-chave de todas as nossas angústias é essa: natural. Acho que o que mais incomoda qualquer pai e mãe nessa situação é isso: ir contra a natureza. Criar um mecanismo estranho e 'feio' para alimentar seu filho. Alimentar. Algo tão básico, tão natural...

Só que, pra nós aqui, o natural não estava nos levando a lugar nenhum, perereco. Então, que venha o artificial. Não será a primeira vez que vamos recorrer à ciência para te ajudar. Então, que deixemos o chororô pra lá e temos mais é que agradecer à medicina por criar alternativas como essa.

Certo, biscoito? Como a mamãe falou, só estamos dando espaço para essas crises porque estamos aqui meio ilhados e entediados. Sem poder sair pra você não piorar e esperando os dias passarem. Aí, já viu, né? Ambiente perfeito para criar abobrinhas. Quero ver quando estivermos aqui, tendo que colocar a mão na massa, com sonda, curativos, tendo que te divertir, te distrair... se vai sobrar tempo para lamúrias... vamos é querer cair na cama, quando der. E quando a gente menos esperar, a tempestade passa e vamos voltar a uma rotina mais equilibrada. Ah, sim: e felizes da vida porque você vai estar pesando 11kg!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pombinho

Oi peteteco,

bom, mamãe nem tinha muita coisa para escrever hoje. Mas aí, recebi um e-mail da tia Renata, a tia do medek, pedindo para que eu escrevesse algumas impressões nossas em relação ao método, nossas sessões já feitas e tal... Para ela colocar no site dela e, assim, outros papais e mamães ficam sabendo um pouco mais sobre essa terapia que, pelo menos pra gente aqui, foi o maior achado até agora. Decidi deixar você falar:

Meu nome é Antonio Pedro, tenho quase dois anos e, quando eu nasci, sofri uma severa asfixia. Severa. Eu nem sei o que significa essa palavra direito, mas sei que por causa dela, minha mãe e meu pai passaram os dias mais angustiantes da vida deles, enquanto eu fiquei internado por quase um mês na UTI do hospital.

No início, ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo e nem o que ia acontecer comigo. Mas o dia da minha alta foi um baita alívio pra minha família. Pelo menos por um tempo. É que conforme eu fui crescendo, as sequelas do que aconteceu comigo foram surgindo. Lembro bem. Começou com os meus 3 meses, quando minha mãe notou que eu não mexia as minhas mãozinhas como os bebês da minha idade. E foi nessa época que eu, minha mãe e meu pai entramos juntos para o mundo da reabilitação.

Começamos devagar. Com indicações médicas, mas ainda sem ter muita noção do que a fisioterapia poderia fazer por mim e nem do que exatamente eu precisaria recuperar.

Mas aí, quanto mais o tempo passava, mas minha mãe foi percebendo que o nosso buraco era mais embaixo. Das mãozinhas, eu passei a ter dificuldades com os braços, o pescoço, a boca, o tronco. Minha maior deficiência está nele, na base que estrutura o nosso corpo. Meu tronco não ficou durinho como o da maioria das crianças. E por isso, não consigo virar, sentar, brincar, levantar, andar... Não consigo fazer nada sozinho. Mas, oh, eu estou sempre tentando. Nunca desisto de ir um pouquinho mais longe. Mas agradeço por ter sempre alguém me ajudando por perto. Só que nunca deixo de sonhar com o dia em que eu vou fazer as coisas por mim mesmo. Nem minha mãe. Essa não cansa nunca.

E foi assim que a gente descobriu o Medek.
Vocês não conhecem a minha mãe, mas quando ela cisma com alguma coisa, não para nunca de fuçar. Da minha fisioterapia de bebê, ela caçou uma outra técnica que usava balanço e movimento que deu bastante resultado; depois, foi atrás de mais recursos, em um lugar maior e que usava mais apetrechos e equipamentos; e junto com isso, esteve e está sempre de olho no que há de disponível no mundo para me ajudar. Sim. No mundo. Porque minha mãe e meu pai estariam dispostos a me levar até o Japão se lá tivesse algo para auxiliar na minha recuperação. Mas, por enquanto, a gente tem se dado bem aqui por perto. O máximo que fomos até agora foi a São Paulo. Para as sessões de Medek com a tia Renata.

