Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fada do Dente

Filhinho, antes de começar deixa a mamãe explicar uma coisa: com o tempo você vai ver, aliás a essa altura já deve ter visto, que mamãe é bem ansiosa. Tô falando isso porque coloquei fada do dente no título, mas na verdade a fada do dente só aparece quando cai um dentinho e a gente coloca debaixo do travesseiro em troca de um presente pela manhã. E, no caso hoje, eu vou falar do seu primeiro dentinho que está apontando! Sentiu o grau da ansiedade? Essa é sua mãe. Mas, oh, já fui pior hein. Desde que você nasceu venho ganhando prêmios e mais prêmios pela minha paciência, antes totalmente inexistente.

Mas vamos ao que interessa: você está com uma serrinha na parte debaixo da boca, filhote! E foi a mamãe que sentiu pela primeira vez! Quem manda não tirar o meu dedo da boca?

A gente já tava desconfiado porque apesar de você sempre ter babado bem, ultimamente estava parecendo um buldoguisinho.

E aí, foi tiro e queda. Lá vem seu primeiro dentinho aí. Data registrada: 30 de julho de 2010, aos 8 meses. Tomara que essa compense todas as outras que eu já perdi... Sua avó vive me criticando por eu não ter anotado no seu álbum de papel o dia do seu primeiro banho em casa, do primeiro sorriso, da sua primeira papinha...

Tava muito ocupada aprendendo nossa nova rotina, pacotinho. Não tive tempo para isso não. E como arrependimentos não fazem parte do meu lema, vamos pensar agora no daqui pra frente. E ainda temos muitas estreias por vir. Você ainda precisa sentar sozinho, engatinhar, andar, falar mamãe, papai, comer sozinho... anotou? Vão bora que eu não tenho a vida toda não, hein. Avisei da minha ansiedade.

Que venham muitos dentinhos, filhote. beijo da sua mamãe.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Balangando

Balangando significa balançando, filho. É que seu pai tem mania de inventar umas terminações diferentes para as palavras, mamãe não sabe bem porque. Mas o pior é que o negócio acaba pegando e quando vejo, tô falando que nem ele...

Acho que já disse aqui o quanto balançar é importante pra você. Vale tudo. Desde o balancinho do aconchego do colo até um balanço heavy metal que tem na sala da sua terapeuta ocupacional, a tia Suzane. No meio do caminho, entram balanços medianos como rede, o balanço da pracinha sentado no colo da mamãe, seu balanço de patinho que a tia Tina emprestou, a bola de pilates... e por aí vai. O importante é balangar. E, ainda bem, você adora! Cai na gargalhada. Abre o bocão risonho, é uma festa.


A explicação para a necessidade de balançar é que sempre que você está em movimento, você automaticamente precisa ficar auto-ajustando seu equilíbrio. O fato de estar balançando te distrai, tira da sua cabeça qualquer outra coisa que te irrite e te faz se concentrar apenas em se organizar. E organização é uma das suas, - das nossas - palavras de ordem, pacotinho.

Grande parte do seu problema está na desorganização. Seja sensorial ou motora. E é impressionante como funciona. Como você se acalma. Como surte efeito. Às vezes, você tá que tá. Duro feito pedra, retesando os bracinhos, se esticando todo, gritando, dando faniquito.... Mamãe começa a balançar, parece que você esquece do que estava te irritando. Incrível.

Tudo isso pra dizer que ontem recebemos uma notícia ótima da mesma tia Suzane, que estava de férias e não te via há um mês. Ela ficou bem animada com o seu progresso. Disse que notou muitas diferenças. Que você melhorou muito! E nos deu os parabéns. Pra você que tá se esforçando e pra mamãe que está no projeto dedicação total.

Fiquei tão feliz, filho... Tão segura do que estamos fazendo. Tão certa dessa missão que tomei pra mim de te dar todo o apoio que uma mãe é capaz de dar. E tô descobrindo, filhote, que eu e você somos capazes de muito mais coisas do que eu imaginava. amo você. mamãe.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lua, oh Lua...

