Atenção!

"(...) apesar de ter mergulhado de cabeça nesse misterioso mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, não sou médica. Tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. (...) Enfim, não sou uma profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira".



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ai, que fofo, ele já tá engatinhando?

Não. Essa é a minha resposta frequente para a pergunta acima que volta e meia me é feita quando me perguntam como você está e com quanto tempo, filho. Geralmente por pessoas que, claro, não estão por dentro do nosso quadro especial e que, diga-se, não têm culpa nenhuma por isso. E, coitadas, na maioria das vezes o assunto surge para puxar conversa. Naquela típica situação onde os interlocutores não são íntimos e as partes estão apenas tentando ser simpáticas.

"Oi Adriana, como vai o neném?"; "Ai, que lindo! Com quantos meses ele está?"; "Ai, essa fase é uma delícia, né? Já tá engatinhando?". Mais recentemente, como você está ficando maiorzinho ainda, pacote, a coisa evoluiu para: "Ih, já tá andando? Deve estar uma peste."; "Eles não param quietos, né?"... E por aí vai.

A saia justa pra mamãe é que não quero que a pessoa se sinta mal por ter perguntado. Afinal, como falei, é totalmente inocente. Mas aí, faço o quê? Minto, tipo: "É, pois é. Uma peste..." numa espécie de omissão bem intencionada; falo a verdade: "Não." E deixo a pessoa meio no vácuo, meio sem graça ou até ainda na inocência para completar com: "Ih... mas você vai ver. Já já está correndo por aí"; ou explico o caso: "Não. Ele teve uma lesão cerebral e tem algumas sequelas motoras. Por isso, estamos fazendo fisioterapia". Coitado do indivíduo... Ninguém merece uma resposta nua e crua dessas. Difícil, não?

Pois é. E vou te falar que demorei para achar a melhor saída. Costumo sentir o clima e respondo dependendo da pessoa, do meu humor, do momento e, principalmente, do quanto eu acho que ainda encontrarei com aquele ser desinformado. Se é alguém 'de passagem' em nossas vidas, opto pelo "É, pois é, uma peste, menina...", a tal omissão pelo bem geral da situação. Mas se é alguém mais próximo ou que a mamãe costuma ver com mais frequência, aí lanço mão da minha meiguice recém-adquirida e explico com todo o carinho do mundo que você 'teve um probleminha quando nasceu e por isso precisa fazer fisioterapia para ajudar em alguns movimentos', assim sem maiores detalhes. E antes que a pessoa esboce um sorriso amarelo, completo com: "Mas ele está indo super bem. Já já recupera tudo.", o que não é nem um pouco mentiroso! Talvez o nosso 'já já' seja mais demorado, mas a gente chega lá.

Enfim, assim tenho conseguido evitar um mal estar totalmente desnecessário seja pra nós, seja para as outras pessoas.

Qual é o meu ponto aqui hoje? É que muitas vezes quando estamos nos sentindo injustiçados na vida, temos a tendência de nos agarrar a coisas pequenas para descarregar nosso desgosto e sofrimento. Como deixar, por exemplo, que perguntas inocentes nos atinjam como se fossem punhaladas no coração. Tomamos aquilo como uma espécie de ofença e abaixamos a cabeça, seguindo com pena de nós mesmos.

É muito fácil se deixar levar por esse pezar interior. Difícil é conseguir ter a clareza para ver as coisas com o peso que elas realmente tem. Neste caso, quase nenhum.

Ou seja, eu acho que vale um exercício de consciência para enxergar que a manicure do salão ou o vendedor da barraca de bananas de forma alguma quiseram tocar na nossa ferida. Pensa bem: para quê eles iriam fazer isso? Tá, existe gente má. Mas eu sinceramente prefiro pensar que muitas vezes a maldade está solta no ar, pronta pra se prender em quem está mais fraco de pensamento.

Já tive a fase de sentir pena de mim e até de você, meu amor, mas hoje tento levar nossa realidade apenas como... a nossa realidade.

Terminando, pro povo que não pode ver um vídeo aqui que sai correndo para ver antes até de ler o que a mamãe escreveu, vai abaixo mais dois da série "Evolução". O espaço entre esses é mais curto, cerca de um mês só. E acho que, por isso, talvez, os progressos sejam mais difíceis de serem vistos por 'olhos leigos'. Então, coloquei legendas em baixo deles, dizendo o que melhorou.


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pés aqui estão mais pra dentro; os joelhos raramente tocam o chão como apoio; o tronco está um pouco mais curvado; e os braços ainda têm tendência a irem para trás.

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pés melhores; joelhos com apoio no chão, ainda que não muito simétrico; tronco um pouco mais forte; e braços para frente. E ah! a careca que a mamãe odiava sumiu!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Medo

Oi filhote... mamãe deu uma pequena sumida. Motivos: falta de tempo pra sentar com calma para escrever e um pirepaque que você teve que deu um baita susto na mamãe. E é esse pirepaque que me 'inspirou' para o 'tema' de hoje: medo.

Já tinha um tempo que a mamãe não se sentia intimidada ou com bastante medo de que algo de ruim acontecesse com você. É uma sensação péssima que mistura tensão, incerteza e angustia onde nossa capacidade de fazer algo parece ficar totalmente limitada já que o que dá pra fazer é 'esperar e observar'.

Bom, sem muito drama, o que você teve pareceu uma hipoglicemia, uma espécie de queda de pressão, uma fraqueza, teoricamente por estar há muito tempo sem comer. E, ok, realmente você não tinha mamado naquela madrugada e comeu bem pouquinho da sua papinha de fruta de manhã, antes da fisio. Mas isso já tinha acontecido outras vezes e é muita coincidência ter sido justamente nesse período em que estamos tentando nos adaptar ao remédio chatonildo que, por mais que já tenham convecido a mamãe de que é melhor você tomá-lo, eu ainda te dou o treco todos os dias de cara feia.

Enfim, o fato é que você dormiu, que nem todos os dias quando chega da fisioterapia, e, quando acordou, estava bastante sonolento ainda. Até aí, tudo bem porque você estava mesmo mais inchadinho e com cara de sono nesses últimos dias devido à tal adaptação à medicação. Só que, de repente, a vovó chamou a mamãe com uma voz bem séria e estranha e quando cheguei no quarto você estava além do grogue. Te peguei rapidamente no colo e você parecia uma gelatina, nem conseguia abrir o olho e sua cabeça girava mole no eixo do pescoço. Junto com isso, você estava suando em bicas e bem frio. Minha adrenalina foi lá no alto, meu coração começou a bater a mil e, numa decisão rápida e impulsiva, te coloquei no peito pra mamar. Você começou bem devagar, mas foi voltando e mamando com cada vez mais vontade. Isso tudo deve ter durado, sei lá, dois minutos, mas me deixaram exausta e totalmente tomada pelo MEDO.