E, eu preciso falar, foi um divisor de águas em nossas vidas. Um sopro de esperança num momento em que estávamos bem estagnados. Porque essa é talvez a parte mais difícil da reabilitação. Aprender a ter paciência e a enxergar o tempo de outra maneira. Eu nem fico assim tão ansioso porque a coisa ainda não é muito consciente pra mim, mas sinto que meus pais às vezes ficam bem caidinhos, com dúvidas em relação ao meu futuro.

Por isso que o medek foi tão importante pra gente. Foi a primeira vez que vimos resultados mais rápidos, que vimos a coisa acontecer ali, na hora. E sabem com quem? Com meu tronco! Meu tronco nunca reagiu da maneira como se comporta no medek em nenhum outro método de fisioterapia.


Os exercícios, a base do método e, sim!, a mão da tia Renata fizeram verdadeiros milagres com meu tronco molenga. Minha mãe notou, meu pai notou, minhas terapeutas regulares notaram, minha neuropediatra ficou encantada...

Vestimos tanto a camisa que meu pai fez questão de aprender os principais exercícios indicados pra mim para que a gente pudesse continuar treinando em casa, aqui no Rio de janeiro, fora dos períodos de intensivo. E assim fazemos até hoje. Até elegemos um preferido e demos um nome a ele: pombinho. Pela foto, vocês vão saber porque. Posso estar enjuriado com o que for, mas quando meu pai me pega pra fazer um pombinho, minha alegria se manifesta automaticamente através de um sorriso enorme. Com esse sorriso, eu estou dizendo ao meu pai, a minha mãe e, principalmente, a tia Renata: obrigado. Obrigado por me mostrar que eu tenho um tronco.


Com você, tia Renata, eu aprendi que eu posso muito mais que andar. Eu sou um pombinho. Eu posso voar.















Até o nosso próximo encontro. Você sabe que não estou no melhor da minha forma física no momento, mas não vejo a hora de me recuperar logo da cirurgia e desse período de fraqueza nutricional para a gente poder botar pra quebrar!

um beijo do Antonio Pedro.



escrito pela minha mãe, Adriana Maia, mas supervisionado por mim. Eu juro. Assino embaixo.

(tirado do blog www.queridoap.blogspot.com)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Enquanto a gastro não vem...

Filho, no meio da nossa roda viva das últimas semanas, mamãe acabou não deixando registrado aqui uma coisa muito importante que fizemos com você: sua primeira ida ao teatrinho!



Sim. Num fim de semana em que eu e seu pai estávamos querendo dar uma espairecida no estresse que estava sendo o nosso `come não come` diário, decidimos fazer algo diferente com você.

Confesso que eu estava bem apreensiva. Além de achar que talvez você ainda fosse muito pequenininho, todos nós estávamos bem cansados da nossa novela toda...

Mas nos surpreendemos com você, perereco! Pra variar, né, pitoco.

O fato é que você se comportou super bem. Ficou quietinho, prestando atenção em tudo, levando uns sustos de vez em quando, tadinho..., mas foi nota 10!

A peça nem era a mais adequada. Era mais indicada para crianças maiores porque tinha muita participação, improviso e tal, mas mesmo assim, você curtiu as musiquinhas, as roupas engraçadas, as outras crianças todas no recinto... Adorou a bagunça e nem quando ficava tudo escuro, você chorava. Só apertava mais forte a mão do papai ou da mamãe.

Enfim, mais uma ocasião em que você merece parabéns, filhote.

E a mamãe não podia deixar de contar.

Beijo!



terça-feira, 27 de setembro de 2011

Banho Maria

Dando notícias do meu perereco,

só hoje que você passou o dia melhor, filho. O resfriado foi brabo mesmo. Ainda bem que a gente não operou. Eu sei lá se você já estava com o vírus antes... vai que a gente opera e você pega uma infecção ou algo do gênero por baixa imunidade? Enfim, há males mesmo que vêm para o bem e a gente tem é que continuar tendo paciência, aquela que a mamãe sempre fala, para fazer as coisas com você na hora certa.