Filhote amado,

mamãe e papai estão bem tristinhos esses últimos dias. Não, não tem nada a ver com você. Nosso pacotinho continua só nos dando alegrias. Mas é que a Lua, a nossa cadelona, está dodói. Na verdade, não é bem dodói. E esse é que o problema...

A Lua é uma pastora alemã enorme, dourada, linda, linda, linda que está com o papai há bastante tempo. Mamãe chegou depois na vida dela, mas foi adotada com todo o amor que um cachorro é capaz de dar. Isso mesmo. Ela me adotou para ser a mamãe dela também. A Lua é uma espécie de sua irmã mais velha, apesar de pela idade, já ter anos suficientes para ser uma outra bisavó sua. Lua está com cerca de 15 anos, não sabemos ao certo. E isso pros au aus é tempo à beça...


Várias vezes achamos que ela não ia aguentar mais muito tempo, mas ela continuou lá firme e muito, muito, muito forte. Lua sempre chamou atenção na rua. Mamãe e papai cansaram de sentir um baita orgulho dela enquanto estávamos passeando e éramos abordados por outros donos de cachorros que queriam cruzar seus filhotes com ela ou simplesmente por gente que queria elogiar a beleza dela em voz alta. Fez muito sucesso a Lua e por bastante tempo. Pena que nunca pôde ser mamãe. Ela teve problemas no sistema reprodutor e precisou tirar as mamas e o útero. Aguentou umas três ou quatro cirurgias sérias, sem pestanejar.

Lua mudou-se do Alto da Boa Vista onde o papai morava antes de conhecer a mamãe para um apartamento pequeno na Urca, quando mamãe e papai foram morar juntos antes de casar, e se adaptou incrivelmente bem. Sempre achamos mesmo fora de sério ela, que nunca havia saído pra passear e estava acostumada a correr num espação, aprender em menos de uma semana a usar coleira; passear na rua cheia de barulhos de ônibus, carros e etc; e ainda que cocô e xixi era do lado de fora. Uma lady a Lua, filhote, sempre foi.

Elegante, altiva. Loira, alta e magra. O terror da cadelada invejosa... O Rex veio no pacote junto com ela e apesar da mamãe ter simpatizado de cara com ele, sempre me identifiquei mais com a Lua. Na dela, sabe? Não chateava ninguém. Sempre muito limpa, com cara de responsável.



Então, só que agora a Leleca está arriada. Literalmente. As patas traseiras dela não levantam mais e agora ela depende totalmente do papai e da mamãe para levantar, para limparmos ela, para levá-la até a comida e a água... Já esperávamos por isso há um tempo. Displasia é algo comum em raças grandes. E ela vinha apresentando fraqueza nas pernas há um bom tempo. Mas nunca estamos preparados para quando acontece.

Ainda mais no caso da Lua. Que não tem mais nada. E era a isso que eu me referia no início. Que o problema é justamente esse. Ela não está doente. Não parou de comer, de querer fazer as coisas, não tem nada de errado com nenhum órgão, nenhuma doença mais grave tipo diabetes... Só a perna que não levanta mais. Mas esse 'só' é uma coisa enorme que dói no coração toda vez que a olhamos com carinha de triste por ter feito xixi onde ela sabe que não devia, mas porque não consegue levantar. É muito, muito triste, pacotinho.

Não sabemos mais quanto tempo ela vai aguentar ficar assim e nem mais quanto vai nos doer olhar pra ela incapacitada todos os dias. Estamos fazendo tudo o que podemos. A limpamos o tempo todo, viramos ela de lados diferentes para não machucar ainda mais a pele, procuramos dar comidas mais gostosas para tentar deixá-la alegre...





















Tomara que ela não esteja sofrendo muito.