Até que eu realmente achasse que você estava melhor e, claro, depois de ter corrido atrás do tio Jofre e da tia Laís, senti muito muito muito medo, pacotinho. Não podia nem pensar em algo mais sério acontecendo com você...

Resultado: acabamos te levando no tio Jofre pra ele dar uma olhada, porque papai veio que nem uma flecha pra casa, depois que eu liguei pra ele e insistiu em te levarmos lá, mesmo que você já estivesse brincando e sorrindo de novo. Foi bom porque carimbamos nossa tranquilidade. Ele te examinou e disse que estava tudo bem e que pela minha descrição parece mesmo ter sido uma hipoglecimia que, apesar dele achar difícil estar associada ao remédio, pode ser sim que uma coisa tenha influenciado a outra. Ou seja, como você estava mais fraco e grogue já pelo remédio, sua resistência pode ter baixado um pouco. A tia Laís, sua neuro, também achou melhor irmos mais devagar com o andor e mandou ficarmos só na dose noturna para que você se acostume por mais tempo. Tínhamos passado já para uma dose à noite e outra pela manhã.

E assim estamos. Já passou. Mamãe já está melhor, mas foi um sustão. Isso aconteceu anteontem e hoje você já está totalmente normal. É dose, filhote... Ser mãe é muita responsabilidade. E um amor inexplicável.



Só para finalizar com responsabilidade: não sou contra o remédio. Tenho que adimitir que ele já diminuiu muito os espasmos e está te deixando mais organizado. O difícil mesmo é essa fase de adaptação. É mesmo muito complicada. Cada um é cada um e as reações são individuais.

sábado, 25 de setembro de 2010

Por que eu?

Todo mundo, sempre que se depara com uma situação aparentemente injusta e indesejada, pergunta: por que eu? por que comigo? Eu perguntei. Muito. Quantas e quantas vezes, passei um filme na cabeça, buscando 'o que foi que deu errado'. Dias, meses... não sei exatamente quanto tempo mamãe ficou presa a esses questionamentos sem respostas, pacotinho. E também não sei dizer quando é que foi que eu me libertei totalmente deles.

Mas o fato é que só quando a mamãe parou de bater nessa tecla, que consegui seguir adiante. Sem olhar para trás é um pouco forte ainda porque de tempos em tempos alguém toca no assunto e o tema 'o que foi que aconteceu no parto' volta para a roda de conversa. Mas juro que isso não é mais um calo no sapato. Não representa mais um obstáculo.

Acho que eu já comentei aqui que ainda não me encontrei religiosamente. Na verdade, eu achava que quando e 'se' eu sofresse um baque grande, tipo alguém querido ficar doente, aí sim eu ia apelar para todos os santos. Essa coisa de rezar, de correr pra igreja só quando se está desesperado.

Bom, isso não aconteceu. Mamãe até tava falando disso outro dia com uma grande amiga. O fato é que lá atrás, naqueles dias críticos de UTI, eu não me apeguei com unhas e dentes a Deus. Dizer que eu não dei nem uma rezadinha à noite, na hora de dormir, depois de mais um dia tenso e exaustivo, seria mentira. Mas fazia isso muito mais no impulso, no automático, para aquilo me dar uma acalmada, do que realmente com fé e esperança em algo divino. Não que eu não acreditasse que você ia sair dessa, filhote, só não estava depositando toda a responsabilidade nos céus.

E, bem, se eu não 'encontrei Jesus' naquele momento, que foi de longe o mais difícil da minha vida, acho cada vez mais complicado que isso aconteça algum dia. Mas...

Eu realmente acredito que tudo o que está acontecendo comigo, conosco, tinha que acontecer. Não foi por acaso. Acho mesmo que você veio parar onde parou e como parou por algum motivo. E esse motivo tem a ver sim com algo relacionado a nossa transformação em pessoas melhores. Eu, seu pai, seus avós, toda a nossa família. Acho de verdade que você veio para ensinar. Estou totalmente convencida dessa 'versão'. E isso não deixa de ser algo ligado a crenças divinas. O que leva a mamãe a concluir que sou bem mais... espiritualizada - prefiro do que religiosa - hoje do que há dez meses. E isso me conforta, tem me ajudado a seguir em frente, sem tropeços, sem dúvidas, sem mágoas, sem me sentir injustiçada. Pelo contrário, toda vez que olho pra você, minha sensação é de ter ganho na loteria. Não só por essa sua carinha linda de morrer, mas por tudo, tudinho, o que você já é. Tão pequenininho e tão grande...

Falei disso hoje porque um dos muito bem-vindos comentários recebidos esses dias falava mais uma vez de algo que já tinham me dito: que Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos.

Eu sei lá se foi Deus ou não, mas me sinto totalmente escolhida para ser sua mãe, meu amor. E se houver algo divino responsável por essa força tamanha que eu encontrei para cuidar de você, faria bastante sentido.

Tudo isso junto hoje responde totalmente a minha pergunta lá de trás. Por que eu? Porque sim. Minha sensação é de que o fato de você vir parar nos meus braços nunca foi algo aleatório. Não se trata de uma roleta russa da vida. Você veio certinho para quem deveria vir. Para mim.

Por tia Lorena

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Expectativa

Nunca fui boa com expectativa, Antonio Pedro. É que a minha capacidade de 'desarme' quando eu me frustro é imensa. Aí, depois de muita porrada - perdão o termo -, mamãe passou a maior parte da vida adulta dela, segurando ao máximo a expectativa em relação a qualquer coisa que eu considerasse muito importante. Entrevistas de estágios, empregos, viagens, namoros, apartamentos... Sempre que algo muito bom parecia estar acontecendo, mamãe dava uma travada no freio de mão com medo de descer ladeira abaixo.

Bom, já contei aqui, que depois que você entrou no meu mundo, muita coisa mudou no modo de ser da mamãe. Passei a ser mais paciente, um pouco menos ansiosa, mais sensível, mais melosa, amorosa, menos fechada, menos crítica, menos dura com a vida. De carona nisso tudo, acabei me tornando uma pessoa mais otimista. Mesmo com muita tendência ainda a me preocupar exagedaremente com tudo e todos, mesmo com o medo ainda presente de que tudo dê errado, mamãe desde que você nasceu, virou alguém com mais... esxpectativa. Positiva, claro.

E, vamos lá, cheguei no meu ponto de hoje. É que exatamente por voltar a trabalhar com expectativas, por me deixar levar pelas marés boas, por me permetir curtir progressos, eu também, volta e meia, me lembro do porquê eu havia decidido há muito tempo não ser alguém assim.

Não é que eu não esteja gostando de ser embalada por boas vibrações na nossa história que, indiscutivelmente, até aqui, tem tido mais vitórias que derrotas. Mas é que, como eu disse, a minha capacidade de desarme é grande e eu ainda preciso muito aprender a lidar com ela. Mas estou tentando. E se alguém tem me ajudado nesse quesito, é o papai. Vai ser positivo e seguro assim lá na Suíça... Às vezes, eu acho que não é possível. Como o homem consegue não perder as esperanças jamais? Como ele faz pra não cair quase nunca? Da onde ele tira tanta fé, acho que posso chamar assim. Fé nele, na vida, na gente, em você.

