Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Evolução 2

Eletro feito. Alteração do traçado confirmada durante os malfadados espasmos. Mas... Até no campo das notícias ruins existem as notícias boas, não é verdade? E posso dizer que, apesar do exame em si ter sido um estresse total com você berrando horrores filhote e incomodadíssimo com o calor que fazia naquela salinha micra, nosso veredicto foi de certa forma um grande alívio.

Ainda não pegamos o laudo final e nem conversamos com a tia Laís de novo, mas disse a médica lá na hora que estava fazendo o seu exame que o 'traçado global' da sua atividade cerebral é ótimo. As alterações são esporádicas e coincidem com a tal microconvulsão reflexa, ela conferiu via vídeo já que seu exame foi filmado. Isso significa que, pelo menos por hora, esses picos desagradáveis não estão afetando o funcionamento geral da sua cabecinha, não estão causando nenhuma encefalopatia.

Mamãe já achava que você não estava ficando 'menos esperto' e tá aí a confirmação! Mas a medicação continua necessária porque sem ela existe o risco desse quadro evoluir. Por isso, começamos ontem à noite o seu remedinho sossega leão. E passamos bem o primeiro dia. Talvez eu tenha achado que você passou a noite um pouco mais inquieto e a manhã de hoje um pouco menos acelerado. Mas nada que faça uma diferença muito significativa. Você continua balbuciando pelos cotovelos, fez bem sua sessão na tia Eliane... Enfim, nada muito fora do normal. Espero que continuemos assim! Os espasmos ainda acontecem. Talvez, você tenha feito um pouco menos hoje. Não sei. Mas também um dia só de remédio não é suficiente para inibí-los.

E é isso aí. Vamos em frente que atrás vem gente. Seguindo no sucesso que fizeram os vídeos de Antes e Depois no balanço do patinho, vão aí abaixo um antes e depois de você tentando se manter sentado. Diferença de tempo entre um e outro: quase dois meses.

beijo nessa bochecha gostosa. E não esqueçam de votar todo dia até domingo!!!!!

Sentado Antes:


Sentado Depois:

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Convulsão Reflexa

Titulozinho desanimador, não é mesmo, meu povo? Pois é. Aliás, antes de começar aqui hoje, quero falar uma coisa engraçada: sabia que eu agora me preocupo com quem nos segue, filho? Veja só, nós aqui nessa luta sem tamanho e a mamãe preocupada em deixar nossos seguidores aflitos...

Mas, oh, por um lado isso é bom sinal. Mostra como não estou mais tão facilmente abalável. Como se eu já estivesse casca grossa aqui pelo dia a dia e pela adaptação que o sábio senhor chamado Tempo nos traz. Já nossos familiares, amigos e leitores em geral podem se impressionar um pouquinho mais.

Então, por onde eu começo... Bem, pacotinho, sabe os seus espasmos esquisitos que se pensou serem convulsões mas acabou que o seu eletroencefalograma deu normal e o diagnóstico ficou sendo algo como uma hiperexcitabilidade ou hipersensibilidade? Voltaram pra a suspeita inicial. Sim, ao que tudo indica agora, são mesmo convulsões. Microconvulsões. Reflexas. Devido a hipersensibilidade sensorial. Principalmente sonora e tátil, no seu caso específico.

É, meus queridos, 'bem-vindos' ao mundo dos falsos negativos. Dá até preguiça... mas vou tentar contar tudo o que aconteceu do antigo diagnóstico pra cá.

Dá para imaginar você fazer um eletro no seu filho, o resultado dar totalmente normal, a neuropediatra dizer pelo telefone que você pode ficar tranquila e aí, quando chega o dia da consulta, ela vê o seu filho e seus trimiliques esquisitos e esporádicos ao vivo e te diz que... "Na verdade, quando o eletro dá positivo para focos convulsivos, não há dúvidas. Mas quando ele dá negativo, não exclui". Hein?????? É isso mesmo. Até o eletro nesse mundo misterioso que é a neurologia pode pregar peças em você. Incrível.

Resumindo: pelo exame clínico dela lá, seus espasmos têm toda cara sim de serem pequenas convulsões já que - e isso eu não posso negar porque já senti segurando a sua mãozinha - são descargas elétricas mesmo. Ondas perfeitamente identificáveis.