Mamãe não queria te deixar triste. Mas quero que você saiba quem foi a Lua. Então, quis deixar aqui uma espécie de homenagem pra ela. Com muitas fotos lindas, para ficarem na sua e na nossa memória. Pra sempre.

beijo, pacotinho. Tomara que você também ame os animais.

domingo, 25 de julho de 2010

A cara do papai?

Oi meu mamulengo mais fofo do mundo, mamãe te chama carinhosamente de mamulengo também, tá? Mamulengo são aqueles bonecões meio desengonçados, mas muito simpáticos. Tipo você, meu filhote fofo toda vida. Meu bonecão do posto.

Mas, vamos ao que interessa: hoje mamãe quer criar polêmica.

Seguinte, existem correntes que te acham parecido com o papai e outro pesssoal que acha que você está cada vez mais parecido com a mamãe aqui! Seu pai encabeça o grupo 1 e vive sacaneando a mamãe, dizendo que um bebê nórdico que nem você não poderia nunca ter puxado minhas origens dignas da miscegenação brasileira. A verdade é que seu pai adora tirar onda de europeu, apesar de ter a maior cara de argentino...

Mas, enfim, o fato é que quando você nasceu, até eu te achei um mini Cesinha. O formato da cabeça, o conjunto do olho com a testa, sua pele alva e esse cabelo meio ruivinho que Deus te deu realmente te inclinavam para o lado do papai.



Mas aí, você foi crescendo, engordando, ganhando essas bochechas fofas e um olhar cada vez mais expressivo. Tudo bem que a pele e o cabelo, o colorido - digamos assim -, continua sendo dele, mas essa boca, esse nariz... essa careta inteira aí, tá muito mais pra mamãe, filhote!

E eu tenho provas! Cavuquei lá nos álbuns antigos da mamãe bebê, que sua avó guarda junto com outras milhões de tralhas na casa dela, e achei algumas que poderiam muito bem ser confundidas com fotos suas!

Olha aí:







E, aí, somos ou não somos cara de um, focinho de outro?

beijo da sua mamãe.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Integração Sensorial

Oi filho, hoje mamãe vai falar um pouquinho sobre integração sensorial. Uma coisa que você precisa muito melhorar. Mas que mamãe seja justa, já evoluímos bastante.

Há um tempo você tinha aflição de uma porção de coisas como quando colocávamos a mão no seu rosto para lavar sua boca, por exemplo. Ou quando encostávamos a planta do seu pé no chão. Até de água, você tinha um pouco de nervoso. Esse quadro está de acordo com a sua malfadada lesão. É muito comum que pacientes lesenionados na parte motora também apresentem dificuldades na parte sensorial. Aliás, a tia Suzane, sua terapeuta ocupacional, foi a primeira a nos dizer que para ela a sua questão principal era essa e não a falta de movimentos em si.

Segundo ela, você tem todos os movimentos. O que te falta é uma maior consciência do seu corpo e para que cada coisa serve. E isso foi uma notícia bem boa. Já que é mais fácil tratar essa questão sensorial do que uma real ausência de movimento.

Desde então, passamos a te pentelhar o tempo todo. E muitas coisas entraram na sua planilha de atividades. A principal delas é a escovação três vezes por dia. O que é isso? Mamãe tem que te lustrar com uma escovinha específica, utilizada em hospitais, no mínimo três vezes por dia. Isso ativa as sua terminações nervosas e deixa um estímulo no seu corpo todo durante cerca de uma hora. A coisa é séria mesmo. Houve estudos que comprovaram a eficácia dessa prática. Por isso, mamãe faz de tudo pra conseguir cumprir essa meta de três vezes por dia.

O toque também é outra coisa muito, muito importante. Te apertar, fazer carinho, fazer massagem, beijar bastante suas bochechas fofas, passar a mão nos seus pezinhos... Essa parte mamãe adora. Poderia ficar o dia todo apertando essas bochechas. Eu e o tio Jander, que mamãe já disse aqui que não se aguenta tamanha a sua fofurice.