Enfim, é ele quem, na maioria das vezes, segura a onda da mamãe, faz de tudo pra me mostrar o lado bom do lado ruim e até fala mais firme quando o que a mamãe precisa mesmo é de um 'tapa' pra acordar e sair da inércia do negativismo.












Tô falando isso tudo hoje porque digamos que a gente esteja numa fase conturbada aí em meio a história de seus espasmos, micro-convulsões, whatever... e isso tudo apareceu num momento em que estávamos tinindo em matéria de evolução motora. Ou seja, minha expectativa estava lá no céu, eu era só sorrisos, radiante de felicidade. E aí, bum, pintou mais um obstáculo pra gente pular.

Só que... desta vez a mamãe não caiu. Pelo menos, o tombo não foi assim tãããão dolorido. Foi mais uma 'catação de cavaco', sabe? Depois mamãe te mostra o que é isso. E, por isso, estou bastante orgulhosa. De mim mesmo, olha que humilde de minha parte... Mas é sério, acho que, enfim, consegui encontrar uma maneira saudável de viver com a expectativa. Algo como se permitir ter expectativas altas sim, viver intensamente e curtir tudo de bom que acontece sim, e não se abater tanto com as pedras que, inevitavelmente, surgirão no caminho.

Veja bem, pacotinho, isso é algo muito difícil de se fazer. Ainda mais quando a expectativa é em cima do que há de mais sagrado e amado no mundo, um filhote perereca lindo que nem você. O que me faz acreditar que se eu tô conseguindo me comportar assim em relação a você, posso me considerar totalmente curada em relação ao resto. Duvido mesmo que algum dia eu fique baqueada de novo por algum motivo como a perda de um contrato importante, o cancelamento de uma viagem de férias ou por uma chuva que estragou um churrasco de aniversário. Entende? Tenho certeza que, de agora em diante, conseguirei me comportar de uma forma próxima a do seu pai. Que acha verdadeiramente que se perdeu esse negócio, é porque outro melhor vai aparecer. Se não deu pra ir desta vez, ano que vem escolhemos um lugar melhor. Se tá chovendo, abre o guarda-chuva e ria vendo tudo molhado.

E é isso aí. Como disse seu pai, a novela espasmos não significa um intervalo, uma pausa, como eu falei pra ele. É apenas algo paralelo. Até porque você não deixou de seguir adiante na fisioterapia e nem de apresentar melhoras motoras. Apenas, junto com isso, temos tido que conviver com coisas chatinhas como eletros, consultas médicas e remédios. Mas já já a gente estabiliza e volta a curtir nossa arrancada para o sucesso.

Valeu, papai!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Internet

Que a Internet facilitou muitíssimo as nossas vidas, ninguém duvida. Aliás, filhote, você já nasceu interconectado. Será muito engraçado o dia em que a mamãe te contar que na minha época a gente ainda fazia pesquisa pros trabalhos de escola em uma coisa chamada 'enciclopédia'. Mamãe tinha até uma coleção dos Escoteiros Mirins que ficava destacadíssima na estante do quarto. Fora as mais sérias como a Delta-Larousse ou a Barsa. Hein? Pois é. Provavelmente você jamais verá um exemplar, mas eram livrões grossos em ordem alfabética com explicações para uma variedade de termos afins. Em vez de digitar a palavra no Google, a gente ia procurá-la nas enciclopédias. Mas hoje acho que só os anciões continuam se utilizando deste serviço obsoleto.

Ou seja, como mamãe não é nenhuma E.T. também vive na internet atrás de respostas, significados e conteúdo sobre todo o tipo de assunto. Principalmente, sobre meu assunto em pauta nos últimos meses: você e suas ziqueziras.

E é disso que quero falar hoje. É que apesar de ser maravilhoso poder ter acesso a um mundo sem precedentes de informações, também é extremamente angustiante se perder em tamanho número de páginas e mais páginas sem filtro. E isso por causa de uma coisa chamada sugestionismo.

Veja bem, quando alguém, especialmente uma mãe, está uma pilha de nervos, preocupadíssima, em relação a algo relacionado aos filhos, é quase inevitável que quando ela leia a respeito de casos, sintomas ou doenças aparentemente semelhantes ao que os filhos vêm apresentando, ela não ache no ato que é exatamente aquilo que também está acontecendo com o filho dela. E, geralmente, nos prendemos ao que achamos de pior, de mais grave. É como se tivéssemos lendo ipsi literis o que estamos vivenciando em casa. Tudo se encaixa como peças de quebra-cabeça.

Já passei por isso - e ainda passo - frequentemente. Infelizmente, ainda não consegui acionar sempre a peneira da razão na hora em que coloco meus dedinhos frenéticos para pesquisar. E sofro. De ansiedade, de angustia, de insegurança, de pessimismo, de cansaço. Volta e meia, a descoberta de um novo tipo de síndrome da qual eu nunca tinha ouvido falar, é capaz de me derrubar durante todo o dia até que eu consiga me acalmar ou que me acalmem. O coitado do papai é quem mais sofre. Quantas vezes ele não chega em casa e encontra a mamãe tensa, chorosa, preocupada e parecendo uma metralhadora na hora de jorrar sobre ele um milhão de fatos aleatórios absorvidos em pesquisas desordenadas.

Isso ainda era pior há um tempo, quando eu teimava em não querer incomodar os médicos. Sofria de uma fobia descabida por perturbar seu pediatra, o tio Jofre, ou a sua neurologista, a tia Laís. E aí, enchia o papai de lamúrias, questões e medos diversos. Até que ele deu um chega pra lá na mamãe e me fez ver como o meu comportamento estava longe do razoável.

E, assim, passei a não ter mais frescuras na hora de pegar o telefone e correr atrás dos especialistas para tirar as minhas dúvidas. Me transformei numa mãe altamente insistente, quando eu realmente preciso de um esclarecimento. Não quero nem saber se já liguei ontem... Claro que não perdi totalmente o discernimento e não chego a pegar no telefone toda vez que você solta um pum. Mas passei a me dar o direito de incomodar sim, sempre que eu achar importante. Até pela nossa situação bem mais especial que o normal. Mereço crédito e mereço que valorizem minhas preocupações.

Moral da história, claro que cada mãe tem que achar aí o seu limiar de controle e bom senso, mas o que quero dizer, o que quero passar pra quem estiver lendo é que é preciso tomar cuidado com nosso ímpeto pela informação sem limite. Em relação a qualquer coisa, na verdade, mas em especial quando estamos vivendo uma experiência tão delicada como o dia a dia ao lado de um bebê que inspira mais cuidados.