agora, eu é que estou resfriada também, acredita? acabei pegando de você. também, a gente não se desgruda, né, filhote? te agarrei tanto e te dei tantos beijinhos que arriei desde a noite passada. Mas não tô nem aí. Fiquei tão feliz hoje por você ter acordado melhor, que nem dei bola para o meu mal estar. isso é ser mãe. a gente realmente não se importa mais com a gente como antes. se o filho estiver bem, tá tudo certo.

bom, e assim estamos. Em banho maria. A espera da sua recuperação total. Falando em banho, você nunca tomou tanto banhoco como nesses últimos dias. seja pra acalmar ou pra baixar a febre. foi um festival de chuveiradas. mas é tão bonitinho ver como você adora que vale à pena. tem que ver a sua carinha toda serelepe dando passinhos para o box, onde a mamãe ou o papai te esperam. vou tentar filmar. é realmente fofo. ainda mais quando você ainda está com o rostinho cheio de lágrimas por conta de alguma reclamação. Fica uma coisa misturada de chorando e rindo ao mesmo tempo que dá vontade de te amassar.

ainda não temos novidades quanto à nova data da cirurgia. mas estamos mais calmos. todos nós.

beijoca.

















sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Senso de Humor

Gente, brigada de verdade por todas as mensagens de solidariedade. Eu sei que tem muita gente que torce, que sofre, que, enfim, tá junto com a gente. Não menosprezo nenhuma palavrinha de ninguém. Leio tudo o que me mandam. Só não tô no melhor dos momentos pra responder uma por uma com o carinho que merecem. Então, quis fazer aqui um agradecimento geral.

Tô num daqueles momentos mais quietinha, de recarga mesmo de energia. Por isso, não tô falando muito com ninguém. Nem atendendo telefone. Tô cansada de falar do mesmo assunto sempre, mas realmente não há mais nada na minha cabeça. Então, pra não ser chata e, principalmente, não me sentir chata, tenho evitado a 'vida externa'. Tô na minha aqui, cuidando do meu pequeno, rezando para ele tomar um pouquinho de leite, água ou mingau que seja e respirando fundo para levar mais um dia.

A única pessoa que eu realmente tenho aceitado e necessito, na verdade, é meu maridão. Sem ele, eu não sei se conseguiria 'levantar'. Digo pra ele sempre, mas não custa deixar registrado que ele, além de ser um pai nota 1000, está conseguindo aguentar a nossa barra de uma maneira fenomenal. Não sei mesmo como ele consegue. O homem não se deixa derrubar. Não sei se por mim ou porque ele tem uma baita força mesmo. Ou se por você, Antonio. Acho que é por você.

Agora mesmo, eu tava bem caidinha e falei pra ele bem cansada:

- Será que a gente vai conseguir um dia viver tranquilos, sem tanta preocupação?

E ele, me olhando com a cara de 'me chamando de tonta' dele, fala:

- Não, Adriana. Vamos viver uma vida de sofrimento eterno.

Esse é seu pai, filhote. Uma fortaleza, que não perde a fé, não perde o senso de humor, não deixa a peteca cair. Tomara que você saia a ele. Boa noite.

Ainda não será dessa Vez...

Filho, na verdade é mais para o povo que nos acompanha,

ainda não será a hora de fazermos a cirurgia. Você pegou um resfriado brabo e por conta da febre alta e da baixa da imunidade, não vai poder operar amanhã. Mamãe ficou arrasada na hora em que o médico disse que teríamos que voltar pra casa e voltar só daqui a uns dez dias... mas, isso foi ontem.

Hoje acordei um pouco melhor. Sei lá. Já aprendi que não adianta muito ficar chorando e se perguntando por que as coisas acontecem. Não vou mentir pra você. Estou muito cansada, exausta com essa história toda que já dura mais de dois meses, fraca. Mas a gente vai dar um jeito. Agora, preciso me concentrar em cuidar do seu resfriado que tá bem forte. E como você tá fraquinho e não come bem, pode demorar a passar. Mas graças a Deus te examinaram ontem, antes de irmos, e parece ser só secreção alta. Seu pulmão tá limpinho.