Colocar seu pé na terra na pracinha, te levar pra praia pra brincar com areia, a tal brincadeira com feijão, com macarrão, com chantily. Passar sua mãozinha em toalhas, nos nossos amados cachorros, no cabelo da mamãe... Quanto mais texturas, temperaturas, gostos diferentes melhor.

O objetivo é a dessensibilização. Tirar essa sua aflição aí que é bem aflorada e fazer você não encolher os dedinhos ou virar o rosto quando algo sensorial acontece.



Você já melhorou muito como eu disse lá em cima. Atualmente no banho, por exemplo, mamãe pinta e borda com a água no seu rosto, passa o maozão e tal e você reclama muito pouco. Às vezes, nem isso. O feijão já virou seu amigo do peito. O pé na terra da pracinha também já até dá os seus tais passinhos serelepes. E você nunca recusa meus beijos e carinhos.

O que ainda pega é a escovação na planta do pé - mas que já foi pior -, nos ombros, nos braços e na palma da mão. Você atura, mas nitidamente se incomoda. Só nas costas e nas pernas é que não está nem aí. Já é uma grande coisa.

Outra coisa que você não gostava, mas na última vez que fizemos, você não se importou e até brincou foi mexer com papel celofane. Foi lá na tia Bárbara. A prova está no vídeo abaixo. Você continua só nos dando alegrias com seus progressos, pacotinho. Mamãe não cansa de sentir orgulho de você. Beijo na ponta do nariz.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meu Pó de Arroz

Filhote, a essa altura você já deve estar mais do que enturmado com seu time e a torcida tricolor, mas é importante mamãe deixar registrado aqui que você é fluminense desde criancinha. E não havia mesmo outra hipótese.

Quem te deu seu primeiro macacãozinho que hoje não cabe nem no seu braço foi seu avô Pedro, pai da mamãe e o maior responsável pela escolha do time da família. Desde que me entendo por gente, lembro do vovô berrando, gritando, sofrendo e torcendo pelo verde, vermelho e branco. Aliás, a primeira vez que a mamãe viu o vovô chorar foi numa final de um campeonato longínquo em que o flu perdeu. Vovô levantou do sofá, foi pra varanda e começou a chorar baixinho, encolhido num canto. Fiquei tão assustada, filho. Queria que ele parasse, perguntava se ele tava dodói. E ele respondeu que, sim, tava doendo muito. Dali em diante, mesmo sem entender muita coisa, passei a compartilhar da mesma doença. E é assim até hoje.

Talvez por não ter tido filho homem, seu vovô acabou exagerando no culto ao futebol comigo e com a sua dinda. E o que dizer? Funcionou. Ficamos fanáticas que nem ele.

Ao longo dos anos, conforme mamãe foi crescendo, era muito engraçado perceber como eu sabia e gostava mais de futebol do que as meninas da minha idade. E quanto mais velha eu ficava, mais orgulho disso eu tinha. Até porque sempre foi uma porta de entrada para a rodinha dos meninos. Não é à toa que a maior parte dos moçoilos que passaram pela vida da mamãe seja fluzão. Incluindo seu pai, mesmo valendo meio. É, papai diz que é Fluminense, mas vê os jogos, quando vê, lendo jornal. E isso deixa seu avô louco da vida. Não sei mesmo como ele sobreviveu à época do namoro sem ser banido do nosso clã tricolor.

Pois é filhote, quem vai te levar ao Maracanã é a mamãe e o seu dindo, o tio Renato, esse sim um digno torcedor que deixaria seu avô babando de orgulho. Acho que se a mamãe tivesse casado com alguém assim, o vovô faria tudo o que eu quisesse para sempre.

Mas quis o destino que eu escolhesse e fosse escolhida pelo nosso amado torcedor de araque, que hoje em dia é tido como uma espécie de figura engraçada para nós os verdadeiros tricolores da família.