Mas aí lancei a minha dúvida: "Mas, Laís, na maioria das vezes eu consigo notar exatamente o que causou o espasmo. Um barulho mais alto, a colher que toca no céu da boca, a gente fazendo força para abrir a mãozinha dele..." E foi aí que ela acrescentou o 'reflexa'. Eu não sabia, mas convulsões podem ser provocadas por estímulos sensoriais aparentemente inofensivos se o limiar sensitivo da pessoa é mais baixo que o normal. E, então, o quadro todo voltou a fazer sentido na minha cabeça.

Desde o início, a tia Suzane apostou que seu problema maior, filho, era uma desintegração sensorial. A tia Eliane, desde que começou a tratar de você, também mergulhou de cabeça nessa linha para direcionar a sua fisioterapia.
Explicando: é como se os seus sentidos estivessem todos embaralhados e desorganizados. Desde falta de consciência corporal até desfunções de audição, paladar e tato. Como se tudo flutuasse e cada hora você sentisse as coisas de um jeito. Um verdadeiro samba do criolo doido das sensações.

Ou seja, o tio Jofre não estava errado quando falou em hiperexcitabilidade ou hipersensibilidade. E a tia Tina não estava errada quando suspeitou de convulsões. Nem o seu eletro estava errado, porque ainda segundo a tia Laís, se não saiu é porque não é tão grave, já que não existe foco, cicatriz. Todo mundo tá certo. Só era preciso juntar as pecinhas para chegarmos à conclusão de que você tem uma desintegração sensorial que torna seu limiar sensitivo altamente baixo (hipersensibilidade). Tão baixo, que um simples estímulo como um toque num lugar mais sensível, provoca uma microconvulsão. Isso devido a uma imaturidade do seu cérebro ainda em formação. Capitou?

Complicado e cansativo, mamãe sabe. Mas é importante detalharmos tudinho porque alguma outra mamãe um dia pode precisar dessas informações todas para ajudar seu pimpolho também. É que Integração/desintegração sensorial é uma coisa muito mais comum do que se imagina, mas ainda pouco divulgada, diagnosticada e tratada.

Falando nisso, vamos ao tratamento: o seu, infelizmente, precisará de remédio. Desses de venda controlada. Pelo menos, por enquanto. O nome é estranhíssimo, mas parece que é o que há de mais moderno no mercado farmacêutico. Chama Depakote Sprinkle. E o princípio ativo é o Valproato de sódio. É chato, mas é necessário e o que podemos fazer é torcer para que um: ele surta efeito e cesse suas crises por completo. A expectativa é de que em duas semanas já diminua bem e em três ou quatro, suma. Dois: que você não tenha nenhuma reação adversa como falta de apetite, queda de cabelo, doenças epáticas ou pancreatite. A dose é baixa, tia Laís acha que não deve causar nada disso. Tomara. E três: que essa tal dosagem esteja correta. Não quero nem lembrar dos dias na UTI em que os médicos ficaram testando a dose ideal dos remédios que você precisou tomar na época e enquanto isso você ficou quase em coma induzido de tão apagado...

Mas, não vai acontecer nada disso. E é agora que convoco nossa corrente amiga para rezar, pensar positivo, torcer... por nós. De novo.

Mas, de novo também, mamãe não cansa de repetir nem pra você e nem pra quem quer que seja: não consigo olhar para a sua carinha e achar que você não está bem. Sinto que está. Sua evolução continua a olhos vistos. Vamos encarar apenas como um percalço aí no caminho que estamos trabalhando para consertar. E tem mais: se mesmo com essas crises, que poderiam atrapalhar muito, você conseguiu progressos incríveis, imagina só o que podemos esperar sem elas?! Já pensou? Avançarmos numa velocidade maior ainda sem espasmos desagradáveis para nos atasanar? Seria tudo de bom!

Bom, amanhã faremos outro eletro, desta vez acordado e com vídeo, para que você faça o espasmo durante o exame para vermos o que aparece no traçado. Não muda o tratamento, mas a tia Laís quer documentar o que for possível. Anotem aí: amanhã, 12h30 - eletro do Antonio Pedro e à noite, começamos o remédio. É a hora do início da reza amiga. Tamo junto!

beijo da mamãe. Pra você e pra todos que nos lêem com tanto carinho. Já votaram no Bebê Johnson hoje? Vai lá!