Meu conselho hoje seria: pesquisar sim, mas se impressionar nem tanto... E antes de se desesperar ou passar um dia inteiro curtindo uma bad trip pavorosa, com medo de acabar descobrindo que é aquilo mesmo que o seu filho tem, vá atrás de respostas mais embasadas, peça pra fazer os exames necessários, incomode quem for preciso e saiba logo que diabos o seu filho tem ou não tem. Seja lá qual for o resultado, será melhor descobrir logo e agir, o quanto antes.

Né, Antonio Pedro?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Olha eles aí...

Filho, pensei muito antes de decidir se eu postava ou não o assunto que escolhi pra falar hoje. Aliás, meu receio não era nem quanto ao assunto e sim quanto ao vídeo que está aí em baixo. Ele capta um momento em que você teve os seus tais espasmos. Na verdade, não é nada demais. Muito rápido para ser assustador. Mas é que por um momento fiquei achando que eu iria te expor. Pensei nos nossos familiares um pouco mais distantes que nunca viram seus trimiliques ao vivo... Depois, fiquei rindo de mim mesma. Expor mais eu e você do que tenho feito aqui!? Ora, Adriana...

O fato é que resolvi deixar de bobeira e mostrar sim pra quem quiser ver. É que me lembrei de como foi útil quando eu fui pesquisar por mioclonia na internet e achei vários vídeos no Youtube. Graças a eles, me convenci de que havia realmente algo errado e não sosseguei até descobrir o que era. E, pacotinho, nessa Terra de Ninguém que é a área neurológica, quanto mais cedo o 'algo errado' for descoberto, maiores são as chances de que o tratamento seja bem-sucedido.

E também é bem mais fácil falar agora, quando eles estão diminuindo cada vez mais! Sim. O remédio vem fazendo efeito e hoje, por exemplo, você quase não fez. E quando fez foi nitidamente 'reflexo' de algum susto por barulho, ou toque em áreas sensíveis, principalmente, da boca. Os mais preocupantes, aqueles que pareciam ser 'do nada', pelo menos por enquanto, meteram o rabo entre as pernas e sumiram!

Espero que a curto prazo a gente só lembre deles vendo vídeos como esse que mamãe tem reunido para fazer um histórico completo e futuro do 'caso pacotinho'.

E ah! Hoje ficamos famosos. A amiga da mamãe, a tia Bel que você ainda não conhece ao vivo, mas que nos acompanha desde o comecinho falou da gente no programa de rádio bombante onde ela solta a bella voz todos os dias na Paradiso FM, Hora do Blush. E quase que imediatamente, mamãe recebeu mensagens de apoio, força e carinho por e-mail e, de quebra, ainda ganhamos mais seguidores! Sejam bem-vindos, todos os nossos novos amigos. Será um prazer dividir nossa história com vocês. E estamos aqui para trocar experiências sempre que possível.

Por fim, resultado da nossa semana concorrendo no bebê Johnson: Marmelada, filhote. Não ganhamos. Mas chegamos perto, hein. Tivemos um saldo de 134 votos e um lá dos mais votados estava com 176. Não fizemos feio, povo. Agradecemos a mobilização.

beijo na ponta do nariz, meu amor. E um abraço apertado pra quem tá aí do outro lado da tela.

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Meu Pequeno Buda

Antes de começar hoje, queria dizer que estou muito feliz por enfim ter conseguido chegar a uma 'mãe amiga de guerra'. Por favor, sem de maneira nenhuma desmerecer as outras mamães que nos seguem com tanto carinho... Daniela, aproveitei a deixa e coloquei meu e-mail bem destacado aí do lado oh. Escreva quando quiser e o que quiser. Como tenho dito aqui tantas e tantas vezes, um dos maiores objetivos desse 'humilde' blog é ter a chance de ajudar, de ser ajudada e, principalmente, de dividir. Aliás, aproveito pra falar também que eu sou muito metida e saio escrevendo tudinho que eu acho que vale à pena. Mas... apesar de ter mergulhado de cabeça nesse estranho mundo das lesões neurológicas e suas possíveis consequências, eu não sou médica. Então, tudo o que coloco aqui são impressões e experiências pessoais. Ainda que eu seja interessada, pesquise, estude e escute com ouvidos mais do que atentos tudo o que os especialistas que tratam do nosso caso dizem, não quer dizer que eu não possa transcrever alguma coisa equivocada de vez em quando. Por não ter entendido exatamente ou por confusão de termos técnicos... Enfim, não sou profissional da saúde, apenas uma mãe muito, muito, muito esforçada em início de carreira.

Agora, vamos nós: Filhote, você está zen. Seu remédio sossega leão tem te deixado calminho, calminho... E sabe que eu nem estou achando ruim!?

Falando sério, pacotinho, mamãe está muito aliviada. É que eu estava bem apreensiva sem saber como você iria reagir a essa nova medicação. E um dos meus maiores temores era de que ela te deixasse lesado. Mas, graças a todos os deuses possíveis, isso não vem acontecendo. Sonolento sim, mas bobo não. Lembrando ainda que, segundo a tia Laís e a tia Suzane, essa sonolência deve passar nos próximos dias. Mas o que quero dizer é que mesmo com cara de soninho, você não deixou de ser você. Não perdeu o 'modo Antonio Pedro de ser', entende? Continua rindo de gol contra e pra todo mundo que brinca com você; conversa bastante aí na sua linguagem de bebê; e está igualzinho nas tentativas incansáveis de pegar as coisas e brincar. Hoje de manhã na tia Eliane também aproveitou bem a sessão.

Aqueles incômodos das duas primeiras noites passaram e agora posso dizer com um pouco mais de certeza que os trimiliques diminuíram. Ainda não pararam, mas você tem feito menos. Ou seja, está tudo correndo bem.

E, apesar de ser um pouco cedo para atestar, justamente porque ainda não dá para ver se a sua 'tranquilidade' é ou não passageira devido à adaptação do organismo com o remédio, o fato é que se essa calmaria permanecer, será ótimo. A carinha de sono não, mas esse relaxamento seria muito bem-vindo. Seria o que chamamos de 'ganho de organização'. E é muito possível que o remédio te dê isso. Aliás, é muito possível que as tais micro convulsões te desorganizassem e com o remédio agora para controlá-las, você realmente consiga se mostrar mais organizado, paciente, centrado.

Foi assim hoje na fisioterapia. Você estava ainda mais tolerante, apesar da mamãe já estar observando isso há mais tempo, antes de começarmos o remédio. Você já estava rendendo melhor na tia Eliane, se esticando menos, aguentando até o fim, sem se desesperar, reclamando pouco e tal. Mas hoje achamos - eu, ela e vovó - que havia algo ainda mais diferente colaborando com a sua aceitação das posturas e exercícios. Tomara que seja mesmo um ganho de organização e que ele não seja passageiro. Vamos observar.