Não sei como estaremos quando você for ler isso, mas quando você nasceu o Flu escapou de ir para a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro. No dia em que você nasceu, aliás, ganhamos um jogo decisivo. E confesso que mamãe respirou aliviada, pois estava tensa por ter colocado na porta do quarto do hospital um enfeitezinho dando as boas vindas a mais um tricolor que veio ao mundo. Deu sorte. Você deu sorte. Está dando sorte. Atualmente estamos em 2º lugar no mesmo Brasileiro do qual quase caímos ano passado. Está vendo? O mundo dá mesmo muitas voltas. E hoje você e o Flusão estão em franca recuperação. E a mamãe não poderia estar mais feliz com o progresso dessas duas grandes paixões.

love U. mamãe.

domingo, 18 de julho de 2010

Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para você, filhote!

Filhote querido, nunca me esqueço de uma frase da tia Lais, sua neuro. Na verdade, da resposta dela para uma pergunta da mamãe.

Assim que recebemos o resultado da sua ressonância, ficamos bem aflitos. Mamãe achou que estava mais preprada. Mas mesmo já careca de saber da tal história de que o exame não quer dizer muita coisa e o que conta é o quadro da criança, foi horrível receber o laudo em casa, num sábado à tarde, pega totalmente de surpresa. Estávamos esperando o resultado para uma semana depois. Só que a coisa adiantou e me desestruturou totalmente.

Eu estava sozinha em casa com você, quando tocou a campainha e um moço nos entregou aquele envelopão. Arregalei os olhos, subi, te deixei na cama e abri o envelope menor do laudo já com as mãos tremendo. Tava tão ansiosa que tudo ficou meio embaçado, mas a cada linha, meu coração foi disparando mais e mais. Eu não entendi quase nada, mas palavras como 'sequela', 'comprometido' e 'lesionado' ficavam como que piscando do papel em marca texto.

Larguei o troço em cima da cama, agora já com as pernas tremendo também, além das mãos. Corri pro telefone e liguei pro seu pai, já chorando e muito, muito nervosa. Ele tentou me acalmar e veio pra casa o mais rápido que pôde. E ainda que ele tentasse disfarçar, dava pra ver que ele também tinha ficado abalado. O pior de tudo é que sua consulta com a tia Lais seria no final da semana seguinte. Mamãe não aguentou esperar e ligou pro celular dela, implorando para que ela desse uma olhada no laudo que eu passaria por e-mail e já dissesse alguma coisa pra gente. E ainda bem, ela disse. No dia seguinte, mas disse. Não disse muita coisa, mas o suficiente pra nos segurar relativamente calmos até o dia da consulta quando aí assim ela olharia com calma as imagens todas.

E o dia chegou, o da consulta. E as palavras dela ao vivo foram um pouco menos tranquilizadoras que as do e-mail. Como médica, ela tinha que ser realista e nos falar com frieza tudo o que ela estava vendo. E o que ela viu, filhote, foi sim uma lesão bem grave, como já contei aqui. Mas também não deixou de reforçar insistentemente que a sua recuperação dependeria de você e da gente. E que a história de que a resposta da criança é mais útil que qualquer resultado continuava valendo. Ou seja, ela foi realista, mas de maneira nenhuma tirou nossas esperanças. Pelo contrário, deu mais indicações ainda de atividades para você fazer.

Foi então que no fim da consulta, mamãe perguntou: "Mas você acha que ele vai andar?" E ela então disse: "Quem senta, anda".

Bom, o que ela quis nos dizer, pacotinho, é que teríamos que ter muita paciência e ir atrás de um objetivo de cada vez. Antes de pensar em andar, tínhamos que torcer pra você sentar e assim por diante. Até você conseguir atingir todos os seus, os dela, os nossos objetivos. E assim fomos, meu amor. Daquela consulta em diante, que aconteceu em abril passado, intensificamos sua fisioterapia ainda mais; te colocamos na terapia ocupacional; na equoterapia; mamãe parou de trabalhar para se dedicar fulltime a você; e logo logo você vai entrar na natação.