E, por favor pessoal, não desanimem, não fiquem excessivamente preocupados. Quero um clima de força em volta do meu pequenininho, vibrações positivas. Assim como esse sorriso dele que eu tenho a benção de ganhar várias vezes por dia. Dou notícias.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Bebê Johnson



Atenção amigos, amigas, familiares, seguidores e simpatizantes, Antonio Pedro acaba de ser cadastrado para participar da promoção dos bebês do calendário 2011 da Johnson. Pra ganhar, ele tem que receber trocentos mil votos. Sim, valem mais os clicks que a boniteza do rapaz. Se fosse só isso ele seria imbatível, não é não?

Bom, tá falado. Aqueles que quiserem participar da 'brincadeira', a gente agradece. Seria muito bonitinho ter nosso mini Alandelon estampado num calendário. É que já passamos da fase de achar que só nós aqui de casa achamos o moleque fora de sério. Ele é realmente bem acabado. Numa mistura cósmica e bastante improvável, a salada de gens conseguiu ser formada pelo que havia de melhor em papai e mamãe. Tenho pena dos meus outros filhos, já que eu e Cesar nunca mais conseguiremos repetir tamanha façanha...

É isso aí, povo, é só entrar lá no site: www.bebejohnson.com.br e procurar por Antonio Pedro. Vai aparecer essa foto linda e aí é só votar. O crédito da foto é da tia Flavis que registrou esse sorriso gostoso, num belo dia de sol e praia no Arpoador. E ah sim! Divulguem em suas listas, facebooks, orkuts, amigos e papagaios. Qualquer voto é bem-vindo! Cada pessoa pode votar 1 vez por dia. Ele está concorrendo apenas nesta semana de 13 a 19 de setembro para ser o bebê de junho 2011. Vamos lá, mão no Mouse!

beijo da mamãe babona.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os Outros

Um dos principais motivos da mamãe ter criado esse blog, pacotinho, foi para que as outras pessoas se sentissem mais confortáveis para perguntar sobre você. Desde que mamãe entendeu que você era uma criança que precisaria de mais cuidados que o normal, uma onda de pânico tomou conta de mim não só por estar diante de uma situação que eu não estava preparada - ninguém está -, mas por temer que os outros sentissem pena de você.

Então, antes de me deparar com expressões constrangidas, sorrisos amarelos e olhares de 'tadinho', rapidamente criei uma forma de deixar tudo muito claro para que quem quisesse entedesse exatamente pelo que estamos passando e não ficasse melindrado na hora de abordar o assunto. Isso mesmo, eu, que sou uma porta fechada, decidi fazer de nós um livro aberto em prol de um clima positivo a sua volta.

E tem funcionado. Ainda bem, minha estratégia tem sido totalmente bem sucedida. Assim, evitamos que nos tratem de forma diferente e barramos aqueles horríveis olhares distantes e sucessivos cochichos que só quem faz acha que ninguém percebe.

Bom, por que mamãe está falando isso? Porque mesmo assim, com todo esse cuidado que fiz questão de ter, volta e meia ainda me preocupo com o que os outros vão pensar de você. Só que como você tem essa cara de modelo mirim da Richards, quase nunca somos fuzilados com algum olhar preconceituoso, de pesar ou de curiosidade. Mas a partir do momento em que entramos nesse vasto mundo que é o das crianças especiais, acabo me refletindo e me solidarizando com outras mães que vivem situações parecidas com a nossa.

O problema, e eu já disse isso inclusive para uma mãe amiga, é que nem sempre o problema são os outros, mesmo que eles possam sim ser desagradáveis, insensíveis ou meramente inconvenientes. Muitas vezes, diria que na maioria, o impasse, a falta de tato, o 'piorar' da situação começa com a gente mesmo. Automaticamente, sem querer, acabamos vestindo o manto de vítimas e nos afastamos com desculpas do tipo: é difícil explicar o quadro, quem não passou por isso não tem como entender etc.

Também não é fácil admitir que essa distância inconsciente seja justificada pelo simples motivo de que é muito difícil ver como a vida do vizinho é 'simples', como o filho dele é 'normal'. Não queremos assumir, aliás, não queremos permitir que uma invejazinha, mesmo que explicável, se instale em nossos próprios olhares e pensamentos. Às vezes, muito antes dos outros nos olharem com pena, somos nós quem olhamos com cobiça. E por mais que nosso amor pelos nossos queridos filhos não mude um centímetro, é impossível não pensar como seria se também fôssemos uma daquelas mães ali ao lado.