Pra terminar, mamãe queria só te dar os parabéns. Mais uma vez. É que volta e meia, fico admirada com o fato de você ser apenas um bebê. É que exigimos tanto de você, filho. Te observamos tanto, esperamos tantas respostas, pedimos tanto... E você responde! Um serzinho pequenininho... e, ao mesmo tempo, mostrando cada vez mais e mais maturidade... Mamãe usa termos para falar de você que seriam muito mais aplicáveis a adultos, por exemplo! Vê se pode falar em organizado, paciente e centrado para se referir a um bebê de dez meses?!

Você é fora de sério, Antonio Pedro. Realmente, é o meu pequeno gênio, meu pequeno Einstein. Meu grande guerreiro.

Descabelado depois do eletro.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Evolução 2

Eletro feito. Alteração do traçado confirmada durante os malfadados espasmos. Mas... Até no campo das notícias ruins existem as notícias boas, não é verdade? E posso dizer que, apesar do exame em si ter sido um estresse total com você berrando horrores filhote e incomodadíssimo com o calor que fazia naquela salinha micra, nosso veredicto foi de certa forma um grande alívio.

Ainda não pegamos o laudo final e nem conversamos com a tia Laís de novo, mas disse a médica lá na hora que estava fazendo o seu exame que o 'traçado global' da sua atividade cerebral é ótimo. As alterações são esporádicas e coincidem com a tal microconvulsão reflexa, ela conferiu via vídeo já que seu exame foi filmado. Isso significa que, pelo menos por hora, esses picos desagradáveis não estão afetando o funcionamento geral da sua cabecinha, não estão causando nenhuma encefalopatia.

Mamãe já achava que você não estava ficando 'menos esperto' e tá aí a confirmação! Mas a medicação continua necessária porque sem ela existe o risco desse quadro evoluir. Por isso, começamos ontem à noite o seu remedinho sossega leão. E passamos bem o primeiro dia. Talvez eu tenha achado que você passou a noite um pouco mais inquieto e a manhã de hoje um pouco menos acelerado. Mas nada que faça uma diferença muito significativa. Você continua balbuciando pelos cotovelos, fez bem sua sessão na tia Eliane... Enfim, nada muito fora do normal. Espero que continuemos assim! Os espasmos ainda acontecem. Talvez, você tenha feito um pouco menos hoje. Não sei. Mas também um dia só de remédio não é suficiente para inibí-los.

E é isso aí. Vamos em frente que atrás vem gente. Seguindo no sucesso que fizeram os vídeos de Antes e Depois no balanço do patinho, vão aí abaixo um antes e depois de você tentando se manter sentado. Diferença de tempo entre um e outro: quase dois meses.

beijo nessa bochecha gostosa. E não esqueçam de votar todo dia até domingo!!!!!

Sentado Antes:
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Sentado Depois:
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Convulsão Reflexa

Titulozinho desanimador, não é mesmo, meu povo? Pois é. Aliás, antes de começar aqui hoje, quero falar uma coisa engraçada: sabia que eu agora me preocupo com quem nos segue, filho? Veja só, nós aqui nessa luta sem tamanho e a mamãe preocupada em deixar nossos seguidores aflitos...

Mas, oh, por um lado isso é bom sinal. Mostra como não estou mais tão facilmente abalável. Como se eu já estivesse casca grossa aqui pelo dia a dia e pela adaptação que o sábio senhor chamado Tempo nos traz. Já nossos familiares, amigos e leitores em geral podem se impressionar um pouquinho mais.

Então, por onde eu começo... Bem, pacotinho, sabe os seus espasmos esquisitos que se pensou serem convulsões mas acabou que o seu eletroencefalograma deu normal e o diagnóstico ficou sendo algo como uma hiperexcitabilidade ou hipersensibilidade? Voltaram pra a suspeita inicial. Sim, ao que tudo indica agora, são mesmo convulsões. Microconvulsões. Reflexas. Devido a hipersensibilidade sensorial. Principalmente sonora e tátil, no seu caso específico.

É, meus queridos, 'bem-vindos' ao mundo dos falsos negativos. Dá até preguiça... mas vou tentar contar tudo o que aconteceu do antigo diagnóstico pra cá.

Dá para imaginar você fazer um eletro no seu filho, o resultado dar totalmente normal, a neuropediatra dizer pelo telefone que você pode ficar tranquila e aí, quando chega o dia da consulta, ela vê o seu filho e seus trimiliques esquisitos e esporádicos ao vivo e te diz que... "Na verdade, quando o eletro dá positivo para focos convulsivos, não há dúvidas. Mas quando ele dá negativo, não exclui". Hein?????? É isso mesmo. Até o eletro nesse mundo misterioso que é a neurologia pode pregar peças em você. Incrível.

Resumindo: pelo exame clínico dela lá, seus espasmos têm toda cara sim de serem pequenas convulsões já que - e isso eu não posso negar porque já senti segurando a sua mãozinha - são descargas elétricas mesmo. Ondas perfeitamente identificáveis.

Mas aí lancei a minha dúvida: "Mas, Laís, na maioria das vezes eu consigo notar exatamente o que causou o espasmo. Um barulho mais alto, a colher que toca no céu da boca, a gente fazendo força para abrir a mãozinha dele..." E foi aí que ela acrescentou o 'reflexa'. Eu não sabia, mas convulsões podem ser provocadas por estímulos sensoriais aparentemente inofensivos se o limiar sensitivo da pessoa é mais baixo que o normal. E, então, o quadro todo voltou a fazer sentido na minha cabeça.

Desde o início, a tia Suzane apostou que seu problema maior, filho, era uma desintegração sensorial. A tia Eliane, desde que começou a tratar de você, também mergulhou de cabeça nessa linha para direcionar a sua fisioterapia.
Explicando: é como se os seus sentidos estivessem todos embaralhados e desorganizados. Desde falta de consciência corporal até desfunções de audição, paladar e tato. Como se tudo flutuasse e cada hora você sentisse as coisas de um jeito. Um verdadeiro samba do criolo doido das sensações.

Ou seja, o tio Jofre não estava errado quando falou em hiperexcitabilidade ou hipersensibilidade. E a tia Tina não estava errada quando suspeitou de convulsões. Nem o seu eletro estava errado, porque ainda segundo a tia Laís, se não saiu é porque não é tão grave, já que não existe foco, cicatriz. Todo mundo tá certo. Só era preciso juntar as pecinhas para chegarmos à conclusão de que você tem uma desintegração sensorial que torna seu limiar sensitivo altamente baixo (hipersensibilidade). Tão baixo, que um simples estímulo como um toque num lugar mais sensível, provoca uma microconvulsão. Isso devido a uma imaturidade do seu cérebro ainda em formação. Capitou?

Complicado e cansativo, mamãe sabe. Mas é importante detalharmos tudinho porque alguma outra mamãe um dia pode precisar dessas informações todas para ajudar seu pimpolho também. É que Integração/desintegração sensorial é uma coisa muito mais comum do que se imagina, mas ainda pouco divulgada, diagnosticada e tratada.