É isso, gente. Não tenho mais muito o que dizer. Não estou revoltada com o mundo, mas também ainda não consegui achar a Poliana que existe em todos nós. Sei que muito provavelmente me dirão que vai ver não era a hora e vai ver, não era mesmo. Mas tá difícil de levar um dia após o outro. A barriga tá crescendo, eu tô cada vez mais cansada e essa preocupação sem fim que não passa por ele não comer está me consumindo. Às vezes, eu acho que não vou mais aguentar. Mas aí, eu lembro que eu não tenho essa opção. E continuo em frente.

obrigada a todos pelas mensagens, apoio, etc.

beijo da mamãe, filho. Melhora logo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ufa...

Oi Pitoquinho...

Mamãe está escrevendo diretamente do hospital. Estamos instalados já. Mas, olha... que sufoco! Não foi fácil até chegarmos ao quarto ontem e nosso dia hoje também está bastante agitado.

É tudo muito demorado, muito confuso... parece que o fato de você ser uma criança não conta muito e deu estar grávida, menos ainda... Chegamos ao Copa D'or ontem às 17h, exatamente como nos foi mandado. Aí, até foi rápido para sermos atendidos na emergência. Mas foi só. Depois vivemos momentos bem chatos de estresse na enfermaria até conseguirmos a liberação da internação para subirmos pro quarto. Tiveram que tirar seu sangue de novo e foi aquela luta...; e depois vimos um entra e sai danado de crianças dodóis. Sei que só subimos às 20h! Não sei se por burocracia do hospital ou demora de autorização do plano, mas o fato é que tomamos um chá de cadeira. E nessa brincadeira, você não conseguiu dormir por causa da barulheira. Conclusão: tava exausto e muito, muito, muito irritado. Mas aí, o seu super papai resolveu entrar no chuveiro com você e lá vocês ficaram quase meia hora. Impressionante como você ama tomar banho, Antonio. Aliás, adora água de um modo geral. Saiu calminho, calminho, tomou seu leitinho e apagou! Até de manhã! Grande papai. Olha aí, as fotos pós-banho que ele tirou:
















Certo. Mas aí, veio o hoje. De manhã, tava tudo indo bem. Você tomou leite e até comeu um pouco do creme de ameixa que te trouxeram com a sua remediarada toda. Depois, apareceram suas duas vovós! Brincamos, vimos televisão, até... a notícia de que o médico tinha pedido pra te colocarem uma sonda no nariz para te alimentar melhor por ali.

E é isso o que a mamãe mais quer deixar registrado aqui para de repente ajudar no futuro alguma mãe amiga. Não deu certo. Não funciona e não vale à pena. Pelo pouco tempo que falta até a cirurgia, pelo estresse gerado e, principalmente, pelo incômodo que aumenta muito a sua já presente irritabilidade. Enfim, foi um filminho de terror que vivemos agora à tarde, mas serviu de lição. Desde o início, mamãe já achava que não seria boa ideia e seu papai, do telefone também foi categórico dizendo que seria burrice. Mas... resolvi que precisávamos tentar, antes deu tomar alguma atitude. Primeiro, levamos um susto com a grossura do troço que teria que passar no seu narizinho. Aí, pergunta daqui, pergunta dali, tinha que ser esse mesmo. Na hora de colocar, você reclamou e tal, mas até que foi rápido. Pior foi depois. O tempo foi passando e você não parava de reclamar, de chorar e tome de secreção... O auge foi quando você começou a fazer ânsia de vômito sem parar e a se engasgar com a saliva em excesso. Bom, dei um basta, liguei para o médico e falei que não tava rolando. Ele até que foi bem eficiente, acreditou em mim e rapidamente ligou para a plantonista para mandar tirarem a sonda. Como é bom quando os médicos não duvidam da gente... Ganhou pontos o Dr. Nicanor.

Quando tiraram, tadinho..., o negócio já estava lá em cima, quase saindo, tamanha a força que você já tava fazendo sozinho para expulsar...

E assim estamos. De volta a nossa dieta particular de leitinhos de tempos em tempos e um pouquinho de papinha pra enganar. Acho que se viemos assim até aqui, mais dois dias não vão fazer tanta diferença. Melhor passarmos esses dois dias tranquilos do que incomodados, né, filhote?