Onde quero chegar com isso tudo? Sei lá. Não tenho muito uma conclusão porque não é algo por que se passa em um determinado momento e depois acaba. Não. Sempre estaremos suscetíveis a nos deparar com esses sentimentos ao olharmos em volta ou ao sermos olhadas.

Mas com o tempo melhora. Acho que é aí que eu quero chegar. Como em qualquer outra situação difícil da vida, você se acostuma. Disse isso pro seu vovô, pai da mamãe, outro dia: depois de um tempo, depois do susto com o furacão, você acaba aceitando e entendendo que aquilo é a sua nova realidade. E quando eu entendi que a minha vida agora era essa, passei a vivê-la da melhor forma possível. Eu tentava explicar ao vovô que não é só porque estamos vivendo um dia a dia de mamãe e bebê um pouco mais hardcore que o normal, que teremos, que eu terei, que ser tratada diferente, que devem tomar cuidado comigo, que evitem me contar ou me fazer participar dos demais problemas dos que estão a nossa volta. Claro que contamos com o bom senso da turma de, já que estão tão perto de nós, também dêem uma repensada no que é realmente um problema. Acho que assim como essa experiência toda tem sido enriquecedora e cheia de ensinamentos pra nós, também pode e deve ser para os que nos cercam.

E é isso aí, filhote, a melhor forma que a mamãe encontrou de lidarmos com isso tudo é essa: dividir com os outros as coisas boas e ruins que acontecem conosco. Falar sempre sobre você sem esconder nada, sem querer te preservar de nada. E é, acima de tudo, mostrar o quanto eu e você somos fortes, para que também nos passem força. E se, de vez em quando, mamãe der uma pequena suspirada ao ver um bebê da sua idade engatinhando freneticamente pelo chão como se isso fosse a coisa mais simples do mundo, me dê um desconto, certo? E, como eu falei outro dia, deixe que a gente até faça piada de nós mesmos, meu pequeno mamulengo...

Não é raro mamãe brincar com a nossa realidade nua e crua justamente porque ela não precisa ser cruel. E isso depende muito mais da gente do que dos outros.

domingo, 12 de setembro de 2010

Caraca, dez meses!

Como o tempo passa rápido, certo? Aposto que todas as mães têm essa sensação e comigo não é diferente, apesar de para mim haver uma pequena contradição inclusa. É que ao mesmo tempo em que eu acho que esses dez meses passaram voando e que, você pacotinho, já está um bebezão enorme e fortão, também tenho a sensação de que na verdade já vivemos dez anos, devido às incontáveis fortes emoções já experimentadas.

E isso, meu amor, mesmo me dando uma certa exaustão, também faz com que eu me sinta muito mais próxima a você, como se nossa ligação, nosso amor estivesse infinitamente mais fortalecido do que se tivéssemos vivido dez meros meses.

E ainda considero que esse nosso último mês representou uma espécie de maior idade neonatal pra você, já que você cruzou a linha dos nove e agora está há mais tempo aqui fora do que passou na babiga da mamãe. Coincidência ou não, estamos tendo dias de muito progresso ultimamente. Você tá que tá, filho.

Vou ficar por aqui hoje porque foi um fim de semana cansativo regado a muitos passeios, praia e à sua primeira festinha de criança. Na verdade, a primeira foi a do seu primico Arthur, quando ele fez três anos em janeiro passado. Mas você era tão pequenininho que não deve ter assimilado nada. Desta vez, ficou bem mais atento à criançada correndo pra lá e pra cá e à tia do violão, que cantou músicas deliciosas. A festinha foi da Carmen, filha da tia Déa, que é irmã da tia Lilian, muito amiga da mamãe. Adoramos a festa com decoração como antigamente, com tudo feito carinhosamente à mão; e cheia de comidinhas saudáveis e muito mais gostosas que as gordurebas de praxe. Mamãe se entupiu de sanduichinhos naturais, biscoito Globo, mate, milho e sorvete Itália. Nesse, você até deu umas lambidas. Era de tangerina.