Falando nisso, vamos ao tratamento: o seu, infelizmente, precisará de remédio. Desses de venda controlada. Pelo menos, por enquanto. O nome é estranhíssimo, mas parece que é o que há de mais moderno no mercado farmacêutico. Chama Depakote Sprinkle. E o princípio ativo é o Valproato de sódio. É chato, mas é necessário e o que podemos fazer é torcer para que um: ele surta efeito e cesse suas crises por completo. A expectativa é de que em duas semanas já diminua bem e em três ou quatro, suma. Dois: que você não tenha nenhuma reação adversa como falta de apetite, queda de cabelo, doenças epáticas ou pancreatite. A dose é baixa, tia Laís acha que não deve causar nada disso. Tomara. E três: que essa tal dosagem esteja correta. Não quero nem lembrar dos dias na UTI em que os médicos ficaram testando a dose ideal dos remédios que você precisou tomar na época e enquanto isso você ficou quase em coma induzido de tão apagado...

Mas, não vai acontecer nada disso. E é agora que convoco nossa corrente amiga para rezar, pensar positivo, torcer... por nós. De novo.

Mas, de novo também, mamãe não cansa de repetir nem pra você e nem pra quem quer que seja: não consigo olhar para a sua carinha e achar que você não está bem. Sinto que está. Sua evolução continua a olhos vistos. Vamos encarar apenas como um percalço aí no caminho que estamos trabalhando para consertar. E tem mais: se mesmo com essas crises, que poderiam atrapalhar muito, você conseguiu progressos incríveis, imagina só o que podemos esperar sem elas?! Já pensou? Avançarmos numa velocidade maior ainda sem espasmos desagradáveis para nos atasanar? Seria tudo de bom!

Bom, amanhã faremos outro eletro, desta vez acordado e com vídeo, para que você faça o espasmo durante o exame para vermos o que aparece no traçado. Não muda o tratamento, mas a tia Laís quer documentar o que for possível. Anotem aí: amanhã, 12h30 - eletro do Antonio Pedro e à noite, começamos o remédio. É a hora do início da reza amiga. Tamo junto!

beijo da mamãe. Pra você e pra todos que nos lêem com tanto carinho. Já votaram no Bebê Johnson hoje? Vai lá!

E, por favor pessoal, não desanimem, não fiquem excessivamente preocupados. Quero um clima de força em volta do meu pequenininho, vibrações positivas. Assim como esse sorriso dele que eu tenho a benção de ganhar várias vezes por dia. Dou notícias.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Bebê Johnson



Atenção amigos, amigas, familiares, seguidores e simpatizantes, Antonio Pedro acaba de ser cadastrado para participar da promoção dos bebês do calendário 2011 da Johnson. Pra ganhar, ele tem que receber trocentos mil votos. Sim, valem mais os clicks que a boniteza do rapaz. Se fosse só isso ele seria imbatível, não é não?

Bom, tá falado. Aqueles que quiserem participar da 'brincadeira', a gente agradece. Seria muito bonitinho ter nosso mini Alandelon estampado num calendário. É que já passamos da fase de achar que só nós aqui de casa achamos o moleque fora de sério. Ele é realmente bem acabado. Numa mistura cósmica e bastante improvável, a salada de gens conseguiu ser formada pelo que havia de melhor em papai e mamãe. Tenho pena dos meus outros filhos, já que eu e Cesar nunca mais conseguiremos repetir tamanha façanha...

É isso aí, povo, é só entrar lá no site: www.bebejohnson.com.br e procurar por Antonio Pedro. Vai aparecer essa foto linda e aí é só votar. O crédito da foto é da tia Flavis que registrou esse sorriso gostoso, num belo dia de sol e praia no Arpoador. E ah sim! Divulguem em suas listas, facebooks, orkuts, amigos e papagaios. Qualquer voto é bem-vindo! Cada pessoa pode votar 1 vez por dia. Ele está concorrendo apenas nesta semana de 13 a 19 de setembro para ser o bebê de junho 2011. Vamos lá, mão no Mouse!

beijo da mamãe babona.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os Outros

Um dos principais motivos da mamãe ter criado esse blog, pacotinho, foi para que as outras pessoas se sentissem mais confortáveis para perguntar sobre você. Desde que mamãe entendeu que você era uma criança que precisaria de mais cuidados que o normal, uma onda de pânico tomou conta de mim não só por estar diante de uma situação que eu não estava preparada - ninguém está -, mas por temer que os outros sentissem pena de você.

Então, antes de me deparar com expressões constrangidas, sorrisos amarelos e olhares de 'tadinho', rapidamente criei uma forma de deixar tudo muito claro para que quem quisesse entedesse exatamente pelo que estamos passando e não ficasse melindrado na hora de abordar o assunto. Isso mesmo, eu, que sou uma porta fechada, decidi fazer de nós um livro aberto em prol de um clima positivo a sua volta.

E tem funcionado. Ainda bem, minha estratégia tem sido totalmente bem sucedida. Assim, evitamos que nos tratem de forma diferente e barramos aqueles horríveis olhares distantes e sucessivos cochichos que só quem faz acha que ninguém percebe.

Bom, por que mamãe está falando isso? Porque mesmo assim, com todo esse cuidado que fiz questão de ter, volta e meia ainda me preocupo com o que os outros vão pensar de você. Só que como você tem essa cara de modelo mirim da Richards, quase nunca somos fuzilados com algum olhar preconceituoso, de pesar ou de curiosidade. Mas a partir do momento em que entramos nesse vasto mundo que é o das crianças especiais, acabo me refletindo e me solidarizando com outras mães que vivem situações parecidas com a nossa.

O problema, e eu já disse isso inclusive para uma mãe amiga, é que nem sempre o problema são os outros, mesmo que eles possam sim ser desagradáveis, insensíveis ou meramente inconvenientes. Muitas vezes, diria que na maioria, o impasse, a falta de tato, o 'piorar' da situação começa com a gente mesmo. Automaticamente, sem querer, acabamos vestindo o manto de vítimas e nos afastamos com desculpas do tipo: é difícil explicar o quadro, quem não passou por isso não tem como entender etc.

Também não é fácil admitir que essa distância inconsciente seja justificada pelo simples motivo de que é muito difícil ver como a vida do vizinho é 'simples', como o filho dele é 'normal'. Não queremos assumir, aliás, não queremos permitir que uma invejazinha, mesmo que explicável, se instale em nossos próprios olhares e pensamentos. Às vezes, muito antes dos outros nos olharem com pena, somos nós quem olhamos com cobiça. E por mais que nosso amor pelos nossos queridos filhos não mude um centímetro, é impossível não pensar como seria se também fôssemos uma daquelas mães ali ao lado.

Onde quero chegar com isso tudo? Sei lá. Não tenho muito uma conclusão porque não é algo por que se passa em um determinado momento e depois acaba. Não. Sempre estaremos suscetíveis a nos deparar com esses sentimentos ao olharmos em volta ou ao sermos olhadas.