Resultado: você hoje já fica sentadinho com apoio das mãos alguns segundos sem perder o equilíbrio. Para quem tá de fora, podem parecer passinhos de formiga, mas pra mamãe aqui, é um passo de elefante.

E por falar em passo, como mamãe já tinha dito, você ainda por cima, muito provavelmente por causa do lado ansioso que puxou da mamãe, já deu um jeito de dar seus passinhos. A gente sustenta seu tronco e você segue feliz da vida dando passadinhas que deixam mamãe e papai muito orgulhosos. Mostramos para seus médicos e todos foram unânimes em dizer que isso é muito, muito bom. Nos explicaram que há o reflexo da passada e a passada intensional e que no seu caso não há dúvida de que é intensional. Ou seja, quando seu tronco tiver 100%, vai ser só correr pro abraço. beijo da mamãe.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Antonio Pedro Pé de Feijão

Oi filho, hoje mamãe vai falar de brincadeiras. Oba! Bora ver se a gente faz esse povo rir, porque tem muita gente escrevendo pra gente dizendo que não pára de chorar. De emoção, é verdade... Mamãe está amolecendo coraçõezinhos por aí. Quem diria... Logo eu! Sou mesmo uma nova Adriana.

Bom, é preciso que eu te diga que brinquedo de criança é muito mais caro que as roupinhas que mamãe comprava pra ela. Ou seja, seu pai se fu... Era feliz e não sabia. Mas é impressionante, filhote. Qualquer trocinho que faz barulho é o olho da cara. Se piscar, então... Tocou música, ferrou, é assalto!

Mas, eu, como todas as mamães do mundo imagino, - ou pelo menos as que podem -, adoro comprar coisas novas pra você. Ainda mais porque nunca dá para adivinhar de qual traquitana essas lindas criancinhas vão gostar. Já gastei o equivalente a um vestido de casamento num super brinquedo que parecia um disco voador de tantas luzes, músicas e tal e você cagou na minha cabeça. Por outro lado, um chucalhinho de camelô, que veio até meio quebradinho, já foi seu companheiro noite e dia. São totalmente temperamentais, vocês crianças...

Ainda assim, continuo atirando pra tudo quanto é prateleira e vibrando quando acerto uma coisa ou outra. Atualmente, aliás já faz um tempo, seu brinquedo preferido é um livrinho sobre cores e formas, que fala o que está escrito e desenhado quando a gente aperta um botão. Você ganhou no seu batizado, da tia Piedade, irmã da tia Maria do Carmo, que é mulher do tio Zé Carlos, que é, finalmente, irmão do vovô Antonio! O que quero dizer é que às vezes as coisas que mais agradam podem ser dadas tanto pela mamãe que te vê todos os dias e teoricamente te conhece como ninguém, como por quem está bem distante, mas tem uma sorte danada de acertar na mosca. Dar brinquedos a crianças é uma espécie de loteria. Deveria ter prêmio.

Bom, outra coisa que você adora é seu chucalho colorido de madeira. Pesado que só, que deveria te machucar pela forma como você pega com tanta força, mas que você não está nem aí. Adora, mastiga, chacoalha... Quem deu esse foi a tia Cris, irmã do papai. Ela trouxe de Portugal quando você ainda nem tinha nascido. Deve ter sido tipo 2 euros...

Tem um também que você gosta, mas a mamãe gosta ainda mais porque as caras que você faz quando está olhando pra ele são as melhores! É um patinho tagarela, vindo diretamente do Caribe, na mala da sua bivó.

E quando eu falo tagarela não é mentira. Os botões só ligam, não desligam! Ou seja, apertou, o pato dana a falar e cantar e só pára depois de um longo tempo quando ele bem entende. E tudo em inglês! Seu primo Delano e seu tio Gennaro são testemunhas, já que foram eles que trouxeram a mala da bivó e vieram ouvindo o patinho incansável do aeroporto até em casa.