Abaixo, um videozinho do seu parabéns pelos dez meses, num jantar na casa da vovó, na última 5ª feira. Você estava caindo pelas tabelas já, mas vale o registro. beijo da mamãe.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pacotinho e Pacotão

Pacotinho, hoje eu quero falar sobre a sua bisa. Aliás, você é uma criança muito sortuda que tem DUAS! bisas. Uma mora láááááá longe, em Portugal, e você ainda não conhece. Chama 'vó Cândida'. E a outra mora aqui mesmo, bem pertinho da gente. O nome dela é 'vovó' Ignez, mas mamãe a apalidou carinhosamente de Pacotão, em alusão a você, meu amado pacotinho.



É que, que nem você, a bisa está num intensivão de fisioterapia para, no caso dela, voltar a andar sozinha. Mais ou menos na mesma época em que você nasceu, ela começou a ter problemas para andar: fraqueza nas pernas, falta de equilíbrio, enfim, falta de controle dos membros inferiores. Como se o cérebro dela desse o comando e as pernas não obedecessem... Pra bisa, o maior problema são as pernas. Pra você, os braços e o tronco é que estão dando mais trabalho. Mas os dois precisam de muito exercício, muita força de vontade e muito carinho de todos em volta.

Graças a Deus, ainda em comum, pacotinho e pacotão têm uma alegria de viver que são essenciais nessa batalha. Enquanto você distribui sorrisos a torto e a direito, a bisa não economiza nas gargalhadas e é a primeira a fazer piada dela mesma. Incrível. Ontem mesmo, a gente foi visitá-la e ela nos contou passando mal de rir de quando ela foi tomar banho outro dia e acabou escorregando devargazinho, porque estava toda bisuntada de hidratante, até ficar sentada no box e ficar lá um tempão sambando pra lá e pra cá, até conseguir se apoiar nas barras e subir de volta. Segundo ela, parecia uma baleia ensaboada deslizando de um lado pro outro, rindo. Sim, durante o processo, diz ela que ficou se escangalhando de rir até parar e colocar a cabeça pra funcionar. Foi quando ela teve a ideia de ajoelhar e ir se apoiando nas barras.

Essa, pacotinho, é uma das maiores lições de vida que você pode e deve aprender: rir de si mesmo. Sua bisa sempre se comportou dessa forma e não é à toa que hoje está aí, com quase 82 anos e apenas uma falta de óleo nas engrenagens. Nem uma doencinha mais grave sequer... E olha que a vida dela não foi moleza, hein. Trabalhadora dura na queda até se aposentar da Companhia ferroviária, mãe de duas filhas, cozinheira de mão cheia desde sempre e avózona, daquelas que valem mais que mil babás. Ela ajudou a criar, um por um, todos os netos. Começando pela mamãe, a preferida e mais velha..., passando pela prima Teb e pela dinda Taty,










até o Delano, o mais novo e mais bonito. Isso até aparecer o meu pacotinho, para destronar o, até então, único homem do pedaço. O próprio Delano já se rendeu a você e também foi cativado por essa sua presença de espírito fenomenal. Tá louco para te pegar pelo braço e te mostrar as coisas boas e belas da vida.









A sua vovó, mãe da mamãe, já tinha observado bem aqui num comentário sobre quando mamãe falou que não sabia de quem você tinha puxado esse carisma todo, que a origem era justamente a sua bisa. Ela está coberta de razão.

Beijo no pacotinho e no pacotão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Passagem de Bastão

Pacotinho, hoje mamãe vai falar de uma coisa chamada vínculo. Algo que a gente cria por aí com algumas pessoas ou até situações. Alguns vínculos são quase pré-determinados como a relação mãe e filho, pai e filho, irmão e irmã e outros parentescos, com maior ou menor intensidade. Mas há também os vínculos que se criam ao acaso, naturalmente. Com pessoas variadas.

Mamãe sempre foi meio ruim de vínculo. Faz parte dessa minha personalidade desconfiada e fechadona. Entro pouco e deixo que entrem menos ainda. Isso não é a priori uma coisa boa. Apesar de me proteger de algumas roubadas, também me priva de coisas que poderiam ser mais intensas e interessantes. Mas cada um é como é.

Enfim, voltando ao nosso foco, vínculo gera apego. Apego gera carinho. Carinho gera sentimento. E foi essa gradação toda que a tia Bárbara, sua primeira fisioterapeuta, experimentou com você. E por mais que a mamãe seja essa aparente geladeira, também acabou se encantando por ela, mas especificamente pelo encanto dela por você. E, por isso, foi tão difícil dizer que íamos abandoná-la. Pelo menos, por enquanto.