Mas com o tempo melhora. Acho que é aí que eu quero chegar. Como em qualquer outra situação difícil da vida, você se acostuma. Disse isso pro seu vovô, pai da mamãe, outro dia: depois de um tempo, depois do susto com o furacão, você acaba aceitando e entendendo que aquilo é a sua nova realidade. E quando eu entendi que a minha vida agora era essa, passei a vivê-la da melhor forma possível. Eu tentava explicar ao vovô que não é só porque estamos vivendo um dia a dia de mamãe e bebê um pouco mais hardcore que o normal, que teremos, que eu terei, que ser tratada diferente, que devem tomar cuidado comigo, que evitem me contar ou me fazer participar dos demais problemas dos que estão a nossa volta. Claro que contamos com o bom senso da turma de, já que estão tão perto de nós, também dêem uma repensada no que é realmente um problema. Acho que assim como essa experiência toda tem sido enriquecedora e cheia de ensinamentos pra nós, também pode e deve ser para os que nos cercam.

E é isso aí, filhote, a melhor forma que a mamãe encontrou de lidarmos com isso tudo é essa: dividir com os outros as coisas boas e ruins que acontecem conosco. Falar sempre sobre você sem esconder nada, sem querer te preservar de nada. E é, acima de tudo, mostrar o quanto eu e você somos fortes, para que também nos passem força. E se, de vez em quando, mamãe der uma pequena suspirada ao ver um bebê da sua idade engatinhando freneticamente pelo chão como se isso fosse a coisa mais simples do mundo, me dê um desconto, certo? E, como eu falei outro dia, deixe que a gente até faça piada de nós mesmos, meu pequeno mamulengo...

Não é raro mamãe brincar com a nossa realidade nua e crua justamente porque ela não precisa ser cruel. E isso depende muito mais da gente do que dos outros.

domingo, 12 de setembro de 2010

Caraca, dez meses!

Como o tempo passa rápido, certo? Aposto que todas as mães têm essa sensação e comigo não é diferente, apesar de para mim haver uma pequena contradição inclusa. É que ao mesmo tempo em que eu acho que esses dez meses passaram voando e que, você pacotinho, já está um bebezão enorme e fortão, também tenho a sensação de que na verdade já vivemos dez anos, devido às incontáveis fortes emoções já experimentadas.

E isso, meu amor, mesmo me dando uma certa exaustão, também faz com que eu me sinta muito mais próxima a você, como se nossa ligação, nosso amor estivesse infinitamente mais fortalecido do que se tivéssemos vivido dez meros meses.

E ainda considero que esse nosso último mês representou uma espécie de maior idade neonatal pra você, já que você cruzou a linha dos nove e agora está há mais tempo aqui fora do que passou na babiga da mamãe. Coincidência ou não, estamos tendo dias de muito progresso ultimamente. Você tá que tá, filho.

Vou ficar por aqui hoje porque foi um fim de semana cansativo regado a muitos passeios, praia e à sua primeira festinha de criança. Na verdade, a primeira foi a do seu primico Arthur, quando ele fez três anos em janeiro passado. Mas você era tão pequenininho que não deve ter assimilado nada. Desta vez, ficou bem mais atento à criançada correndo pra lá e pra cá e à tia do violão, que cantou músicas deliciosas. A festinha foi da Carmen, filha da tia Déa, que é irmã da tia Lilian, muito amiga da mamãe. Adoramos a festa com decoração como antigamente, com tudo feito carinhosamente à mão; e cheia de comidinhas saudáveis e muito mais gostosas que as gordurebas de praxe. Mamãe se entupiu de sanduichinhos naturais, biscoito Globo, mate, milho e sorvete Itália. Nesse, você até deu umas lambidas. Era de tangerina.

Abaixo, um videozinho do seu parabéns pelos dez meses, num jantar na casa da vovó, na última 5ª feira. Você estava caindo pelas tabelas já, mas vale o registro. beijo da mamãe.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pacotinho e Pacotão

Pacotinho, hoje eu quero falar sobre a sua bisa. Aliás, você é uma criança muito sortuda que tem DUAS! bisas. Uma mora láááááá longe, em Portugal, e você ainda não conhece. Chama 'vó Cândida'. E a outra mora aqui mesmo, bem pertinho da gente. O nome dela é 'vovó' Ignez, mas mamãe a apalidou carinhosamente de Pacotão, em alusão a você, meu amado pacotinho.



É que, que nem você, a bisa está num intensivão de fisioterapia para, no caso dela, voltar a andar sozinha. Mais ou menos na mesma época em que você nasceu, ela começou a ter problemas para andar: fraqueza nas pernas, falta de equilíbrio, enfim, falta de controle dos membros inferiores. Como se o cérebro dela desse o comando e as pernas não obedecessem... Pra bisa, o maior problema são as pernas. Pra você, os braços e o tronco é que estão dando mais trabalho. Mas os dois precisam de muito exercício, muita força de vontade e muito carinho de todos em volta.

Graças a Deus, ainda em comum, pacotinho e pacotão têm uma alegria de viver que são essenciais nessa batalha. Enquanto você distribui sorrisos a torto e a direito, a bisa não economiza nas gargalhadas e é a primeira a fazer piada dela mesma. Incrível. Ontem mesmo, a gente foi visitá-la e ela nos contou passando mal de rir de quando ela foi tomar banho outro dia e acabou escorregando devargazinho, porque estava toda bisuntada de hidratante, até ficar sentada no box e ficar lá um tempão sambando pra lá e pra cá, até conseguir se apoiar nas barras e subir de volta. Segundo ela, parecia uma baleia ensaboada deslizando de um lado pro outro, rindo. Sim, durante o processo, diz ela que ficou se escangalhando de rir até parar e colocar a cabeça pra funcionar. Foi quando ela teve a ideia de ajoelhar e ir se apoiando nas barras.

Essa, pacotinho, é uma das maiores lições de vida que você pode e deve aprender: rir de si mesmo. Sua bisa sempre se comportou dessa forma e não é à toa que hoje está aí, com quase 82 anos e apenas uma falta de óleo nas engrenagens. Nem uma doencinha mais grave sequer... E olha que a vida dela não foi moleza, hein. Trabalhadora dura na queda até se aposentar da Companhia ferroviária, mãe de duas filhas, cozinheira de mão cheia desde sempre e avózona, daquelas que valem mais que mil babás. Ela ajudou a criar, um por um, todos os netos. Começando pela mamãe, a preferida e mais velha..., passando pela prima Teb e pela dinda Taty,










até o Delano, o mais novo e mais bonito. Isso até aparecer o meu pacotinho, para destronar o, até então, único homem do pedaço. O próprio Delano já se rendeu a você e também foi cativado por essa sua presença de espírito fenomenal. Tá louco para te pegar pelo braço e te mostrar as coisas boas e belas da vida.