É isso. Perdoa a mamãe por não ter intercedido desde o começo, mas eu quis tentar ver se você se adaptava e de repente ficava mais nutrido e forte para a cirurgia. Prometo que sempre farei o que eu achar melhor pra você no momento, mas que também nunca exitarei em mudar rapidamente de ideia quando eu perceber que não funcionou.

Beijo, perereco. Contagem regressiva, hein!

Só queria terminar dizendo que você nunca perde o seu sorriso. Mesmo depois de gritar, espernear... você encontra ânimo para rir. Incrível.

Com sonda ainda:


Sem sonda!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O DIA Da cirurgia

Tam, tam, tam... Tam, tam, tam... Tam, tam, tam! Peteteco, finalmente marcamos o dia da sua cirurgia! Quem diria que euzinha, sua mamãe aqui iria dar essa informação com tamanha empolgação?! Pois é, pra você ver como o negócio tá sinistro... Estou infinitamente mais aliviada de já ter data do que continuar passando por dias em que você come menos que um passarinho...

Olha, talvez por essa razão, pelo fato de estarmos tão seguros agora quanto à decisão de fazer a gastro, acho que tudo pelo que passamos foi válido. A espera, a demora, o adiamento... Vejo agora como um longo e necessário processo de amadurecimento para todos nós. Como diz seu papai, nada é sem motivo, muito menos quando se refere à você. Pra ele, tem muita gente, ou seja lá como podemos chamar, olhando e cuidando do nosso perereco de outras esferas. Então, que assim seja. Que venha logo o sábado, 24 de setembro, às 8h da manhã, isso é o próximo sábado. Anotem aí. Para quem quiser fazer uma visita, o hospital será o Copa D`or.

Tudo foi decidido hoje, na consulta com nosso novo cirurgião. O conhecido Dr. Nicanor. (Aeh, Lorena, acabamos no seu antigo companheiro de sala cirúrgica). Era pra ser. E estamos satisfeitos com o fim de nossa busca. Gostamos muito dele, filhotinho. Nos passou muita segurança e foi tremendamente ágil no processo de marcação e coisas burocráticas. Quanto ao método que será feito, ele disse que vai ter que decidir na hora. Porque como você é muito pequenininho e magrinho, a laparoscopia pode não ser melhor que o método original. Mas, quer saber, a mamãe não está nem mais ligando pra isso. O que me interessa é que eu confiei no médico e agora quero mais é que a gente faça isso logo.

Como eu já tinha dito, para a coisa poder ser mais rápida, a gente vai precisar te internar antes pela emergência. E isso deve ocorrer amanhã ou depois. Sim! Já. E eu estou achando ótimo porque aí você já entra no soro e já começa a receber uma alimentação mais forte. Você tá fraquinho e isso não é bom nem para fazer a cirurgia. Por isso, é importante que a gente dê uma fortalecida em você até lá.

Bom, é isso. Mamãe está segura, aliviada e pronta para ficar grudada em você pelos próximos 10 dias mais ou menos em que vamos permanecer no hospital. É que depois do procedimento são mais de 5 a 7 dias de observacão. Ok, sem problemas. O que importa é que a gente faça tudo direitinho e saia de lá bem orientado e fora de risco de complicações mais sérias. Está aí um momento em que não devemos apressar as coisas.

Povo amigo, não precisa ficar melindrado. Se quiser ver o cenourinha ainda no hospital, serão bem-vindos. Só dêem uma ligada antes... Mas se não se sentirem confortáveis ainda, pela sonda na barriga ou por qualquer outro motivo bobo ou não, não há o menor problema. Umas três semanas depois, ele já irá trocar a sonda pelo botton e aí fica tudo bem mais prático e visualmente mais tranquilo. Estaremos prontos para outra e liberados para passeios ou para receber visitas em casa.

Vou tentar postar notícias aqui, diretamente do hospital, mas não prometo. Então, se eu não voltar, por favor: o momento é para torcer, rezar, pensar positivo e ficar feliz por nós, por mais essa etapa. Que já já estará vencida!

Abaixo, nosso último passeio pré-operatório, um café da manhã no Forte de Copacabana, na companhia de amigos queridos, que estão sempre ao nosso lado. Beijo da mamãe, peteteco!


Tia Thalita já tinha ido embora e não saiu na foto, mas tava lá!
































Que Deus te abençoe...