Isso aconteceu na terça retrasada e, desde então, não sai da cabeça da mamãe fazer algum tipo de homenagem pública à primeira fisio que pôs as mãos em você. Devemos muito a ela os seus primeiros progressos, seu controle excelente de perna, sua melhora com as mãos e o início da nossa vitória com seu tronco. Queria muito ter dito isso tudo olho no olho, antes de deixamos o consultório pela última vez e deixá-la com os olhos marejados. Mas mamãe não disse. Exatamente por causa desse jeito fechado e aparentemente gelado de ser que, apesar de ter amolecido muito desde a sua chegada, ainda me domina e faz com que eu não encontre o modo, o tom, a coragem de me comportar como deveria. Uma espécie de timidez descabida, uma vergonha idiota de chorar também. Sei lá, como se eu cultivasse um medo eterno de me mostrar frágil. E não me pergunte porque ser frágil é ruim. Não é. Mas vai dizer isso para a minha cabeça doida...

Bom, está dito. Devemos muitíssimo a tia Bába e nunca iremos esquecê-la. Não sei se um dia voltaremos ao consultório dela, mas faremos questão de mantê-la informada do seu progresso. Ela merece. Pelo carinho que teve com você desde o início e pela elegância de entender nossa nova tentiva no final.





E como mamãe já disse aqui, nossa nova tentativa chama-se tia Eliane. Um amor de pessoa, que também se derreteu toda por você logo de cara. É difícil não se apaixonar por você, pacotinho...

E estamos indo de vento em popa! Aliás, por falar em popa, suas sessões na tia Eliane já estão sendo uma espécie de treinamento para seu futuro como velejador, sonho mór do papai. É que o motivo de termos 'nos mudado' para o consultório dela é uma estrutura de madeira, presa ao teto e suspensa no ar.

Ela sobe com você naquilo e faz ali as posturas e exercícios que você tanto precisa. A vantagem é que como o troço balança, tira um pouco o foco do esforço, te destrai e você aceita mais fácil a malhação.

Fora que o balançar é ótimo para ajudar no seu equilíbrio, já que te obriga a ficar fazendo auto-ajustes o tempo todo. E, oh, uma semaninha de três sessões com a tia Eliane e posso jurar que você tem oscilado bem menos aqui no nosso dia a dia. Incrível!




E assim estamos, pacotinho. Pra lá... e Pra cá... Pra lá... e Pra cá... Seja bem-vinda, tia Eliane!

sábado, 4 de setembro de 2010

Evolução

Filhote, tem uma frase que diz assim: 'Depois da tempestade, vem a bonança'. Tá certo que a nossa bonança total ainda nos aguarda lá na frente, mas essa semana que passou foi de muito, muito, muito progresso pra gente, pacotinho. Mamãe já tinha reparado, mas a confirmação veio com o parecer da tia Suzane, que assim que te viu no meu colo, imediatamente, abriu um sorrisão atestando como você estava mais durinho.

Essa foi nossa primeira semana da fisio três vezes com a nossa nova tia Eliane e um dia de tia Suzane. Tudo de manhã, para fazermos uma rotina, como mamãe queria. E, a princípio, tá dando super certo. Você ficou bem disposto todos os dias, chorou muito pouco e rendeu beeeeeem mais. Acho, achamos, que seu progresso veio daí. Como você estava mais atento e receptivo, absorveu mais com essa inteligência nata que Deus lhe deu.

É impressionante como a coisa às vezes funciona como um click mesmo. De uma hora para outra, você 'pum' tem um estalo e aprende algo a mais. Na quarta na tia Eliane, vivenciamos um assim: você há tempos, desde que consegue pegar as coisas, pega e leva tudo direto à boca, não importa o quê, nem o tamanho. Mas, no finzinho da sessão de quarta, você, sei lá porquê, resolveu prestar mais atenção no que estava fazendo e viu que quando você batia a mão num tamborzinho lá, ele tocava música. E, aí, ficou batendo outras vezes e olhando com seu bico de patinho o troço tocar. Foi muito bonitinho olhar você tendo essa descoberta. Daí em diante, você agora varia. Hora leva direto à boca, hora bate e espera ver se acontece alguma coisa. No dia seguinte na tia Suzane já foi assim. Tão bonitinho...