Tia Andrea e tio Antonio também te deram tipo uma TV psicodélica de pendurar no berço que é a maior viagem! Você fica doidão olhando pra aquilo. Já salvou a mamãe e a vovó muitas vezes, em momentos que nada te fazia parar de chorar.

Há pouco tempo, como suas mãozinhas estão melhorando e você tem consigo dominar mais seus movimentos, a gente tem brincado muito com coisa que aperta. Causa e consequência. É super importante, pois você vendo que tem sucesso, se anima pra continuar tentando fazer e com isso, os movimentos têm ficado mais coordenados.

Outra coisa que fazemos muito e que é essencial para sua recuperação é o balanço. Seja na rede; no tal balanço que ganhamos da tia Tina; ou no da pracinha, no colo da mamãe. Você adora. Ainda Bem. Cai na gargalhada. Pena que, em seguida, fica com soluço... Se não, mamãe ia ficar tentando te fazer gargalhar o dia todo. É uma delícia o som da sua gargalhada.

E, enfim, chegamos ao título aqui do post pra ninguém achar que mamãe é doida. É que brincar com feijão também é ótimo pra você. Aliás, com tudo quanto é textura diferente. Feijão, macarrão, chantily... É uma farra. Tia Tina mesmo fala pra mamãe lambusar bem sua mão, colocar tudo de comer na sua boca pra você sentir gostos e temperaturas diferentes. Tudo em prol da sua capenga integração sensorial. Mas quem inseriu o feijão em nossas vidas foi a tia Bárbara. Você começou no consultório dela e agora mamãe tem um potinho só seu em casa. Brincamos com ele quase todos os dias.

Neste video aí embaixo, mamãe ficou bem feliz porque apesar de você já estar meio cansadinho e com o equilíbrio bem ruim, tentou apoiar a mão no chão. E essa tem sido uma das coisas que estamos treinando arduamente na fisio. Sentar com apoio em mãos. Tamo quase lá, filhão! Beijo da mamãe.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Olha ela aí!

Enfim, eis a tia Tina, filho. Mamãe tava sem foto sua com ela, aí deixou pra escrever mais a fundo sobre a sua fono salvadora da pátria depois.

Tia Tina chama Maria Cristina Poyart, mamãe descobriu dia desses lendo a plaquinha da porta do consultório. Mas quando nos conhecemos, era só Tina, a fonoaudióloga. E isso foi há tempos. Lá na U.T.I da Perinatal. Graças a ela, você reaprendeu a mamar e, enfim, pôde voltar pra casa com a mamãe e o papai.

Deixa eu explicar melhor: todo nenenzinho quando nasce têm alguns reflexos imediatos. Um deles é sugar. Só que esses reflexos precisam ser estimulados nas primeiras horas de nascido para que a coisa engate. E, com você, isso não foi possível.

Em vez de pro meu peito, você foi direto pra caixinha da U.T.I. Como foi entubado, porque não respirava sozinho, ganhou também uma espetada na veia pra que fosse alimentado e hidratado com soro. E, depois, mesmo quando você já tinha saído do tubo, o soro se manteve, pois você precisou tomar alguns antibióticos preventivos. A novela continuou porque nas suas primeiras 48 horas de observação, você acabou tendo duas convulsões, o que fez com que precisasse de mais remédios. E durante toda essa lenga lenga, você continuou no soro e também recebendo leite por uma sonda.

Os tais remédios para controlar as convulsões, te doparam legal, filhote. E aí, até acharem a dose de manutenção que previnisse contra as convulsões, mas não te deixassem tão grogue, pode pôr duas semanas. Só aí você voltou a acordar aos poucos.