A sua vovó, mãe da mamãe, já tinha observado bem aqui num comentário sobre quando mamãe falou que não sabia de quem você tinha puxado esse carisma todo, que a origem era justamente a sua bisa. Ela está coberta de razão.

Beijo no pacotinho e no pacotão.

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Passagem de Bastão

Pacotinho, hoje mamãe vai falar de uma coisa chamada vínculo. Algo que a gente cria por aí com algumas pessoas ou até situações. Alguns vínculos são quase pré-determinados como a relação mãe e filho, pai e filho, irmão e irmã e outros parentescos, com maior ou menor intensidade. Mas há também os vínculos que se criam ao acaso, naturalmente. Com pessoas variadas.

Mamãe sempre foi meio ruim de vínculo. Faz parte dessa minha personalidade desconfiada e fechadona. Entro pouco e deixo que entrem menos ainda. Isso não é a priori uma coisa boa. Apesar de me proteger de algumas roubadas, também me priva de coisas que poderiam ser mais intensas e interessantes. Mas cada um é como é.

Enfim, voltando ao nosso foco, vínculo gera apego. Apego gera carinho. Carinho gera sentimento. E foi essa gradação toda que a tia Bárbara, sua primeira fisioterapeuta, experimentou com você. E por mais que a mamãe seja essa aparente geladeira, também acabou se encantando por ela, mas especificamente pelo encanto dela por você. E, por isso, foi tão difícil dizer que íamos abandoná-la. Pelo menos, por enquanto.

Isso aconteceu na terça retrasada e, desde então, não sai da cabeça da mamãe fazer algum tipo de homenagem pública à primeira fisio que pôs as mãos em você. Devemos muito a ela os seus primeiros progressos, seu controle excelente de perna, sua melhora com as mãos e o início da nossa vitória com seu tronco. Queria muito ter dito isso tudo olho no olho, antes de deixamos o consultório pela última vez e deixá-la com os olhos marejados. Mas mamãe não disse. Exatamente por causa desse jeito fechado e aparentemente gelado de ser que, apesar de ter amolecido muito desde a sua chegada, ainda me domina e faz com que eu não encontre o modo, o tom, a coragem de me comportar como deveria. Uma espécie de timidez descabida, uma vergonha idiota de chorar também. Sei lá, como se eu cultivasse um medo eterno de me mostrar frágil. E não me pergunte porque ser frágil é ruim. Não é. Mas vai dizer isso para a minha cabeça doida...

Bom, está dito. Devemos muitíssimo a tia Bába e nunca iremos esquecê-la. Não sei se um dia voltaremos ao consultório dela, mas faremos questão de mantê-la informada do seu progresso. Ela merece. Pelo carinho que teve com você desde o início e pela elegância de entender nossa nova tentiva no final.





E como mamãe já disse aqui, nossa nova tentativa chama-se tia Eliane. Um amor de pessoa, que também se derreteu toda por você logo de cara. É difícil não se apaixonar por você, pacotinho...

E estamos indo de vento em popa! Aliás, por falar em popa, suas sessões na tia Eliane já estão sendo uma espécie de treinamento para seu futuro como velejador, sonho mór do papai. É que o motivo de termos 'nos mudado' para o consultório dela é uma estrutura de madeira, presa ao teto e suspensa no ar.

Ela sobe com você naquilo e faz ali as posturas e exercícios que você tanto precisa. A vantagem é que como o troço balança, tira um pouco o foco do esforço, te destrai e você aceita mais fácil a malhação.

Fora que o balançar é ótimo para ajudar no seu equilíbrio, já que te obriga a ficar fazendo auto-ajustes o tempo todo. E, oh, uma semaninha de três sessões com a tia Eliane e posso jurar que você tem oscilado bem menos aqui no nosso dia a dia. Incrível!




E assim estamos, pacotinho. Pra lá... e Pra cá... Pra lá... e Pra cá... Seja bem-vinda, tia Eliane!

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sábado, 4 de setembro de 2010

Evolução

Filhote, tem uma frase que diz assim: 'Depois da tempestade, vem a bonança'. Tá certo que a nossa bonança total ainda nos aguarda lá na frente, mas essa semana que passou foi de muito, muito, muito progresso pra gente, pacotinho. Mamãe já tinha reparado, mas a confirmação veio com o parecer da tia Suzane, que assim que te viu no meu colo, imediatamente, abriu um sorrisão atestando como você estava mais durinho.

Essa foi nossa primeira semana da fisio três vezes com a nossa nova tia Eliane e um dia de tia Suzane. Tudo de manhã, para fazermos uma rotina, como mamãe queria. E, a princípio, tá dando super certo. Você ficou bem disposto todos os dias, chorou muito pouco e rendeu beeeeeem mais. Acho, achamos, que seu progresso veio daí. Como você estava mais atento e receptivo, absorveu mais com essa inteligência nata que Deus lhe deu.

É impressionante como a coisa às vezes funciona como um click mesmo. De uma hora para outra, você 'pum' tem um estalo e aprende algo a mais. Na quarta na tia Eliane, vivenciamos um assim: você há tempos, desde que consegue pegar as coisas, pega e leva tudo direto à boca, não importa o quê, nem o tamanho. Mas, no finzinho da sessão de quarta, você, sei lá porquê, resolveu prestar mais atenção no que estava fazendo e viu que quando você batia a mão num tamborzinho lá, ele tocava música. E, aí, ficou batendo outras vezes e olhando com seu bico de patinho o troço tocar. Foi muito bonitinho olhar você tendo essa descoberta. Daí em diante, você agora varia. Hora leva direto à boca, hora bate e espera ver se acontece alguma coisa. No dia seguinte na tia Suzane já foi assim. Tão bonitinho...

Outro progresso visível foi na mesma quarta, à tarde. Mamãe te levou na piscina do prédio da vovó e foi muito diferente da última vez que fomos lá. Mamãe ficou com você de bruços nos braços e você lá amarradão atrás do brinquedinho, espertão, sem deixar a cabeça cair. Antes, a cabeça tombava toda hora e você engolia água, tadinho... Mas agora não! Você tá segurando o cabeção que é uma beleza!

Por fim, pra fechar, mamãe te colocou no balanço do patinho e viu mesmo como algo mudou aí nesse pescoço e nesse tronco cada vez menos mamulengo. A prova está abaixo, num antes e depois de arrepiar. A diferença entre um video e outro é de mais ou menos três meses, talvez um pouquinho menos. Emocionem-se como eu. Aliás, juro que eu queria dar um beijo na bochecha de cada um que nos acompanha, que posta comentários incríveis, que manda mensagens de apoio, que tão aí como nossos seguidores. Enfim, vocês não sabem como essa torcida organizada me faz bem. Obrigada a cada um. Do fundo do meu novo coração, agora do tamanho do mundo.

E um beijo no narigo, filhote.

ANTES:
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DEPOIS:
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