Outro progresso visível foi na mesma quarta, à tarde. Mamãe te levou na piscina do prédio da vovó e foi muito diferente da última vez que fomos lá. Mamãe ficou com você de bruços nos braços e você lá amarradão atrás do brinquedinho, espertão, sem deixar a cabeça cair. Antes, a cabeça tombava toda hora e você engolia água, tadinho... Mas agora não! Você tá segurando o cabeção que é uma beleza!

Por fim, pra fechar, mamãe te colocou no balanço do patinho e viu mesmo como algo mudou aí nesse pescoço e nesse tronco cada vez menos mamulengo. A prova está abaixo, num antes e depois de arrepiar. A diferença entre um video e outro é de mais ou menos três meses, talvez um pouquinho menos. Emocionem-se como eu. Aliás, juro que eu queria dar um beijo na bochecha de cada um que nos acompanha, que posta comentários incríveis, que manda mensagens de apoio, que tão aí como nossos seguidores. Enfim, vocês não sabem como essa torcida organizada me faz bem. Obrigada a cada um. Do fundo do meu novo coração, agora do tamanho do mundo.

E um beijo no narigo, filhote.

ANTES:


DEPOIS:

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Menos é Mais

Oi, meu amor. Mamãe hoje vai falar de uma coisa que, na marra, ela aprendeu ser muito importante. E, mais uma vez, gostaria de poder dizer isso mais especificamente a todas as mães de pacotinhos especiais como você.

É o seguinte, quando a gente se depara com uma situação inesperada como foi o seu caso, tudo o que queremos é sair correndo contra o tempo para poder fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Esquecemos de grana, mandamos as nossas necessidades para escanteio e ficamos cegamente concentrados em fazer o melhor, ou o que achamos que será melhor, para ajudar na recuperação do que há de mais sagrado em nossas vidas, nossos filhos.

Foi o que aconteceu conosco. Depois do choque inicial, começamos a apostar corrida com o relógio e fomos atrás dos melhores especialistas para nos auxiliar com o seu quadro. Assim, o tio Jofre foi inserido permanentemente em nossas vidas como seu pediatra, também pós-UTI. E foi por ele, e também por indicação do dindo, que chegamos a sua neuro, a tia Laís. Dela, para a tia Bárbara, sua primeira fisioterapeuta. Voltamos para a fono que te atendeu na UTI, a tia Tina. Daí em diante, para a tia Suzane, que passou a ser nossa amada T.O. Mais pra frente, paramos no Jockey, na escolinha Equitar, onde começamos a equoterapia. Conseguimos uma consulta na Rede Sarah, para ouvir novas e outras opiniões. Recentemente, incluimos uma nova tia, a tia Eliane, outra fisio, só que com uma mega estrutura que balança. E mamãe já estava com a natação na fila, só esperando o tempo esquentar. Fora a acupuntura, que eu vivia pesquisando pra ver se achava alguém que faça em bebês.

Ufa... Só de escrever já cansa, não é verdade, pacote?

Pois é. Esse é o ponto. Mamãe, no ímpeto de fazer o melhor, pode ter te prejudicado. Sabe a tal hiperexcitabilidade? Então, ninguém me tira da cabeça agora que ela pode estar sendo causada por estresse. Cansaço mesmo. Mamãe tava exigindo demais de você... Condiz certinho. À medida que fui inserindo mais compromissos pra você, os tais sustos e espasmos foram aumentando. Agora isso é tão claro... Tô com um nó na garganta, filho. E por mais que me digam que a culpa não é minha, que é assim mesmo, que a situação é muito difícil, que demora até nos adaptarmos, que os ajustes vão sendo feitos com o passar do tempo e que eu estou dando tudo de mim pra você, já chorei muito sozinha, com raiva por não ter visto isso antes. E ainda por cima, por achar que, no fundo, talvez eu até soubesse, mas forcei a barra porque quero que você se recupere logo. Como se eu tivesse pensado mais em mim, no meu sofrimento, do que em você. Desculpa. Do fundo do coração, meu amor, me perdoa.

Foi um click. Depois desse fim de semana em que você foi apenas um bebê, olhei pra você e no ato entendi o quanto isso é necessário. O quanto isso te faz feliz. E o quanto ficar feliz te faz bem. E me faz bem também. Porque o estresse e o cansaço também atingem à mamãe. E faz, inclusive, com que eu fique menos disposta para o nosso dia-a-dia.