Ou seja, seu reflexo de sugar foi pra escanteio. Aí, olha a situação da mamãe: clinicamente, você já estava liberado para ir pra casa, mas só dava pra acontecer isso quando você conseguisse se alimentar sem a ajuda da maldita sonda. Nossa, quantas vezes papai e mamãe te deram leitinho pela sonda... ficamos craques. Nem precisávamos mais das enfermeiras. E era leite da mamãe, hein! Eu tirava todo santo dia na Perinatal de 4 em 4 horas, pra que você tomasse o meu leite e não o artificial. Tinha um baita orgulho disso. Eu era a campeã do lactário! Ninguém conseguia mais volume que a sua mamãe vaquinha aqui. Lá mesmo, eu comecei a doar leite para o banco do Fernandes Figueira. É, você divide seu lanche com amiguinhos desde pequenininho.

Enfim, foi aí que a tia Tina entrou na nossa vida. Com a nobre missão de te ensinar a mamar com a própria boca. Nunca me esqueço o dia em que eu estava desesperada, arrasada, por mais um fracasso com a chuquinha. Tava já sem forças, sem esperança. Achei que você não conseguiria nunca. E aí, tia Tina veio - já eram quase 11h da noite e nem era mais para ela estar lá-, e fez você tomar a mamadeira todinha! Você precisava ver a minha felicidade. Agradeci chorando. E, pela primeira vez em dias a fio, consegui dormir à noite quando cheguei em casa. Não sei se ela lembra desse dia, mas tá marcado como um dos mais importantes da vida da mamãe.

Dali em diante, você ficou meio irregular, às vezes mamando tudo, às vezes não. Mas aí, eu já era outra pessoa cheia de esperança e paciência.

E de repente, não mais que de repente, você engrenou e passou a mamar tudo vários horários seguidos!

E, então, aconteceu um outro dia que também é um dos mais marcantes da vida da mamãe: quando o tio Jofre, hoje seu pediatra e na época o médico chefe da U.T.I, cruzou com a mamãe no lugar onde lavava a mão e disse: "vamos programar a alta do Antonio para quarta-feira?". Era segunda à tarde. Explodi de felicidade. Também tenho esse momento gravado na memória claramente até hoje.

Eu e papai não queríamos contar pra ninguém. Queríamos sair quietinhos com você de lá e curtir nosso filhote em casa. Só nós três. Mas acabamos contando porque tinha tanta gente rezando, preocupada com você, que não achamos justo. Mas pedimos e fomos respeitados para ficar o primeiro dia em casa com você a sós.

Bom, me estendi. Mas voltando à tia Tina, foi mesmo graças à experiência dela, aos exercícios que ela ensinou pro papai e pra mamãe, que você passou a lamber os beiços.

Por que ela voltou a frequentar nossos dias? Bem, porque você logo largou a mamadeira e só quis saber do peito. Chupeta também, você jogou fora de cara feia. Não pegou. E aí, quando chegou a época de começar a papinha, suquinho, etc, mamãe tava tomando uma surra de novo.

Depois, ficamos sabendo que a sua questão motora também influencia bastante aí na sua dificuldade oral. Mais um motivo para recorrermos a santa tia Tina. Na primeira vez que voltamos a vê-la, agora já no consultório, você não queria saber de nada. Hoje já come sua papinha e suas frutinhas! Mamadeira é que: nem ela, nem mamãe, nem ninguém conseguiu te fazer tomar de novo. Brinco que você já é menino grande e só bebe de copinho e come de colherzinha.

E, assim estamos, filhote. Uma vez por semana tia Tina inventa uma moda diferente pra tentar fazer você comer e beber melhor. Já ganhamos bigode americano de Kinesio Tex; colher alemã molenga; copinho cortado; aprendemos a comer pulando em cima da bola de Pilates; cantando que nem doidos; e até no balanço! Nossa última aquisição. Mamãe saiu com um balanço de patinho debaixo do braço, mais sua bolsa, mais você... Se virando nos trinta. Bem ao estilo da tia Tina. Tudo ao mesmo tempo, agora. Acompanha quem consegue, e segue quem tem juízo.

Tomara que um dia a gente ainda possa agradecê-la com você mesmo falando obrigado. Essa é uma das maiores ansiedades da mamãe: saber se você vai conseguir falar sem problemas. Se não, tome de tia Tina!

beijo, filho!