E aí, Antonio Pedro, reformulamos a sua agenda. Pelo menos, isso a sua mãe tem de bom. Eu ajo rápido. Ainda que esteja puta da vida com a minha falta de sensibilidade anterior, minha praticidade permanente continua sendo uma qualidade.

Apartir de hoje, você só faz fisioterapia com a tia Eliane, porque você ama ficar balançando pra lá e pra cá e ela esperta aproveita pra fazer os exercícios ali em cima da estrutura que balança mesmo; e mais uma vez com a T.O., a Tia Suzane, que eu e você amamos de paixão aquele parque de diversões que é o consultório dela.

É isso aí, filhote. Trabalho agora, só com prazer. Malhação divertida é o nosso lema. E, importante, sempre no horário da manhã para assim termos uma rotininha de gente normal e não aquela coisa doida de cada dia um troço num horário. Assim, a gente acorda 6h30, toma suas vitaminas, vai malhar, volta, dorme, acorda para papar, brincamos um pouquinho em casa, depois a gente vai passear e brincar com os amiguinhos da pracinha, dorme de novo, acorda pra jantar, toma banho, espera o papai pra brincar e contar o nosso dia pra ele, depois a gente mama e mimi.

Tá bom? Mamãe jura que aprendeu que esse é mais um caso em que menos, às vezes, é mais. Tenho certeza que vamos ganhar mais tranquilidade, mais qualidade e mais convívio consciente. Teremos mais tempo, eu e você, só para nós dois.

E, com o tempo, a gente vai trocando, vai voltando pra uma coisa, pra outra... No verãozão, quem sabe, entramos numa natação e damos um tempo em outra coisa. Mais pra frente, quando você já reconhecer os animais, a gente tenta de novo o cavalinho... E assim vamos indo. Um passo de cada vez para que você consiga dar passadas maiores e mais seguras.

Tá dado o recado para quem, por acaso, se deparar com esse blog um dia e estiver vivendo uma situação parecida. Talvez, se alguém tivesse me dito antes, eu não teria deixado que a minha ansiedade vencesse minha sensibilidade.

beijo pra você, meu amor, meu experimento, minha vida.
Mamãe

domingo, 29 de agosto de 2010

Sol, Pinguim e Água Fresca

Filhote, nosso fim de semana foi sensacional. A começar pelo tempo que esquentou e está na medida; passando pelo seu ótimo humor, digno de neném relaxadão; até o inusitado de um pinguim cruzar o nosso caminho.

Bom, neste momento você está desmaiado com o seu pai e mamãe aqui está caindo pelas tabelas. Então, vou apenas ir citando nossa agenda e colocando ao lado as fotos que comprovam mais e mais o fato de que você é o bebê mais fotogênico do mundo!

Vamos lá, sexta-feira, papai chegou mais cedo do trabalho e demos uma volta até o Forte São João. O bacana foi que você, geralmente avesso ao seu carrinho, passeou quietinho admirando a paisagem.




Chegando lá, conseguimos pegar o pôr-do-sol e a luz te favoreceu muitíssimo. Olha só:







Sábado foi dia de ver o dindo. Ele veio nos visitar, depois de velejar com o papai, e fomos todos para a mureta do Bar Urca.



E foi lá que um pinguim de repente surgiu nos braços de um pescador. O coitadinho foi parar na Baia de Guanabara, vê se pode!?




À noite, a gente jantou no tio Luiz e viu todo o povo que a gente adora do Terra Extrema. É impressionante como todos tem um carinho enorme por você... Infelizmente, não temos fotos dessa parte. E domingão, começamos com um café da manhã na casa do tio Antonio e da tia Andrea, que acabaram de voltar dos Estados Unidos com malas cheias de coisa para a priminha que vem aí. E depois ainda pegamos uma piscina!






Pacotinho, você tinha acordado às 8 da manhã e já eram 3 da tarde... mas, mesmo sem dormir e sem mamar há um tempão, dá uma olhada no seu humor:





E, enfim, depois de muita farra - você é um neném muito passeador, como diz a tia Margareth -, meu anjinho dormiu. Descansa, meu amor. Você merece. Só quero te dizer que mamãe está muito, muito feliz por ver você assim, tranquilo, feliz e alegre. Você não imagina a paz que isso me traz. beijo da mamãe.